A cultura de massas é assim: tudo o que ganha demasiada visibilidade rapidamente se transforma em entretenimento. Julgavam que estavam a ter um debate sério sobre a disciplina enquanto gritavam pela autoridade? Não, não estavam. Estavam só a dedicar-se a mesmo de sempre: voyerismo televisivo. Mas não eram os únicos a divertirem-se:

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Enquanto os pais viam 567 vezes o mesmo vídeo para terem o prazer da indignação, os filhos transformavam tudo em gozo. Para o mesmo fim. Tudo o que aparece mais do que uma vez na televisão transforma-se em momento lúdico e comércio. Neste caso, de fraca qualidade, o que é lamentável. O dos adultos e o dos jovens. O choque colectivo com o vídeo é o sinal de uma sociedade à procura de “valores” e de “autoridade”? Não, é só o mesmo do costume: divertimento. O “deles” e o “nosso”.

Agora sim, o 9º C está em grande. São heróis Pop. Não, não foram os adolescentes que trataram da promoção. Foram os canais de televisão e a turba indignada de candidatos a linchadores.

Imagem e vídeo via Activismo de Sofá e Manual de Deus.


61 respostas ao post “Todos se divertem à sua maneira”  

  1. 1 1  Loura

    São herois e desculpe que lhe diga, desta vez com a sua ajuda…

  2. 2 2  Daniel Oliveira

    Provavelmente. Mas talvez com muito pequena parte. Acho que as TV’s, ao passarem o vídeo até à nausea fizeram bastante.

    Supondo que não está a falar deste vídeo agora. Isto é a demonstração. É o que sobra. Tem uma vantagem sobre as colecções de vídeos para adultos se indignarem. é mais sincero nos seus propósitos.

  3. 3 3  Loura

    O que se pode dizer mais quando apresentam anúncios de miuditos de 10 anos a dar conselhos aos pais sobre o uso do telemóvel? Não deveriam antes apresentar anúncios de pais a aconselhar os filhos a ler um livrito?

    “Acho que as TV’s, ao passarem o vídeo até à nausea fizeram bastante.” Não fazem o mesmo com todas as notícias? Banalizam as coisas de tal maneira que acabamos a encolher os ombros e a pôr a culpa na “vida”

  4. 4 4  Rafael Ortega

    Daniel diga-m só uma coisa, onde se compra uma T-shirt daquelas?

  5. 5 5  L. R.

    O SRPROFE Daniel acha que ele é que sabe tudo,faz provas de intenções em relação á professora num canal de TV,ETC…Eu gostava era
    de o vêr a dar uma aulita a estes alunos ,logo ele
    que na T.V.passa a vida a interromper os outros ´demonstrando assim a sua tempera.Devia de ser lindo,há e não valia apena gritar porque todos
    pensariam que era a sua VOCAÇÃO a dar frutos!!!

  6. 6 6  Daniel Oliveira

    Sim, “devia de ser lindo”.

  7. 7 7  Daniel Oliveira

    Já agora, trabalhei, noutras circunstâncias, com pré-adolescentes. Mandavam para mim os casos complicados. Parece que as minhas sobrancelhas e o meu ar de mau os assustava.

  8. 8 8  Primo de Amarante

    Quando há muita treinadores de bancada, como foi Daniel Oliveira, no eixo do mal, a falar do que não sabe, o gozo torna a irresponsabilidade mais irresponsável.

    Quem quiser saber o que é a monstruosidade do estatuto do aluno, basta ler o que escreveu António Barreto, ontem, no “Público”.

  9. 9 9  Daniel Oliveira

    Eu sou treinador de bancada porque não concorda comigo. Já os restantes são especialistas em educação, suponho.

  10. 10 10  Loura

    Ó Primo eu julgava que bastava ler o Estatuto do aluno, ponto.

    Treinadores, todos somos, principalmente os de bancada, que são sempre os que mais acertam;

    L.R., não é professor, pois não? E pai, é?

  11. 11 11  Arquiduquesa de Grayskull

    “…os filhos transformavam tudo em gozo.”

    Mas o quê que estava à espera?
    Com tanto debate, à esquerda, à direita, nos canais privados, nos canais públicos, na imprensa, na blogosfera, eu sei lá, tudo espremido e a única medida que se conseguiu descortinar foi levar o caso ao Procurador, o que é deprimente.

    Digo mais: eu se fosse a mãe da insolente Patrícia, para além de colaborar com as entidades competentes, e fazer tudo o que estivesse ao meu alcance para que a minha filha fizesse uns meses de trabalho comunitário, processava a professora por não ter participado o mau comportamento da aluna, como o deveria ter feito antes de o caso se ter tornado mediático, processava o encarregado de educação do jovem que filmou a cena e a colocou no YouTube, e finalmente acabava a processar um ou dois orgãos de comunicação social por não terem acautelado o devido valor de reserva ao emitirem o video, dada que a protagonista era menor.

  12. 12 12  Primo de Amarante

    Não, não é isso! Um treinador de bancada fala de cor, sem ter a prática do treino. E fala de forma tão assertiva que, para além de não deixar falar ninguém, nem ouvir ninguém, reduz ao simplismo das suas “verdades” o que é muito complexo. Comporta-se como aquele que diz: «raramente me engano e nunca tenho dúvidas».

    Reveja o vídeo do eixo do mal e diga-me se é possível haver diálogo, quando um participante é tão assertivo que não deixa falar mais ninguém.

    Eu não posso concordar consigo, porque só percebi que não está dentro do assunto. Não encontrei da sua parte um pensamento sobre a questão da disciplina ou da autoridade na escola, mas afirmações avulsas.

    Desculpe que lhe diga, mas Você não sabe o que é uma reunião dum conselho disciplinar, porque foi isso que deu a entender.

