As ameaças de alguns líderes europeus à Irlanda são tão anti-democráticas como de costume: ou votam de outra forma e corrigem o “erro” ou desamparam a loja. Façam referendos em todos os países e suspeito que metade dos membros têm de sair da União. Querem ultrapassar a crise sigam o caminho democrático e claro: ou um Parlamento Constituinte ou um tratado que não seja, na realidade, constitucional.
Por Daniel Oliveira 16 Jun 08 em União Europeia


Se o não fosse da França ou da Alemanha para eles era realmente o fim do tratado.Mas um não da Irlanda é outra conversa.
-Que dirá Gordon Brown se Mugabe mandar repetir as eleições?
Mas é esse exactamente o caminho, ou vc quer amarrar alguns ao voto dos que nada querem?Convém ser coerente para não ser pasto das aves de rapina.
Quem quizer seguir os americanos, as igrejas fundamentalistas, faça o favor!
Os que se querem separar duma Europa capaz de reformular os equilibrios militaristas, estejam à vontade!
Podem perfeitamente seguir as escolas neo-conservadoras americanas e inglesas.
Vc também !!!
Não sou eu que desejo vê-lo no mesmo projecto em que acredito!
Ou acomodar-se à mais tosca igreja católica do continente. Nem o Papa é tão reccionário!
O que lamento é ver gente que se diz de esquerda (?) a atravessar tais desertos de ideias !!!
MFerrer
http://homem-ao-mar.blogspot.com
Assim está bem. O Daniel não se limita a dizer Não, propõe também uma alternativa. E uma alternativa que faz todo o sentido, diga-se.
É verdade, o não da frança e alemanha era tremendo e não se fazia nada sem elas, mas isso acontece sempre que um elemento é essencial quer pela sua força, dinamica, ou espaço geografico central que ocupa que é imenso e que não se pode contornar quer poltica quer economicamente, mas com elas pode se fazer tudo essa é uma verdade incontornavel.
Os defensdores do não dizem não, e isso basta-lhes mas não avançam com soluções ou razões para o estado politico da europa que não sejam de ordem economico social para o seu não, é essa a argumentação, não avançam com nenhuma ideia nova em relação a ciência politica de organização e conceito de estados, ou então preferem deixar ficar tudo na mesma, cada um falando para seu lado e sempre em negociações permanentes e nunca tendo uma voz definida, Diz-se falta de Democracia, esta é boa, as pessoas são as primeiras a alhear-se da politica e depois vem acusar de falta de democracia. Há referendos sobre regionalização, metade vai passear e o dever civico fica para as calendas, há referendo sobre o aborto igualmente, passa com os votos dos directamente interessados mais coisa menos coisa, ha eleiçoes europeias as abstenções são enormes,na irlanda também isso aconteceu, e depois queixam-se da falta de democracia e do empenho dos politicos como se estes quando fazem as negociaçoes, estas não tenham sido mais que publicitadas, comentadas nas tv´s, nos meios de comunicação social publicados os resultados etc. so lhes faltava fazer como nos hipers continente ou feira nova encher as caixas de correio para as pessoas não poder dizer que não são informadas.
É preciso não perceber nada do que se esta a passar na europa e para que direcção se aponta politicamente.
Ha aqui quem não veja mais nada na europa que não seja uma coisa economica e social, a europa é so isso, o modelo deles da europa é economico não polllitico o que muitos querem não é uma europa politica com uma constituição politica e orgãos politicos eleitos, mas uma constiuição economica da europa. Dai os medos dos liberalismos, neoliberalismo, etc etc etc. Em portugal pos 25 abril também tivemos uma constituição politica e economica esta foi sendo modificada conforme as conjunturas, mas a politica na sua base democrática pluralista e respeitadora da dignidade da pessoa humana não sofreu grandes alteraçoes.
Uma europa que começou a 6 passou a 12 tinha um aspecto geografico limitado e restringia-se a nivel de desenvolvimento e trocas comerciais e circulação de pessoas e bens. Com os consequentes alargamentos o espaço geografico continental europeu mais ou menos se foi preenchendo e isso passou a pesar e a exigir uma orientação politica.
Foram criados orgãos como parlamento, comissão, banco central, moeda etc. mas a todos estes orgãos falta-lhe uma organização politica de unicidade correspondente, por isso foi-se criando tratados mas não bastam tratados para definir uma união de estados, uma federação, é preciso um tratado fundador que crie uma organização politica e isso os europeus não querem ver, mas a perspectiva inversa eu penso que será bem mais problemática e sem grande futuro, só criará instabilidade, incerteza, e sabe-se la mais o que.
Como dizem os americanos gozando com o pagode europeu, se o presidente americano precisar falar com o presidente europeu para onde liga.
Há textos que eu gostava de ter escrito.
