mas.JPG

Ferreira Fernandes acha que, para falar do 11 de Setembro, mais não podemos fazer do que condenar. Sem “mas”, diz ele. E sem “depois”, percebe-se. «Ontem foi 11 de Setembro. Ponto.» É tudo o que se pode dizer. Só que não houve o 11 de Setembro e ponto. Aconteceram muitas coisas depois e Ferreira Fernandes esteve na fila da frente a aplaudir. Compreende-se que os acrescentos a esta história o incomodem. Não podia ter corrido pior.

Porque quando vieram as vírgulas e as reticências Ferreira Fernandes não achou que não se podia falar do 11 de Setembro. O 11 de Setembro servia para defender a ocupação do Iraque. Servia para limitar as liberdades civis. Servia para ganhar eleições. Servia para justificar a mentira. Não era «Ontem foi 11 de Setembro. Ponto.» Nem ponto, nem parágrafo.

Só os idiotas não usam “mas”, “ainda”, “depois” e “antes”. Foi por falta de vocabulário mais exigente que se chegou ao Iraque, ao Patriotic Act e à justificação da tortura. Por isso, Ferreira Fernandes terá de se conformar. Já toda a gente só pensa pensa no “mas” e ainda mais no “e agora?”. Porque os seus bilhetes postais e o “ou connosco ou contra nós” de George Bush não chegam para explicar o Mundo.

E, na verdade, nem Ferreira Fernandes dispensou “mas” nenhum. A mentira das armas de destruição em massa, mas… A guerra civil no Iraque, mas… A mentira de Aznar a 11 de Março, mas… Abu Ghraib, mas… Guantanamo, mas… O problema dele não é o “mas”. É não poder decidir em que lugar desta história pode pôr um ponto final.


Sem respostas ao post “”  

  1. 1 1  Carlos G. Pinto

    O “mas” pertence ao 12 de Setembro.

    [Responder]

  2. 2 2  Pedro Sá

    Que exagero. O 11 de Setembro justifica o Afeganistão. Mas nada mais que isso.

    [Responder]

  3. 3 3  nuno

    não vês que o FF é um émulo do Bushismo mais empedernido. por isso define três campos, e um deles, leia-se, é o lugar mais estúpido do mundo.
    E eu a julgar que esse lugar era Portugal, e que FFernandes servia como principal contributo para que assim seja.

    [Responder]

  4. 4 4  Justicialista

    Certamente MAS e por isto: a pretexto do 11 de Setembro já se causaram mais vítimas do que as que ocorreram nesse dia. Mas como para esses idiotas nem todas as vidas têm o mesmo valor, não são lembradas nem eles querem que sejam lembradas.

    [Responder]

  5. 5 5  MigPT

    Este post lembra-me aquele lindo cartaz do bloco, onde vocês escreviam, eles mentem eles perdem, com a foto do Aznar a cores e as restantes a preto e branco, na prespectiva de a cada eleição mostrar cada um dos restantes a cores. Contudo a história dá muitas voltas e o tiro saiu-vos pela culatra. Nenhum dos restantes perdeu nada e Aznar perde não por causa da mentira, mas sim porque os terrosristas conseguiram o seu objectivo, condicionar atraves do medo.

    [Responder]

  6. 6 6  Fado Alexandrino

    Desculpe.
    Para uma pessoa inteligente leu o texto a correr.
    Em nenhum momento Ferreira Fernandes fala do futuro.
    Fala sempre do passado e como ele foi legitimado para um acto cobarde de assassínio.
    Custa-me a crer que o senhor seja depto deste “mas”.

    [Responder]

  7. 7 7  Daniel Oliveira

    Pois não. Mas como é evidente, é disso que ele está a falar. Porque ninguém falou do passado e muita gente falou do futuro. Por isso eu escrevi: «Sem “mas”, diz ele. E sem “depois”, percebe-se.»

    [Responder]

  8. 8 8  Bang Bang

    O Ferreira Fernandes, apesar de ser um tipo inteligente, enganou-se redondamente nesta guerra do Iraque. E convenhamos que reconhecer o erro não é uma coisa fácil.
    Por isso, é perfeitamente compreensivel que ele agora se agarre a tudo para mitigar a imagem de idiota que lhe ficou colada desde então.