    Sabia que nenhum aluno pode ser castigado sem uma participação que obrigatoriamente conduz à reunião de um conselho disciplinar? E sabia que fazem parte do conselho disciplinar um representante da turma (que quase sempre não é um exemplo de virtudes cívicas) um representante da associação de pais (que geralmente muito gostava de ser doutor), um elemento do conselho executivo (que geralmente é formado pelos professores que não gostam de dar aulas e, por isso, é quase sempre eleito por uma minoria de professores e sem listas alternativas. É que tais órgãos tornaram-se tão burocráticos que desmotivam toda a gente.)

    E depois de um conselho disciplinar há sempre possibilidade de recurso. E sabia que, por vezes, para tomar uma decisão são precisos três ou quatro conselhos disciplinares, onde todos falam ao mesmo tempo e ninguém se entende! Mais ou menos como, por vezes, acontece no “eixo do mal”!.

    Só lhe digo que é de fugir!…

  13. 13 13  Primo de Amarante

    Quer um exemplo do sentido que este ministério da educação dá à disciplina ou à autoridade? Veja o vídeo:

    http://www.youtube.com/watch?v=IAQtVPICmHQ&feature=related

    A um ruído, responde-se com um ruído maior. Este é o modelo de disciplina e de autoridade que é transmitido pela Ministra. Assim, para onde caminha a escola…. Educam assim os alunos e mais tarde a solução é enfiá-los nas prisões.

    Sei do que falo, pode ter a certeza!

    O assunto é muito sério, meu caro!

  14. 14 14  Sebastião José

    “Eu sou treinador de bancada porque não concorda comigo.”

    Não é por não concordar consigo. É por, nesta coisa do ensino, você ser mesmo “de bancada”, como você tão bem reconhece.

    “É por não estar à altura das suas funções (pelo menos neste momento) que sabemos que a profissão não é para qualquer um. Provavelmente não seria para mim, que estou aqui a fazer de professor de bancada.”
    (DO em “Uns têm, outros não” de 20/03/2008)

  15. 15 15  Primo de Amarante

    Penso que não ficou mais esta achega:

    Quer um exemplo do sentido que este ministério da educação dá à disciplina ou à autoridade? Veja o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=IAQtVPICmHQ&feature=related

    A um ruído, a Ministra responde-se com um ruído maior. Este é o modelo de disciplina e de autoridade que é transmitido. Assim, para onde caminha a escola?!…

    Educam assim os alunos e mais tarde enfiam-nos nas prisões. Será justo?!…

    A escola é, para muitos alunos, o único espaço onde podem aprender a saber respeitar os outros.

    Sei do que falo!

    O assunto é muito sério, meu caro!

  16. 16 16  Daniel Oliveira

    Então o meu problema é que, ao contrário dos milhões de portugueses que opinaram sobre o assunto eu reconheci não ser especialista? E das dezenas de colonistas que maldisseram as novas pedagogia, reconhecer que não é essa a minha formação?

  17. 17 17  Primo de Amarante

    Você, Daniel Oliveira, reconheceu que não ser especialista?!…

    Peço desculpa, mas achei-o tão assertivo que não entendi isso!

    Eu também não sou especialista, mas dei aulas durante 36 anos, percorri todos os níveis de ensino, e isso pesa sempre na opinião de um indivíduo.

  18. 18 18  Daniel Oliveira

    Pois o que mais tenho ouvido é professores dizerem que é evidente que a forma como a professora lidou com o problema não lembra ao careca. E como todos fomos alunos não é difícil recordar muitas histórias. Está é demasiada gente a refazer as suas memórias.

  19. 19 19  CavaloSentado

    “Enquanto os pais viam 567 vezes o mesmo vídeo…”

    D.O. você é pior que as tvs, estica o assunto, prolonga-o…

    É como as pilhas Duracell…

  20. 20 20  Daniel Oliveira

    Estico o assunto? Não sei se já reparou que este fim-de-semana até o presidente resolveu envolver-se na matéria?

  21. 21 21  Tárique

    Gosto mais destas t-shirts. Já encomendei uma. Força 9º C !

  22. 22 22  Sebastião José

    Reconhecer que não é especialista numa matéria não é problema. Isso não nos coibe de dizer o que entendermos sobre qualquer coisa.

    Os colunistas, salvo raras excepções, que tanta coisa disseram sobre a coisa do ensino, também não passam de gente de bancada. Somos assim!

  23. 23 23  Patricia

    Para o Primo de Amarante aquele a que se refere o do “raramente me engano e nunca tenho dúvidas” foi eleito para a Presidencia da República e está com gripe,por isso é que adiou o encontro que lhe foi solicitado pela Plataforma Sindical dos Professores.

  24. 24 24  Primo de Amarante

    Sabe, Daniel Oliveira, a relação professor e aluno pode ser pensada em termos ecossistémicos. É feita mais por aquilo que ganha sentido num determinado contexto e ambiente da aula do que propriamente pelo que se diz. E, por vezes, um pequeno gesto para com determinado aluno, como «dá cá o telemóvel», desencadeia o que não se esperava… E, depois, tudo é imprevisível.

    Tive um aluno que me insultou durante uma aula e eu consegui fazer-lhe ver que o seu procedimento era incorrecto. E obriguei-o na aula seguinte, diante dos seus colegas, a pedir-me desculpa. Mas foi noutro tempo, quando o professor era uma figura com autoridade na escola e conseguia fazer-se ouvir.

    Há alunos e alunos, situações e situações. Muitas vezes um professor só verdadeiramente conhece um aluno no fim do ano

    O problema agudiza-se, quando surgem alunos que trazem interiorizado para as aulas que quem manda neles são os seus pais e não os professores. Ou, então, que o professor é como outra pessoa qualquer e, por isso, não tem que reter o seu telemóvel.

    Quem contribui para a banalização da função do professor é que é o responsável pelo clima de falta de disciplina nas escolas.

    Penso que este debate que tenho consigo é saudável, mas não quero ser “chato”!…

  25. 25 25  Patricia

    Vamos ter brevemente mais problemas porque ontem na RTP passou um anúncio,filmado numa escola em que o tema era “estes alunos são diferentes”,eram diferentes pelo facto de terem na mão um computador portátil com acesso á Internet.Isto das novas tecnologias tem que se lhe diga.

