É um vício. Tão grande (quase) como o do cliché que a burguesia é burguesia para o bem do povo (estou a citar de cor o manifesto, sei que não é bem assim mas é quase), como o discurso do Ferro Rodrigues na Visão mostra (aquilo, mais interessante, que está além da crítica dele em relação à arrogância do JS)
Daniel, é a primeira vez que aqui comento, apesar de já ser visita do blogue há algumas semanas, já para não falar do Eixo, que sigo desde a 1a edição. Permita-me que o trate pelo nome, é que alguma familiaridade vai ficando,muito à custa de tanto o ver na tv.
Concordo que tenha havido uma quebra de promessa eleitoral. Sou, desde sempre, um grande defensor da instituição que é (ou devia ser) o instrumento referendo, na generalidade, claro está. Votei em todos e em todos votarei. Porém, neste caso, não concordo com o referendo. Entendo que se trata de uma matéria muito elaborada, que transcende uma simples ideia que se tenha, ou uma profunda convicção. Não por achar que as pessoas não têm capacidade para discernir sobre o assunto. Mas para votar neste referendo, seria necessário ler integralmente o documento. Eu ainda não li, nem sei mesmo se o irei ler a curto prazo (por acaso estou muito mais ansioso por ler a lei do tabaco na integra…). Acredita que a generalidade dos eleitores o irá ler? Claro que não, ainda que, admito, seria útil que o fizessem (mea culpa). Acredito no referendo como um instrumento de carácter abrangente, não só no assunto, mas no espectro de votantes e interessados. E temo que a haver um, para este assunto, a baixíssima participação que teria, poderia “matar” um já moribundo instrumento de consulta. Agora, não digam, como alguém disse já (não sei se o António Barreto) que não se faz o referendo pelo risco de um chumbo. E se alguém defende uma não realização de referendo nessa base, a meu ver, perde a razão. Se houvesse (ou houver) e até lá eu não tiver lido o documento, irei, certamente votar, mas coerentemente… em branco ou nulo
Talvez seja de mim, mas eu sempre compreendi essa promessa, como uma promessa ao Tratado Constitucional.
O DO, e outros, entendem que era uma promessa em relação a um Tratado, que por acaso era Constitucional.
Ora a justificação para se realizar um referendo, na altura, tinha, precisamente haver com o carácter Constitucional. Pelo passo que se pretendia dar em direcção ao federalismo.
Tem sido argumentado que o conteúdo do de Lisboa é idêntico ao do Constitucional. Mas isso é absolutamente irrelevante. Todos os Tratados foram uma consequência, quer na forma de actualização, expansão ou reforma, do Tratado anterior. Não é por aí. Se formos a ver, o Tratado de Lisboa não é meramente idêntico ao Constitucional, é uma evolução do Tratado anterior. A maior parte do conteúdo é apenas isso. Reformaram-se secções? Reordenou-se conteúdo? Muita coisa é igual (ou uma evolução do) ao Tratado anterior.
Por que é que eu acho que a promessa não se aplica ao Tratado de Lisboa? Porque este tratado não tem nada de Constitucional. O conteúdo é idêntico ao que se pretendia com o Constitucional? Mas o Constitucional tinha 10% (ou menos) de constitucional e 90% de conteúdo “prático”, que era evolução, actualização, expansão ou reforma do anterior. Ora esses 10%, é unânime, pelo menos na doutrina, dizer que foram eliminados. Esses 10% era uma carga, sobretudo simbólica, mas também algo mística, que, mais do que através do conteúdo, existia pelo nome.
Ora como o Nuno Rebelo disse num post anterior, é complicado fazer um referendo sobre o funcionamento de um Tratado. Seria mais fácil fazer um referendo sobre uma “ideia” para Europa; sobre se se queria avançar com algo semelhante a uma Constituição.
«Entendo que se trata de uma matéria muito elaborada, que transcende uma simples ideia que se tenha, ou uma profunda convicção. Não por achar que as pessoas não têm capacidade para discernir sobre o assunto. Mas para votar neste referendo, seria necessário ler integralmente o documento.»