Não escrevi, paciência, subscrevo:
Estava na Alemanha quando os irlandeses disseram NÃO à Europa. Seria pleonástico insistir nas razões que determinaram esse desfecho. Conduzida pela extrema-direita e outros sectores conservadores da sociedade irlandesa, a campanha do NÃO privilegiou três espantalhos: o fim da neutralidade militar, a imposição do aborto e os casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Salvo o primeiro (uma possibilidade real), os outros são hipóteses virtuais. Seja como for, a Europa dos 27, ou seja, 490 milhões de pessoas, não pode ficar refém das idiossincrasias de 862 mil eleitores. Bem vistas as coisas, a culpa não é inteiramente dela. As cabecinhas que impuseram a obrigatoriedade da ratificação a 27, deviam ter pensado na eventualidade de percalços. Agora está feito. E seria um contra-senso manter o país como membro. A Irlanda deve ir à sua vidinha. Tão simples como isto.
Está aqui
http://daliteratura.blogspot.com/2008/06/o-no-irlands.html#links
Infelizmente o dono não autoriza comentários.
consta que o não da Irlanda afinal f… os planos todos do Barrosão e Bilderbergs… pois os ingleses já querem referendo e os franceses parece que tb…
Estes europeus dum raio gostam (e querem!)exprimir a sua opinião. Ora bolas! Entornou-se o caldo…
http://criticademusica.blogspot.com/
Não vejo o que é que têm de anti-democrático as sugestões (por ora não vamos além disto) no sentido de a Irlanda se auto-excluir da União Europeia. Foram os irlandeses que tomaram a decisão do “não” é a eles que cabe a responsabilidade de tirarem daí as ilações e estas só podem, logicamente, ir nesse sentido. Na verdade, se não concordam com o novo Tratado que os demais países da União aceitam (não discuto agora se a forma de ratificação é a mais adequada) parece lógico que a auto-exclusão é a solução a tomar. É que, além do mais e salvo o devido respeito, anti-democrático parece-me ser o querer que a opinião de umas centenas de milhares de irlandeses se imponha a centenas de milhões de europeus. Ubi commoda ibi incommoda, já diziam os romanos. Os irlandeses, por boas ou más razões (julgo que más) tomaram livremente a sua decisão e estavam e estão no seu direito, mas parece-me que já não é direito deles que a sua decisão tenha que ser imposta aos outros europeus.
De facto, é estranho que os governos não percebam que a sua indiferença pela vontade dos eleitores só pode originar uma revolta cada vez maior: a partir de agora é bem provável que qualquer consulta semelhante venha a ter sempre um resultado negativo.
Também é verdade que a crise institucional não se resolve facilmente. Alterar a unanimidade a 27 significaria que os Estados derrotados aceitavam abdicar antecipadamente de uma parte da sua soberania. (Em vez de abdicarem a posteriori, com o documento já formulado)
Há, é claro, uma terceira alternativa — a evolução por camadas, como ocorreu em Inglaterra ou em Veneza: aí, os orgãos acumulam-se sem nunca substituirem os anteriores, e trocam responsabilidades ao sabor dos séculos.
Nessa perspectiva, não haveria uma reforma global mas antes a criação paulatina de mais um ou outro órgão para acudir a problemas concretos. É um método que desperdiça imenso dinheiro, mas talvez seja o único.
A Europa como um grande estado soberano e uma potencia mundial cada vez parece mais sonho que realidade.Muitos dos cidadãos quer de direita ou de esquerda, por razões diferentes, parecem preferir que outros, se não a Europa, dominem os seus próprios países.
Ó Daniel Oliveira, o seu argumento é o de que se os outros países referendassem o tratado o resultado seria semelhante. Por isso mesmo não se devia fazer referendos excepto para casos como o do aborto que é facilmente perceptível para todos. Vejamos então o seguinte: o que acha que aconteceria se se fizesse referendos sobre outros temas tambem de certa complexidade? Sobre uma reforma da segurança social, que apesar de extrema importância implica obrigatóriamente perda de regalias? Sobre a importância do combate ao défice indispensável para deixarmos algo mais que não dividas aos nossos netos? Claro que votavam não a reformar a s.s. porque as reformas diminuem e tem de se trabalhar mais anos e não a controlar o défice porque tal significa mais impostos no curto prazo. Quando o poder politico tem medo de decidir, por motivos populistas esconde-se atrás do referendo.
Claro, claro. O tal Parlamento Constituinte, utopia sem qualquer exequibilidade (e perigoso indutor de quem quisesse retirar as independências aos Estados-membros) com a extrema-esquerda a querer impor por via europeia aquilo que nunca consegue pelo voto.
Os irlandeses não disseram Não à Europa. Disseram Não a estes termos. O Sinn Fein fez campanha pelo Não sob o lema “A better deal with Europe”, apostando numa renegociação de alguns dos pontos que causavam mais perturbação.
De certa forma é exactamente votar até dizerem Sim, mas com a nuance de terem que aparecer mais razões para dizer “Sim”.