    [Responder]

  9. 9 9  Lidador

    Enquanto o Dr Miguel Portas se acocora frente ao Hezbollah e babuja as caquécticas fraseologias marxistas da “resistência”, dos “povos oprimidos” e outras palermices que o século XX enterrou na vala comum da História, e o Daniel Oliveira se passeia em Gaza em solidariedade com terroristas encartados, os islamistas riem e sabem que o seu objetivo está a ser atingido.
    Não é por acaso que Bin Laden aparece nos últimos discursos a brabdir as bandeiras da esquerda tonta, desde a globalização ao “global warming”, passando, como é lógico pelo ódio à América, o Alfa e o òmega de tudo o que de “mau” acontece no universo.
    O esquerdismo, porque assente num notório cretinismo ideológico, é u bom campo de recrutamento..consta que os convertidos alemães acabados de prender quando se preparava para se juntar à caravana dos mártires, eram fellow travelers da extrema-esquerda.

    [Responder]

  10. 10 10  Euroliberal

    Sejamos pragmáticos. O EUA e o seu mini-me sionista andam há 60 anos a matar inpunemente árabes, abusando da sua (por enquanto) superior força militar. Como uma resposta convencional é impossível ou inadequada (não têm forças aéreas para bombardear solo americano, por exemplo) a resposta tem de ser assimétrica, através de uma entidade não estatal e clandestina, que pode golpear sem expor os estados árabes. Estes, quase todos ditaduras fantoches dos EUA, mas com populaçóes profundamente anti-americanas, declararáo a sua oposição ao “terrorismo”, embora na “rua” o apoio a Bin Laden seja total (mas pouco ostensivo). Quando se tem menos força, não se é impedido de continuar a luta e de retaliar. Só que os métodos terão que ser outros: é a guerra assimétrica (ou “terrorismo” para os terroristas do “terror e espanto”).

    Quanto à eficácia: a guerra assimétrica, ao contrario da convencional, não se ganha matando mais inimigos do que este. O número de baixas é irrelevante, desde que o moral das populações seja férreo. É o caso… O que conta é o ganhar os hearts and minds, e nesse campo, os mercenários bushistas são uns incompetentes. Caiem facilmente na artmnadilha: quanto mais matam, pensando aterrorizar e paralisar de medo a resistencia, mais esta vê engrossar as suas fileiras. Enquanto para a rua árabe as baixas não desmoralizam, antes galvanizam, para os cruzados mesmo um número de baixas relativamente baixo (4.000 no Iraque, mais uns vinte mil estropiados) já é insuportável para a opiniáo pública. Porque os mercenários também náo ganharam os hearts and minds at home….

    Assim, a resistência, com forças muito inferiores às ocupantes e com meios financeiros ridiculos desgasta mais o inimigo do que é desgastada e por isso vence. Os americanos não querem mais perdas em sangue e dinheiro (a guerra já vai no trilião de dólares, contando todos os custos futuros).

    E a resistência islâmica vence porque o seu projecto era racional, eficaz e realizável. O de Bush é que não…Tal como no Vietname, que perdeu 2 milhões de homens (os americanos apenas 60.000 soldados) mas ganhou a guerra ! Nesse sentido, o 11 de Setembro tem cumprido a sua missao, enfraquecer os EUA e preparar a libertacao dos territorios ocupados.

    [Responder]

  11. 11 11  Fado Alexandrino

    Eu gosto de factos e não me ponho a tentar descobrir o que é que o jornalista queria escrever tendo escrito o que escreveu..
    Ferreira Fernandes escreve “alguns começaram a pôr os corninhos de fora e deixando cair: “Os americanos estavam a pedi-las…”
    Esta posição ideológica é muito comum, diria mesmo, é obrigatória entre a esquerda radical.
    Quero acreditar, tenho mesmo a certeza, que Daniel Oliveira é uma pessoa civilizada e não apoia este tipo de raciocínio troglodita.
    No entanto, gostava de o ver escrever isso mesmo.

    [Responder]

  12. 12 12  J

    Cada vez que os atentados de 11 de Setembro de 2001 são abordados é frequente ver-se as opiniões a tomarem dois campos: um deles defende que os atentados justificam erros como a invasão do Iraque e as torturas verificadas em Abu Ghraib e Guantanamo, isto para não falar das restrições colocadas às liberdades individuais; o outro afirma que embora os atentados tenham vitimado pessoas inocentes, foram apenas uma consequência da política externa dos EUA e ficam a apenas uma linha de os considerar como “merecidos”…até vi quem lhe chamasse algo do género “o grito dos pobres”.