  26. 26 26  Primo de Amarante

    Há uma diferença entre informação e conhecimento. Os alunos podem ter muita informação, mas, se não a souberem filtrar, não desenvolvem conhecimento.
    Temos de distinguir entre estratégias de propaganda política e função social da escola que, no meu entender, se resume a duas: formar cidadãos responsáveis e profissionais competentes. Hoje, a escola não tem condições para exercer essas duas funções e não vai ser a Internet que as vai preencher.

  27. 27 27  aiMania

    Primo de Amarante

    Palavras sábias as suas.
    A função da escola deve ser precisamente essa, mas o erro começa quando nos livros mandam os alunos pesquizar os assuntos na net em caso de dúvidas. Não mandam ir à biblioteca e quanto a mim esses rodapés deviam ser proibidos.

  28. 28 28  Filipe Abrantes

    Está magnífico, sem ironia.

    Quando é o Jon Stewart a fazer piada sobre o Iraque (onde morrem pessoas) já toda a gente acha bem. Aqui, por se tornar motivo de piada um assunto sério, já todos se indignam.

    Aliás, em coerência, o Daniel deveria censurar qualquer imagem da guerra do Iraque. Mas acho que não o vai fazer, quer-me parecer.

    Já quanto aos comentadores: nenhum, ou praticamente nenhum, é minimamente especialista em educação. Mas só ao Daniel apontam a crítica por ter tido a honestidade de dizer que não era especialista. Tenham juízo.

  29. 29 29  Filipe Abrantes

    Qual é a especialidade do António Barreto sobre educação, por exemplo? Ou da Helena Matos? Foram professores os dois talvez. Mas o Daniel também foi. Então são ambos especialistas, ou, em alternativa, são ambas pessoas com ideias legítimas sobre educação, aliás como todos nós!

  30. 30 30  Alice N.

    Daniel Oliveira,

    Nesta questão como noutras, é óbvio que não há consensos e só temos que respeitar todos os pontos de vista.
    Permita-me, no entanto, que expresse o meu espanto e desilusão pelos comentários tão depreciativos e até o tom quase jocoso com que se tem referido à professora envolvida no caso do telemóvel. E digo isso porque muito admiro as suas crónicas e brilhantes intervenções no Eixo do Mal que nunca perco.
    Tem razão sobre o aproveitamento mediático do caso. E pode até admitir-se que a professora não tenha adoptado a melhor atitude naquela lamentável situação (mais uma questão subjectiva). Mas, sabe, Daniel, de cabeça fria, no conforto do sofá, é tão fácil ter a reacção ideal!… É tão fácil apontar o dedo!
    Seja como for, quanto a mim, nada desculpa a falta de respeito da aluna para com uma senhora de 60 anos, professora ou não, mais eficaz ou menos eficaz a lidar com a turma.
    Concordo quando diz que a autoridade se conquista, mas também defendo que o respeito pela dignidade do ser humano, esse, deve ser algo tão natural como o acto de respirar; pelo menos, numa sociedade civilizada…
    Quanto a mim, as pessoas, independentemente do seu aspecto/atitude mais frágil ou mais intimidatória, devem ser naturalmente respeitadas, porque, simplesmente, são pessoas. Ou os professores não são pessoas? Acho que há quem assim veja as coisas, mas não será, certamente, o caso do Daniel.

  31. 31 31  laranjalima

    Daniel
    Há um ponto em que concordo consigo: o assunto foi explorado pelas TVs até à náusea, e não foi porque estão preocupados com a Educação deste país, foi porque vende. As TVs o único serviço que têm prestado à Escola é denegrir a sua imagem. Só apareciam por maus(?)motivos: a bicha dos pinheiros, a salmonela, um estalo que um professor deu a um aluno. Nunca para mostrar o que a Escola faz de bom, nunca para mostrar a Escola por inteiro.
    Mas há outro ponto em que discordo completamente de si:a análise que faz da situação, a forma com a contextualiza e destribui responsabilidades.
    Insiste em partir de um pressuposto errado: que se está num contexto de escola normal. Não está.
    Aquilo que aqui mostra como uma reacção à situação e apresenta como “o 9º C no seu melhor” não me choca nada. É uma reacção perfeitamente contextualizada e crítica, quem aqui é, a meu ver, ridiculariza é a aturma e a aluna.
    Eu sempre achei que a transgressão quando é inteligente, feita com humor, e não é “javarda” é muito saudável.
    O problema está na boçalidade, essa é que a mim me choca. Eu nunca fui um aluna modelo, antes pelo contrário. Mas não entrava numa sala, com a aula já a decorrer, sem pedir licença e dizer boa tarde ou bom dia. Eu não arrotava alto e bom som e ria como se tivesse feito uma grande proeza. Eu não dizia a uma professora que me pedisse para me afastar da sala de aula ( estando eu no exterior aos berros) vá apanhar na C…. Eu não diria a um professor que me pedisse para apanhar o pacote de sumo que acabei de mandar ao chão vá-se f….. Eu não responderia a um professor que me perguntasse porque demorei tanto, que estive a C….Eu não destruía à patada as papeleiras novinhas que a escola acabou de colocar…etc,etc,. Para muitos isto não é violência, para mim é. Isto já aconteceu na minha escola, que não é considerada problemática, não tem abandono escolar e tem muito bons resultados na avaliação externa. Os professores alvo, não tinham telhados de vidro, nem estavam em “aulas livres”. Participaram as ocorrências e a escola agiu dentro das suas competências e com os meios ao seu dispôr. Acontece que são tão poucos!!!

    PS. Desculpe os termos, mas tive que ser directa… já só me falta fazer um desenho para tentar explicar que a coisa hoje não é fácil.

