Ramos-Horta discursou hoje no Parlamento e fez o que se esperava: atacou a oposição ao governo. O presidente disse que os timorenses “não aprenderam nada com o passado”. Mais à frente, lamentou-se: “O nosso ego tem sido sempre demasiado grande”. Se ao dizer “nosso ego” Ramos-Horta estiver a utilizar o plural majestático (o que não me espantaria), só posso assinar por baixo. Se não, compreendo a angústia: há egos que aguentam outros pela vizinhança.
Por Daniel Oliveira 30 Ago 07 em Timor


“O Presidente da República analisou os factores que conduziram à independência e criticou a liderança que ocupou o poder nos primeiros cinco anos do Estado timorense, incluindo-se a ele próprio, enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros do I Governo e primeiro-ministro do II Governo Constitucional.”
Não é que se lê aqui um ataque à oposição ao Governo ?
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«O Presidente da República de Timor-Leste, José Ramos-Horta, afirmou hoje, no Parlamento Nacional do país, que os timorenses “não aprenderam nada com o passado”, tecendo depois duras críticas à Fretilin.»
Infelizmente, penso que o problema de Timor-Leste não é só um problema de governo, nem sequer político. É muito mais que isso.
Espero que se as coisas correrem ainda pior, que Portugal não se esqueça da sua responsabilidade.
“Espero que se as coisas correrem ainda pior, que Portugal não se esqueça da sua responsabilidade.”
Será isto um apelo à recolonização de Timor? Se há matéria onde Portugal tem sabido assumir as suas responsabilidades é precisamente Timor, agora não lhe cabe a si resolver os problemas dos outros países…
“Espero que se as coisas correrem ainda pior, que Portugal não se esqueça da sua responsabilidade.”
Será isto um apelo à recolonização de Timor? Se há matéria onde Portugal tem sabido assumir as suas responsabilidades é precisamente Timor, agora não lhe cabe a si resolver os problemas dos outros países…
Senhor JPD, precisamente pelo passado vergonhoso de Portugal em matéria de colonização é que tem especial responsabilidades.
Ou pensa que o simples apoio de Portugal à independência de Timor resolvia os problemas? Aliás o aproveitamento político da questão de Timor aquando do referendo (em plena campanha para as legislativas de 1999) foi também ele vergonhoso.
O apoio verdadeiro mostra-se nos momentos mais críticos, nomeadamente naqueles em que não há tanto espetáculo mediático.
Não digo que Portugal não esteja a apoiar Timor, mas é um facto incontornável que podia ajudar um pouco mais.
Por fim, deixo esta reflexão: será que Moçambique, Guiné-Bissau ou Timor-Leste são os países mais pobres do mundo, mesmo ainda mais pobres que o Niger, o Ruanda, o Uganda, ou o Togo, por acaso?
Todas as colonizações são más, mas houve algumas que ao menos deixaram alguma coisa (ou não exploraram tanto) nos países colonizados.
[Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_GDP_%28PPP%29_per_capita ]
Certas lideranças timorenses são patéticas e incoerentes,fazendo lembrar algumas cá do burgo.Nao é que Ramos Horta,quando estava no Governo e já em campanha para as presidenciais,fartou-se de elogiar a competencia de Mari Alkatiri á frente do Governo?Só disse a verdade,porque foi essa a marca do governo Fretilin,naquelas condiçoes:os dados do PNUD,do Banco Mundial,FMI e a observaçao “in loco” dos cooperantes e de muitos jornalistas portugueses,atestam bem essa realidade.Alkatiri era antipático,nao tinha carisma?Pode-se aceitar a critica,mas tinha uma equipa competente,letrada,que passou decadas no estrangeiro,que estudou,que se licenciou,enfim,quadros.
O que assistimos desde há um ano,foi a um golpe de estado constitucional e a uma farsa teleguiada pela Australia.
Caro justicialista…não acho que as atitudes paternalistas sejam benéficas para quem quer que seja. Claro que há laços especiais entre certos países que devem ser acarinhados e Portugal não pode, nem deve, esquecer isso.
Isso de estar a ver quais foram as colonizações boas e más não me parece que seja um debate util. Se virmos o estado actual dos países encontramos algumas ex colónias portuguesas em melhor posição que outros países e outras em pior. Não é por aí que se podem tirar grandes conclusões. Só é certo é que se algum país do mundo estiver à espera que seja o seu antigo colonizador a tirá-lo da miséria, nunca dela saírá.
E já agora, se pretende realmente aferir do verdadeiro nivel de desenvolvimento de um país aconselho-o a consultar o indice de desenvolvimento humano feito pelas nações unidas que além do PIB tem em conta outros factores importantes.