    Mais uma vez, quem é capaz de separar a politiquice e a ideologia de um acontecimento que vitimou 3000 pessoas inocentes fica um pouco de lado nestas discussões. Não, não defendi a invasão do Iraque, não, não considero a utilização da prisão da Guantanamo como aceitável por parte de um país como os EUA, não, não concordo com a linha algo paranóica que a administração Bush impôs aos nacionais do seu país. MAS destruir dois arranha-céus com pessoas lá dentro e desencadear uma crise mundial porque se acha que “a América é malvada” (independentemente de quem está no comando do país) não tem lugar na nossa civilização, tenho dito.

    [Responder]

  13. 13 13  Daniel Oliveira

    Lidador, estive em Gaza em solidariedade com o povo de Gaza e pode ver no filme que fiz com quem reuni. E tive imenso gosto em lá estar e espero vir a estar de novo mal seja possível. Sou amigo da Palestina. Posso?

    Fado, dê-me lá uma citação de ontem (o texto falava das reacções de ontem) em que isso esteja presente. Se é tão comum e se FF deu por elas não deve ser difícil.

    [Responder]

  14. 14 14  marieta

    o FF é tal o dalai lama, um tarola, que tamém foi aos EUA dizer que ainda era cedo pa se dizer se a invasão do Iraque seria ou não um erro

    que é no que dão tais pacifistas da treta!

    [Responder]

  15. 15 15  Lidador

    [estive em Gaza em solidariedade com o povo de Gaza]

    Claro que sim…a “solidariedade com os povos” tem costas largas como o caraças.
    Não chega é para todos os “povos”.
    No seu caso, por exemplo, tanta “solidariedade” doa ao povo do Hamas, que não lhe sobra nada para o outro povo aí ao lado e muito menos para o povo “bushista”.

    Está no seu direito? Claro que está, mas ficar-lhe-ia bem assumir, tal como o “Euroliberal” (que, a menos que ande aqui de propósito a caricaturar o típico islamista) a má-fé, deixando de a travestir em roupagens moralistas.
    E junte-se, por coerência à “caravana dos mártires”.
    Bin Laden tem falado para pessoas como o DO.
    Alguns rsultados tem obtido, diga-se em abono da verdade…

    [Responder]

  16. 16 16  Fado Alexandrino

    Ferreira Fernandes é claríssimo, e mais claro ainda se tornou depois da intervenção do euro-liberal.
    Ele condena aqueles que num primeiro momento estiveram ao lado dos habitantes de New York, e em seguida acharam melhor pensar se aquele bárbaro ataque não podia ser desculpado pelas malfeitorias que os americanos fazem em todo o mundo.
    Com um pouquinho de boa vontade era mesmo um pagamento por terem derrubado Hitler.
    Ele é lá coisa que se faça derrubar um ditador!
    Agora duas coisas.
    Ou o senhor não vê isto ou não o quer ver.
    Tem a palavra.

    [Responder]

  17. 17 17  Samuel

    As pessoas, normalmente, compram o jornal para ler bons textos, escritos por bons jornalistas, MAS… de vez em quando levam com o Ferreira Fernandes.

    [Responder]

  18. 18 18  Daniel Oliveira

    Lidador, não é «ao povo do Hamas». É ao povo de Gaza. Vá ver o filme e verá com quem me encontrei em Gaza e o que eles disseram. Empresários. Bem longe do Hamas, por sinal. E médicos a enlouquecer de dificuldades. Mas para si não é gente. São terroristas, não é?

    [Responder]

  19. 19 19  Ana Vidal

    Desculpem, mas estaremos todos loucos?? O que aconteceu no 11 de Setembro foi uma total aberração. O que se seguiu, no Iraque, é outra. E nenhuma aberração pode ser legitimada ou justificada, por nenhuma outra.
    Pode e deve fazer-se delas uma leitura antropológica para procurar causas, medir consequências e corrigir o que nos poderá levar a outras aberrações, mas jamais cair no perigoso erro de tentar dar-lhes uma face moral.
    Por isso não há mas, nem depois, nem antes. Todos estes actos têm que ser veementemente condenados, sem hesitações ou tibiezas, sob pena de nos sentirmos no direito de repeti-los.