  32. 32 32  Alexandre Mano

    A minha opinião inicial sobre o incidente - se interessar a alguém - está aqui.
    Sinceramente, está-se a fazer um barulho incomensuravelmente maior do que este incidente merece. O tratamento dado ao problema faz parecer que a indisciplina é o maior dos problemas que a escola enfrenta em Portugal. Não é, nem de longe. Antes pelo contrário, a cena que teve estes protagonistas, elevados a heróis pop, como diz o Daniel, não é sequer frequente, muito menos comum, na imensa maioria das nossas escolas. E nos sítios onde for, não é esta retórica vazia, mas planos concretos de acção que podem minorar o problema. Este show-off do Procurador Geral da República, agora ajudado pelo Presidente, vai no sentido contrário. Não é necessário nem sequer eficiente atacar este problema com generalidades ou medidas avulsas – porque cada caso é um caso e cada escola tem o meio-ambiente, diverso e complexo, que não se transforma por decreto nem só com palavreado.
    Falando deste caso concreto, deixem-me também picar um bocado – há por todo o lado muita intolerância. A miúda teve uma atitude reprovável (e que mereceu justa punição), mas nada do outro mundo. Todos os incidentes que acontecem dentro de um grupo socialmente estável, como uma turma, têm um contexto. No caso, um contexto psicológico, social, familiar e escolar. Estarmos aqui a ditar sentenças para os alunos do 9ºC sem conhecer este contexto é irrelevante, e até, se me permitem, um pouco leviano. A escola tratou e resolveu o caso, a meu ver, muito bem. Deu-lhe a importância devida, aplicou as medidas necessárias tanto para punir como para reintegrar os alunos que estiveram em falta. E esta parte – a reintegração – é sumamente importante, porque é de adolescentes que estamos a falar. Infelizmente, este pequeno mas fulcral aspecto tem sido deixado de lado.
    E, já agora, a tentativa um bocado mal-amanhada de ligar este episódio ao Estatuto do Aluno só pode ter duas fontes. A primeira, oportunismo político; a segunda, falta de sentido de realidade. O Estatuto merece muito mais debate do que o Ministério da Educação lhe dedicou, mas sejamos sérios – não há pontos de contacto entre as atitudes irreflectidas de um grupo de alunos e a legislação emergente.

  33. 33 33  Levy

    Esse efeito colateral não me espanta.
    E as réplicas também não: hoje tive dois alunos que se recusaram a entregar a caderneta escolar, onde iria um recado para os encarregados de educação. Lá foram mais 10 minutos de aula até que a situação se resolvesse.
    No lado de fora da porta, no pátio, 2 alunos divertiam-se a passear uma cobra morta e grintado aos 4 ventos que “queremos ser suspensos!” Espero que lhes tenham feito a vontade.

  34. 34 34  João José Fernandes Simões

    Vocês continuam a discutir “telemobeis” e a cena marada da aluna a professora…

    Entretanto, nada se bloga por aqui sobre os bêbedos que andam por aí a conduzir e a atropelar miúdos que estão a atravessar a rua ou simplesmente a conversar em cima do passeio.

    De repente, parece que anda tudo com os copos a conduzir.
    Até o ilustre filho do não menos ilustre do “quantos são, quantos são”, só faltando este último, já agora…

  35. 35 35  Alexandre

    Daniel,

    Até ter abordado este assunto como abordou, eu gostava imenso de o ler.

    Uma vez que o leio há anos de fio a pavio (e acompanhou as suas intervenções televisivas) e que tenho acompanhada todas as suas intervenções sobre a violência escolar, peço-lhe que me responda ao longo mail que lhe escrevo.

    O Daniel está entrincheirado ideologicamente nesta questão e não consegue ter lucidez na matéria.

    Está sempre mortinho por descredibilizar a professora, está sempre a veicular links e textos contra a autoridade dos professores, está sempre a repetir inanidades como:

    - os adolescentes são difíceis;

    -o procurador devia era preocupar-se como casino (ecos de pedro sales num argumento intelectualmente bem desonesto);

    - a autoridade é conquistada e não imposta (ecos ou origem de ecos de ana drago e joana amaral dias).

    Dispensa meia linha para reprovar a aluna e centenas delas para dizer que nada de anormal se passa, que tudo já passava no seu tempo, e que os que reclamam autoridade são saudosos da velha senhora.

    Votei sempre bloco (CDU nas autárquicas) mas não posso ficar cego porque este ser um tema mais caro à direita do que à esquerda. Não posso ficar cego. Sem paternalismos, permita-me: pense pela sua cabeça e dispensa as etiquetas. Isto é de direita, não posso defendê-lo. Usemos apenas a razão.

    HOJE A ESCOLA É MAIS VIOLENTA DO QUE NO SEU TEMPO. As pessoas masturbam-se, partem narizes aos colegas (tirania do mais forte), riscam carros, os próprios pais ameaçam fisicamente professores. Fale com os professores, ouça o PGR dizer que todos os dias recebe dezenas de faxes de agressões na escola?

    Deveremos assistir a isto impávidos e serenos? Devemos assistir a isto falando apenas do capitalismo selvagem como agora vi a joana amaral dias falar na rtp1? Caramba! Daniel, vamos reduzir tudo a epifenómenos do capitalismo selvagem, das causas sociais e da exclusão?

    Daniel, há violência nas escolas dos betinhos também.

    Daniel, todo o seu discurso é de que a adolescência é difícil, de que a professora teve mal, que antigamente era pior… Apenas descreve, apenas justifica. Não propõe nada para mudar.

    Não o inquieta 185 agressões físicas?!!! E isto multiplique por 10 ou 20 porque os professores não se queixam! Não o inquieta que entrem armados aos 11 anos nas aulas?

    E o Daniel diz apenas que há professores que se sabem impor e outros não, e que a adolescência é uma idade difícil?

    Então, para si tudo está bem?

    Não vê que o estatuto do aluno como diz, por exemplo, Daniel Sampaio e Lobo Antunes, entre muitíssimos outros, favorece a ditadura do aluno?

    A autoridade também é reforçada com leis, com a valorização do professor, com a participação dos crimes.

    Não lhe ocorre que se praticamente todos os professores se queixam do mesmo, é porque algo está mal nisto tudo?

    O Daniel foi trucidado no Eixo do Mal.