(“Os irlandeses não disseram Não à Europa. Disseram Não a estes termos”)
O senhor esta cheio de razão, isto so la vai com cenourinhas a frente a acenar.
(“70 por cento dos irlandeses votou “não” por pensar que tratado podia ser facilmente renegociado
Cerca de 70 por cento dos irlandeses que votaram “não” no referendo ao Tratado de Lisboa acreditavam erradamente que o texto podia ser facilmente renegociado, noticia esta terça-feira o “Irish Independent”.
O jornal cita um estudo de opinião realizado pela Comissão Europeia junto de dois mil eleitores logo após o referendo de quinta-feira e cujos primeiros resultados foram hoje divulgados no Luxemburgo.
Segundo o estudo, mais de 70 por cento dos eleitores que votaram “não” acreditavam que o Tratado podia ser facilmente renegociado, uma percepção que é atribuída à experiência do Tratado de Nice, em que depois de um primeiro “chumbo” pelos irlandeses, em 2001, o tratado foi submetido a referendo em 2002 depois de introduzida uma garantia de neutralidade da Irlnda.
O estudo concluiu também que por cada jovem que votou “sim” dois votaram “não”, que “a grande maioria das mulheres” votou “não” e que “muitas pessoas” que não costumam votar nas eleições gerais votou no referendo.
Por outro lado, o estudo concluiu que os eleitores que não compreenderam o tratado votaram “não” e que o grande número de imigrantes no país foi um factor na decisão de votar ‘não’.
O Tratado Reformador da União Europeia, que visa melhorar o funcionamento da UE e reforçar o seu peso político no mundo, foi acordado em Lisboa a 19 de Outubro de 2007 e assinado, também na capital portuguesa, a 13 de Dezembro seguinte.”)
os “nossos democratas” estão a demonstrar que afinal não são muito mais democratas do que Mugabe! Afinal “supunhamos” ter eleito democratas e políticos que respeitam o primado da norma e quando os resultados não lhes convém, mostram a verdadeira face de pulhas que são. A europa vem sendo construída sem a participação dos europeus por gente que se coloca numa postura de representação das cidadãs e cidadãos mesmo para assuntos que não eram parte dos programas com que foram eleitos. Alguém alguma vez por via do voto, por ex em Portugal, lhes conferiu mandato para aprovar no parlamento um tratado, constitucional, como que agora o eleitorado irlandês chumbou? São afinal uma grande chusma de farsantes. O que fizerem para resolver esta questão, tenham a consciência, em função do respeito ou não do soberano, o eleitor, acabará de vez com o crédito que lhes resta e ou aumenta-lo-á, a escolha é deles, as decisões e movimentações futuras e consequentes serão nossas. Quem avis amigo é!
“Seja como for, a Europa dos 27, ou seja, 490 milhões de pessoas, não pode ficar refém das idiossincrasias de 862 mil eleitores.”
Olha lá a estupidez… Até parece que os 490 milhões votaram em algum referendo!
Quem ficou refém do Não da Irlanda foram os eurocratas que agora têm de dizer aos patrões que vai demorar mais uns tempos (poucos) até desbaratarem os poucos direitos sociais que nos restam.
nta conversa barata, tantos “democratas”, parecem miudos, donos da bola, que a meio do jogo acham que têm o direito de mudar as regras conforme à sua conveniência. O Europeus não foram consultados e este é o primeiro problema. 0,00001 % dos europeus, governante e outros que tais associados, acharam que SIM em nome de todos sem terem colhido eleitoralmente essa competência e agora insurgem-se contra os que consultados negaram o tal tratado já defunto se entendida a recusa sob o primado da lei: todos os estados devem aprovar o tratado, não conhecemos outra noprma. O problema não se o que foi recusado era o melhor o mais adequado e blá blá blá. Até pode ser que seja o que devia ser aprovado, mas não foi e a democracia assenta no respeito da decisão do soberano, o cidadão eleitor. Subverter isto é um caminho perigoso, é o assassinato da democracia representativa pelos que, assim afinal cinicamente, a postulam como sendo a expressão da vontade do povo. Se não concordam com aquilo que o é a essência do estado de direito e da democracia, por favor, retirem-se da política, assim não se sentirão frustrados nem nos frustarão a nós. Não comecem é a levar as coisas por caminhos que convoquem a resistência legitima das cidadãs e cidadãos. Ou são represententaes da nossa vontade ou retirem-se, há mais quem nos queira servir, com licença, saiam do caminho ò senhores tiranos encapotados em representantes da vontade popular a que agora se opõem, saiam daí, não foi esse o papel em que vos investimos
afinal não têm moral para andar a dar lições ao Mugabe, respeitem a decisão e a norma estabelecida para aprovação do tal tratado, nada mais, se é boa ou má a escolha irlandesa, a unica que foi democratica, é outra questão, o problema agora é o respeito pela norma e nada mais, quem não a respeite não é nosso representante mas só de si mesmo e de outros seus iguais. Abaixooooooo