    [Responder]

  20. 20 20  Sebastião Dias

    Ferreira Fernandes tem toda a razão quando diz que quando se fala do 11 de Setembro mais não podemos fazer do que condenar. Sem “mas”. Há realmente coisas que não têm qualquer justificação e o 11 de Setembro é uma delas.

    Daniel Oliveira acha que o 11 de Setembro é condenável mas…

    …mas, concluo eu, não faltam por aí gente dominada por um anti-americanismo primário, desfiando teorias da conspiração que concluem que, no fundo, são os americanos os responsáveis últimos dos ataques de 11 de Setembro. Já é um clássico.

    O ponto de vista do Daniel do 11 de Setembro e do «depois» é verdadeiramente espantosa.
    Parece que o «depois» justifica o 11 de Setembro. Um crime horrível tem sempre alguma justificação em função de outros crimes que poderão ser cometidos no futuro.

    Para a guerra preventiva não há mas nem meio mas. Para o terrorismo preventivo, especialmente quando levado a cabo em nome de Ala, há sempre lugar a indulgências por parte da esquerda.

    (ainda chegará o dia em que tais actos terroristas serão depudoradamente considerados pela esquerda como nobres actos de desobediência civil – se cometidos contra os americanos, claro)

    [Responder]

  21. 21 21  Lidador

    [ainda chegará o dia em que tais actos terroristas serão depudoradamente considerados pela esquerda como nobres actos de desobediência civil - se cometidos contra os americanos, claro)]

    Meu caro, esse dia não só chegou, como é a principal amálgama do nosso tempo.
    Basta ler a hipocrisia à solta nos blogues da esquerda.
    Basta ver o Partido “Respect”, no Parlamento inglês, onde um deputado da extrema-esquerda ( Galloway) foi eleito por uma plataforma islamo-comunista.
    Basta atentar nestas citações:

    “Estamos solidários com a Al-Qaeda e o que se passa no Iraque é uma perspectiva histórica da frente combatente anti-imperialista.“
    (Nadia Lioce, activista “altermundialista)

    “O Islão é a única força capaz de persuadir muita gente a voluntariar-se para ataques suicidas contra os EUA, pelo que apenas uma coligação de marxistas e islamistas pode destruir os EUA”
    Chacal (Ilich Ramirez Sanchez)

    Basta atentar na vassalagem que o Dr Miguel Portas foi há tempos prestar ao Hezbolah, e a vergonha de nas ruas da Europa, manifestantes de esquerda gritarem que “somos todos Hezbolah”.
    Basta ler o que Amir Taheri, um iraniano fugido dos aiatolas escreve: a “esquerda europeia encara os muçulmanos como os novos proletários do continente” e que a sua “ideologia se constrói hoje em torno de 3 temas; o ódio aos EUA, o ódio aos judeus (disfarçado de “anti-sionismo”) e a esperança de colapso do sistema económico mundial”

    Esta esquerda de “revolucionários sem causa”, órfã das utopias que degeneram em distopias sangrentas, está tão embriagada pela pulsão niilista, como os terroristas islâmicos.

    Bin Laden já o percebeu e é por isso que nos seus últimos discursos, lhes dá como rebuçados, os temas preferidos : globalização, capitalismo, “global warming”, etc.
    Há um vasto campo de recrutamento e estes esquerdistas tb podem faze estragos, como aconteceu no auge da guerra fria, no Japão, Alemanha, Itália, Portugal, etc.

    Basta dar-lhes um alvo…r dirigir-lhes o ódio.

    E, claro, contar com os idiotas úteis para justificar e “compreender”.

    [Responder]

  22. 22 22  Daniel Oliveira

    Lidador, quer que eu lhe traga para aqui umas citações dos seus amigos de extrema-direita?

    [Responder]

  23. 23 23  Sebastião Dias

    «Lidador, quer que eu lhe traga para aqui umas citações dos seus amigos de extrema-direita?»

    As afirmações da sua extrema esquerda já são por si só bastante assustadoras. Poupe-nos de tais citações, que com extremistas certamente que o mundo nunca andará para a frente.

    [Responder]

Leave a Reply