    O Júdice e o Luís Pedro perceberam a coisa mais básica do mundo: o PGR quer acabar com a impunidade das escolas. Apenas pediu que fossem comunicados os ilícitos criminais, NOTE BEM: CRIMINAIS, passados na escola à procuradoria. E o Daniel ataca-o? Puxe bem pela cabeça: quer espaços de impunidade? Se fosse um assunto caro à esquerda como: na tropa espancam-se pessoas, o Daniel gostava que houvesse impunidade? Que isso não fosse comunicado à procuradoria? Que os agressores passassem impunes, tendo os quartéis

  36. 36 36  Alexandre

    autonomia?

    Não é apenas uma questão de professores que não impõem a autoridade. Como bem lhe disse a Clara Ferreira Alves, não temos profissionais exclusivamente de excelência em nenhuma área profissional… Então o que o Daniel diz aos professores que levam pancada é:

    - Não te sabes impor, sofre as consequências.

    Já viu a tremenda violência disto?

    Faça um paralelismo mental com outra profissão qualquer.

    Daniel, não transforme mais a vítima em culpada quanto à professora e não esteja sempre a falar deste caso quando diz que não quer que as pessoas generalizem a partir deste caso. Seja coerente!

    Daniel, as coisas mudaram, os alunos sentem a atmosfera mais permissiva e são mais violentos.

    Não nos limitemos a explicações, temos de imaginar medidas. O que propõe já que fala tanto sobre o assunto?

    P.S. Esta onda de defender a aluna, justificando o mundo-à-luz-de-Rosseau, chegou ao ponto de um psicólogo na televisão falar no telemóvel como «um prolongamento do próprio corpo.» MALDITA PROFESSORA!

  37. 37 37  Stran

    Também não é necessário cair no exagero. Já critiquei bastante a rapariga (no meu blog e em comentários) mas julgo que toda esta polémica está a ser exagerada. E como tudo em Portugal nada de substancial se faz.
    A meu ver o Procurador agiu bem, mas o castigo imposto foi desnecessário e não irá produzir nenhum efeito. A aluna embora punida não tem de enfrentar o problema nem encarar de frente de novo a professora. É uma verdadeira fuga para a frente, sem nada acontecer.

    Julgo que se começa a cometer o erro do “no meu tempo é que era bom”. Não julgo que era melhor ou pior, apenas diferente. E a grande diferença é que se calhar tinhamos melhores pais do que somos actualmente.

    Agora o que realmente gostei de ver neste caso todo foi:

    - a forma como o revivalismo por um salazarismo é posto a coberto (existem afinal muitas pessoas frustadas com o 25 de Abril, que se calaram durante estes anos todos e agora veêm uma oportunidade em cada caso para dizer o que sempre pensaram). A esses a unica coisa que peço é que se calem, já que não tiveram coragem para lutar no momento certo continuem a fazer o que sempre fizeram no passado - estar calados - e não acrescentem ruido desnecessário à discussão.

    - existe actualmente uma nova especie de Tuga: o especialista. Neste caso sou como o D.O. ou seja treinador de bancada e assumo-o. Aliás qualquer um de nós o é, senão não estaria a perder tempo aqui a comentar e estaria a trabalhar nesse campo. Tal não significa que não possa ter opinião ou ser assertivo. Dito isto, falemos então dos especialistas. Actualmente já existem especialistas com 30 anos (de vida e não de carreira)?!? Pior, porque é que existe um fascinio por termos anglo-saxonico? Será que por acabar num desses termos ganham mais respeito? E o que é um Especialista de Bullying? Alguém que em criança atormentava os outros e por tal ganhou experiência no tema?

    - Mas o melhor é sem dúvida o facto de em Portugal é sempre de quem não é foco de discussão: se estivermos a falar dos alunos, então o problema é dos professores, se for dos professores então é da escola, se é das escola então é do governo (aliás é este o raciocinio que leva a que nenhum governo presta porque afinal a culpa de tudo é sempre do governo e do estado).

    Para o final gostava de saber uma coisa: Porque é que para psicologos e psiquiatras nuna ninguém tem culpa?

  38. 38 38  Maria

    Que a professora deveria ter sido muito clara na imposiçao e discussao das regras dentro das aulas e isso desde a primeira aula e uma evidencia.
    Que a aluna em questao e demais colegas deveriam ter ficado na escola cumprindo serviço comunitarios pedindo desculpas a todos teria demonstrado que o interesse real em diciplinar indisciplinados e verdadeiro.Que a escola ja deveria ter explicado
    -e bem-as razoes do silenciamento das queixas apresentadas pela professora aquando dos disturbios
    e que nunca o tenha feito parece-me inexplicavel.

    Quanto a televisao e aos televisionados.
    Pois ja se sabe que quase toda a gente quer ter os seus 5 minutos de fama e a televisao quer ter os seus 5o anos de mais proveitos.Para isso e preciso ter noticias bem quentinhas.
    Foi e ainda e o caso.

  39. 39 39  Daniel Oliveira

    Alexandre, guardo uma resposta mais longa para quando tiver mais tempo. Deixo uma opinião que não lhe vai agradar: as queixas dos professores são legitimas e aliás sempre existiram, mais ou menos, conforme os momentos. Mas há um novo fenómeno (para além da adolescência ser hoje diferente, mas sempre foi complicada, e isso é uma evidência, não é uma inanidade: os adolscentes são e sempre foram crueis): não houve apenas uma massificação dos alunos que frequentam o ensino, houve também uma massificação dos professores. Com a degradação social da imagem do professor, há muitas pessoas que vão dar aulas sem qualquer vontade ou vocação. Os problemas tendem a agudizar-se. Basta ouvir as conversas de alguns professores (não todos e provavelmente não são a maioria) para perceber que há imensos professores que detestam os alunos e detestam dar aulas.

    De resto, claro que fui trucidado no programa. É-se sempre quando se tenta dizer coisas normais (para ir com calma que o Mundo não está a acabar) no meio da histeria.

    Quer saber o que acontece se o caso da escola do porto for tratado pela justiça: a professora não ganha porque não há rigorosamente nada naquele episódio que a permita ganhar. E sabe porquê? Porque a lei não dá uma autoridade especial ao professor. O que é grave naquele episódio é a aluna comportar-se como se estivesse em pé de igualdade com um professor. Como se a professora que está a tentar tirar-lhe o telemóvel fosse uma colega dela. Só que para a lei é igual a ela (os professores não têm o mesmo estatuto que um polícia, por exemplo). Ou seja: se se aplicar a lei normal à disciplina escolar retira-se autoridade ao professor, que não resulta da lei mas das regras de uma escola. É por isso um disparate o PGR envolver-se nisto porque retira autoridade às escolas e aos professores, inicia processos muito mais lentos que um processo disciplinar e com muito mais garantias para os estudante (as mesmas que são dadas a qualquer adulto) e tem o efeito exactamente oposto ao pretendido. Mas claro que dizer esta coisa óbvia no meia da histeria é quase impossível.

    Alice N, eu nunca defendi a aluna e sempre critiquei a sua postura. Não analiso o seu comportamento ao mesmo nível que analiso o da professora, o do ministério, o das televisões. Porque isso seria dar-lhe a autoridade que todos nós achamos que ela não tem nem deve ter. Quem manda na sala de aulas é o professor. Se, ao olhar para cada acontecimento, resolvermos por em pé de igualdade professores e alunos estamos a negar isto mesmo. Estamos a fazer o contrário do que queremos. O discurso de vitimização dos professores em relação aos alunos, que tenho visto e lido, apesar de compreensível, tem o efeito horrível de explicar aos alunos que os professores têm medo deles. Todo este debate foi péssimo para a autoridade dos professores.

  40. 40 40  Stran

    Caro Daniel,

    “É por isso um disparate o PGR envolver-se nisto…”

    Julgo que disparate é pedir que o PGR não cumpra a sua função. Este caso é o crime publico portanto ele tem de agir.

    Se alguma coisa está mal é a lei e aí é dominio da assembleia.

    Não compreendo como alguém que tantas vezes pede justiça, agora quer que o PGR feche os olhos e não cumpra os seus deveres.

  41. 41 41  Daniel Oliveira

    «Este caso é o crime publico portanto ele tem de agir.»

    Diga-me lá exactamente onde é que está o crime público, depreendendo que houve sequer algum crime.

  42. 42 42  Primo de Amarante

    Há uma questão que me cria perplexidade: por que será que já ninguém se interroga sobre o significado da expressão: «àquele indivíduo faltou-lhe escola».

    Talvez uma reflexão sobre essa expressão nos ajudasse a compreender a crise da escola. Crise que é cíclica e tem a ver com a crise de valores da sociedade. È que, queiramos ou não, há valores perenes, como, por exemplo, o do dever de respeitar os outros, etc. E isso aprende-se!

  43. 43 43  Stran

    Agressão ou tentativa de agressão a um professor do ensino público é um crime publico (pelo menos foi o que percebi das notícias) vou confirmar o artº e já volto.

  44. 44 44  Primo de Amarante

    Desculpem este desabafo:

    Fui professor durante 36 anos. Sempre considerei os alunos como companheiros de uma mesma viagem (a que era proporcionada pelo percurso do programa da disciplina).

    Tenho amigos em muitos alunos e fui professor do Albino (que, hoje, é o presidente da CONFAP) no magistério primário, como se chamava em tempos. Ele já foi (significativamente) professor, mas, agora, é empresário. Terei de fazer a minha autocrítica: neste caso, fui péssimo professor. Não ensinei o que ele deveria saber.

    Fui autor de 1º manual escolar depois do 25 de Abril e se me perguntassem que profissão gostaria de ter, responderia “ser professor”.

    Nos últimos anos da minha carreira, senti que era para mim um pesadelo estar na escola. Os pais (que por lá andavam, em nome da sua associação) tinham uma interessante retórica que escondia uma única preocupação: as notas dos seus filhos. Todos diziam que os seus filhos gostavam de entrar em m$dicina. Nada se interessavam com a função social da escola.

    Os directórios do Ministério cada vez eram mais ocupados por colegas que vinham de assessorias de autarcas, como é o caso da Directora Regional do Norte, e nenhuma experiência tinham do que se passava na escola. Para mostrar serviço, ocupavam o seu tempo enviando directivas para as escolas, burocratizando o trabalho dos professores, com normas sem interesse e por vezes de difícil compreensão.

    Percebi, a seguir, que para os conselhos directivos, inspecções, etc. só iam os professores que não gostavam de dar aulas, tal era o “inferno” da burocracia.

    Acabei por sentir que estava a mais no sistema. Senti a minha aposentação como quem ficou sem alguma coisa que fazia parte de si. um passarinho com as asas paritidas!

    Para ocupar o tempo, lamento-me no blog que arrisco fazer (pouco percebo das questões da cibernética) em
    http://www.margemesquerdatribunalivre.blogspot.com/

    A satisfação que tenho é óbvia: as minhas filhas não seguiram a profissão do Pai.

    As escolas não serão iguais em todos os sítios, mas o sistema de ensino, dominado por pais (com o vicio dos políticos)e por políticos incompetentes é, hoje, um desastre, acreditem!

  45. 45 45  Stran

    Aqui vai a resposta com os artº:

    Artº145-Ofensa à integridade fisica qualificada
    Prevê o que é uma ofensa à integridadefisica qualifica e remete para o artº 132 nº2.

    Neste ultimo artigo (132 nº2) na sua alinea L) determina expressamente docentes.

    Ou seja uma ofensa à integridade fisica de um docente é qualificada e como tal é um crime público.

    Por exemplo o sumário de um acordão diz o seguinte:
    “O crime de ofensas à integridade física agravados pelo resultado é um crime autónomo em relação ao crime de ofensas à integridade física simples pelo que o exercício da acção penal não está dependente de queixa.” 2002

    Agora falando no caso em concreto:
    Existe indicios que estamos perante um caso de ofensa à integridade física. –» Como o objecto dessa ofensa era uma docente então passa a ser uma ofensa qualificada e não simples. –» Ao ser qualificada passa a ser crime público. –» Ao ser Publico o PGR é forçado a agir como ele agiu.

    Portanto continuo a afirmar o que disse anteriormente:
    “Julgo que disparate é pedir que o PGR não cumpra a sua função. Este caso é o [de] crime publico portanto ele tem de agir”

    Pode não fazer sentido para si, mas a porta para reclamar é a da Assembleia e não a do PGR!

    P.S. A existência ou não de um crime compete a um juiz e não a mim como é obvio.

  46. 46 46  Fahrenheit

    Isto é apenas um sintoma do pimbismo nacional,de um país atrasado,que nao descola,um país kitsh.

  47. 47 47  Daniel Oliveira

    Stran: olhe para as imagens e esqueça quem é a professora e quem é a aluna: qual delas é culpada de “Ofensa à integridade física qualificada”? Percebe? É que não se reparou que em todo vídeo não há de facto nenhuma agressão e dificilmente pode dizer que houve uma tentativa de agressão. Houve duas pessoas a puxar por um telemóvel. Estou a falar do ponto de vista criminal, apenas.

  48. 48 48  Stran

    Bem isso vai competir ao juiz (uma vez que foi apresentada queixa), mas nada invalida a acção do PGR.

    No entanto julgo que deu um exemplo não aplicável. Não existe um relação de duas pessoas iguais. Se quiser dar um exemplo imagine o de um policia e um infractor.

    O que me quer dizer é que nesse caso o infractor pode fazer o que esta aluna fez e ainda que o PGR não deve fazer nada e que ainda por cima é uma simples situação de duas pessoas a “puxar” por algo.

    A sala de aula não é uma anarquia. Existem relações de poder. O professor tem o dever de garantir condições minimas da aula, foi o que tentou fazer (de uma forma feliz ou infeliz), a aluna caso não concordasse com a decisão apresentava queixa como qualquer um de nós e não tentava fazer “justiça” por mãos próprias.

    Se ver o video com atenção verificará que há um momento em que o telemóvel está na posse da professora e é a aluna que decide forçar fisicamente a retirada do objecto (ou também defende que estamos perante um caso de PhoneJacking?).

    Várias questões podem ser levantadas, mas quem agiu da pior forma foi a aluna e não o professor. Aliás confiscação de coisas até a aula terminar não é novidade. Não existe ali nada fora do normal por parte do professor, da parte da aluna sim (chegou ao ponto de não permitir que a professora saisse da aula).

    Julgo que é impressionante o atestado de incompetência que faz à aluna. Ela não é uma pobrezinha que não consegue raciocinar. Com a idade que tem já sabe distinguir o que é uma actitude correcta de uma actitude incorrecta, e portanto neste caso tinha tido a possibilidade de agir de forma diversa.

    Voltando ao assunto do PGR, ele teria sempre de abrir o processo, por mais que não goste, pois existem indicios de crime publico (senão não estariamos a ter esta discussão).
    A aluna estava a destabilizar a aula, não respeitou fisicamente uma pessoa e ainda o crime é da professora?!? Está tudo doido!

    A professora agiu bem? Julgo que sim. Senão vejamos:
    1-É preferivel expulsar uma aluna da sala de aulas ou retirar a possibilidade de continuar a pertubar a aula?
    2-Perante aquela actitude a professora deveria largar o telemovel? Se a resposta é sim então a professora perderia qualquer controlo da turma e pior esta situação nunca teria chegado a ser conhecido, aqueles alunos ainda hoje seriam visto como “anjinhos”.

    E é isso que eu não comprendo na sua opinião, Julga que a actitude da aluna foi normal?

    P.S. - Julgo também que foi insano o desfecho deste caso. A aluna nunca deveria ter sido expulsa daquela escola (existem situações bem mais graves).

  49. 49 49  Stran

    “Os pais (que por lá andavam, em nome da sua associação) tinham uma interessante retórica que escondia uma única preocupação: as notas dos seus filhos.”

    Este é a meu ver o caso mais preocupante nas escolas actualmente.

    Tenho pena que atacando tão ferozmente os professores o Daniel ainda não tenha tido uma chamada de atenção para este facto que cria desigualdade entre pessoas. É que por um aluno ser beneficiado outro sairá de certeza prejudicado e como julgava que defendia, também neste caso os beneficiados são quem estam no topo da sociedade e os prejudicados que está por baixo.

    É um caso de injustiça gritante com consequências brutais e ninguém sequer liga a isso. Parece que não é “mediaticamente correcto” falar desta situação.

  50. 50 50  Luís Marvão

    Alexandre Mano,

    Convém não exagerar, na explicação do comportamento humano através dos contextos…Não podemos estar sempre a diluir o comportamento individual no contexto; é um dogmas que enformam, e muito, as ciências socais (evidentemente que se formos aos pensadores clássicos, para dar o exemplo da sociologia, isso já não é bem assim; mas, nos dias de hoje, a tecnocracia e a especialização têm destas coisas).
    Sobre o Estatuto do Aluno, acha que tal documento é viável? Que aquele discurso e aquelas disposições técnico- jurídicas (onde cabem autos e recursos hierárquicos) vão de encontro ao tempo da escola? Embora obviamente não tenha sido a causa do incidente no Carolina Michaelis, julgo que este estatuto é parte do problema, ou seja, da forma como o Ministério vem de há muito minando a autoridade dos professores.

    Afinidades electivas todos temos. É normal que a discussão tenha as marcas das ideologia ou dos valores que professamos. Para o Daniel, “a autoridade conquista-se”, ele raramente (ou nunca) fala dos meios necessários ao exercício da autoridade (talvez para ele isto rime com autoritarismo, por força do espectro ideológico). Mas se “a autoridade conquista-se”, então desembocamos na crítica ao docente que “não se deu ao respeito”, que muito perpassa pelos textos do Daniel. A mim, parece-me uma forma cómoda de enquadrar ideologicamente o acto de indisciplina ou violência (aqui, a escolha das palavras também não é inocente); que remete toda a autoridade que não emane das qualidade do actor individual (neste caso, o professor) para o campo do autoritarismo; logo, os que defendem ser necessário mais qualquer coisa, além do carisma e de outros traços individuais, acabam na companhia dos saudosos do tempo da outra senhora (refiro-me à questão da autoridade)
    Eu também me situo à esquerda (aliás, sempre votei em forças situadas à esquerda do nosso partido socialista), mas neste campo sinto haver mais bom senso à direita; pelo menos, nalguma direita; não naquela que tudo resume ao discurso do privado e da autonomia (embora eu ache que a nossa escola pública careça, como de água para boca, desta última).
    Por tudo isso, também eu partilho das angústias que perpassam pelos comentários do Alexandre (não confundir, sem ofensa, com o Alexandre Mano).

  51. 51 51  Minhoto

    “É que não se reparou que em todo vídeo não há de facto nenhuma agressão e dificilmente pode dizer que houve uma tentativa de agressão. Houve duas pessoas a puxar por um telemóvel. Estou a falar do ponto de vista criminal, apenas.” ó Daniel Oliveira permita-me a sugestão de deixar isso para os tribunais esclarecerem! Esse tempo da justiça de Salomão já lá vai!

  52. 52 52  Maria

    Na verdade o comportamento da aluna foi reprovavel.Mas tudo naquela situaçao foi reprovavel.
    Nao posso discutir sobre decisoes que impliquem a intervençao da justiçao porque o meu conhecimento
    juridico e practicamente inexistente.
    Mas independentemente daquilo que a justiça considera ou nao materia para regular, este episodio revelou que muito existe para trazer a luz.
    Vi muitas intervençoes na televisao e li muito em jornais, muito do que li e ouvi parece-me excessivo e parece-me tambem excessivo o uso do video que continua a passar ate a exaustao.Agora que a materia obriga ao aprofundamento da discussao de regras e ao encontro de pais e professores disso nao me parece que haja duvida

  53. 53 53  Alexandre Mano

    Luís Marvão,
    Vou tentar ser sucinto.
    Começando pelo fim, deixemos as esquerdas e direitas de lado, porque não têm nada a ver com o caso.
    O Estatuto do Aluno tem pontos bons, menos bons e maus. Não foi suficientemente cuidado nem discutido, e por isso mesmo já foi metido na gaveta até melhor oportunidade. Mas também não rigorosamente nada a ver com o incidente.
    Quanto aos contextos, estou convencido que não haverá ninguém melhor colocado para analisar o comportamento daqueles adolescentes do que os professores que com eles estão todos os dias, que os vêem nos corredores, que eventualmente já estavam com eles no ano passado e nos anteriores e que, se calhar, até conhecem os pais. Assim, dou grande valor ao tratamento que a escola deu ao caso e as conclusões a que chegou. Não me atreveria a desafiar o seu julgamento do incidente. Era aqui que queria chegar ao falar do contexto social do episódio. Nada mais.

  54. 54 54  Alexandre

    Obrigado pela resposta, Daniel. A questão do PGR é mais abrangente do que essa. É a erradicação de oásis de impunidade. Acha bem que se passem em ilícitos criminais na escola (de casos dez mais graves do que estes) e as escolas não os participem?

    Daniel, se falar com os professores, entenderá que eles quando têm vergonha de participar ilícitos até à própria escola porque serão considerados como pessoas que - na linha so seu raciocínio - não souberam «impôr a autoridade»? Entenderá também que as escolas, por uma questão de imagem pública, os esconderão também.

    Claro que para os prevericadores este clima é esplêndido.

    Outra coisa que gostaria de o ver opinar: a avaliação dos professores alicerçada no sucesso escolar dos alunos e na avaliação dos pais (que tenderão a premiar os que derem melhores notas aos filhos) é muito perniciosa, cria climas de facilitismo.

    Concorda ou não que os conselhos directivos sejam obrigados a participar os ilícitos criminais à procuradoria? Agradeço que não parta deste caso particular para generalizar, até porque está sempre a pedir para não se generalizar a partir deste caso.

  55. 55 55  Alexandre

    Ouvi na Regra do Jogo que:

    - ano passado houve 185 agressões a alunos;

    - 147 agressões a funcionários:

    - 1092 a alunos.

    Tudo isto é ultra-subestimado porque pouquíssimas vítimas na escola se queixam.

    Daniel, olhe pelo menos para os dados dos alunos fortes que batem nos fracos (com elevado grau de violência!). Sabe que daqui advêem mazelas físicas e psicológicas (estas feridas profundas para o resto da vida?).

    O Bloco é - e bem - o principal opositor das praxes. Nas praxes, cometem-se ilícitos criminais. Não acha que um aluno que espanque outro porque é negro ou caixa-de-óculos deva ser chamado á Justiça?

  56. 56 56  Alexandre

    Outra coisa que ouvi na Regra do Jogo:

    - O Estatuto do Aluno faz do aluno um soberano.

    António Barreto

    - O Estatuto do Aluno diz que um miúdo de doze anos participa na gestão da escola e escolhe os professores.

  57. 57 57  Daniel Oliveira

    Mas onde é que eu disse que um aluno que espanca seja quem for não deve ser alvo de procedimento disciplinar ou criminal? Seja o agredido branco, negro ou às bolinhas cor-de-rosa. Está a discutir o quê, daquilo que eu disse?

  58. 58 58  Daniel Oliveira

    Alexandre, já me pronunciei sobre isso. Mais do que uma vez.

  59. 59 59  Alexandre

    Estou a discutir o facto de criticar o PGR quando este solicitou que os conselhos directivos comunicassem os delitos criminais à procuradoria.

  60. 60 60  L. R.

    Bos SRA LOURA ,é só para informar que o meu
    comentário é em relação ao SRE Daniel,não estou
    co disposição de responder a”inquéritos”…nem a
    alimentar polémicas da treta com Louras!OK? L.R.

  1. 1 Carolina Michaelis « Palermice de Bacalhau

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