Costumo dizer aos meus amigos meio a brincar meio a sério que quando acordo todos os dias de manhã é como se fosse a primeira vez, assim como para mim este goveno do JS já não me surpreende, pauta pela mentira descarada e pelo hipocrisia global, de facto nós já não mandamos naquilo que supostamente deveria ser nosso, os ditames agora resvalam de Bruxelas e dos seus acólitos pares globais, eles ditam nós cumprimos (nós o governo claro), este governo tem medo de quem, do povo, quero lá saber se li ou não li o tratado que já foi constituição, eu quero é por e dispor dos meu destino, basta caramba.
Não ficando inteiramente surpreendido com a decisão do 1º, ainda tinha uma réstea de esperança que convocasse o referendo, conforme tenho vindo a comentar. É que assim já sabemos o que nos espera até 2009: “qualificar os Portugueses”, “controlar o défice”, “simplificar a administração pública”, “controlar o défice”, “qualificar os Portugueses”…
Ainda esperava qualquer coisita de original, de inesperado, mas não, o homem deu tudo o que tinha para dar na Presidência da UE.
“(…) este Governo quer honrar os seus compromissos (…)Nenhuma razão política séria impede que o referendo sobre o Tratado Constitucional Europeu seja realizado …”
discurso da tomada de posse de José Sócrates como 1º ministro.
(acabei de ouvir uma vez mais – pela voz envergonhada de uma comentadora do ICS, no Fórum TSF – os mesmos argumentos ridículos a justificar a não convocação do referendo sobre um tratado que confirma, solidifica e blinda aas orientações neoliberais, militaristas e federalistas na União Europeia)
A desonestidade daqueles que recusam a decisão e responsabilidade dos portugueses não é apenas intelectual ou política, é simples e vulgar desonestidade.
Mas alguém esperava outra coisa, tendo em conta a estratégia que vinha a ser preparada nos últimos tempos, tal como se pode ver no Público e DN de dia 7 e 8? O objectivo era bem claro: fazer crer que o Primeiro-Ministo até era a favor do referendo ao Tratado, mas a pressão de Bruxelas e a oposição da Presidência da República não o deixaram…
Entre quebrar uma promessa aos seus eleitores ou quebrar uma promessa aos seus pares da União Europeia, Sócrates fez a sua escolha. E deve responsabilizar-se por ela.
É engraçado, porque a Lei orgânica do regime do referendo diz o seguinte, no seu artigo 10º:
“Poder de iniciativa
A iniciativa da proposta de referendo da Assembleia da República compete aos deputados, aos grupos
parlamentares, ao Governo ou a grupos de cidadãos eleitores.”
Grupos de cidadãos eleitores. Será que conseguimos? Onde andam os manueis alegres deste País (que o autêntico… desapareceu)? Será que Presidentes e Primeiros Ministros tinham a lata de negar o referendo, se este fosse proposto por grupo de cidadãos significativo? Pois é, nem sequer era preciso fazer uma revolução nem nada.
Não faltava mais nada!
A maralha, já não contente com o direito de pronunciar-se, de quatro em quatro ano sobre os “inteligentes” que os irão governar, ainda querem pronunciar-se sobre um Tratado que obviamente está feito para ser tratado por pessoas inteligentes. Como disse sobre o assunto um professor de Coimbra (não!… não é esse que estão a pensar… é um professor actual. O tempo não passa naquela Universidade…) a pergunta a fazer no referendo, não estaria ao alcance da fraca inteligência da maralha.
Eu penso, depois de ouvir e ler tão doutas opiniões sobre o discernimento do pessoal, se será prudente e avisado permitir que o pessoal continue a votar no generoso pacote de eleições em que o pode fazer (autárquicas, presidenciais e legislativas). Portanto a minha sugestão é que se passe ao voto vitalício. Passo a explicar: Cada cidadão tinha o direito de se pronunciar uma vez durante a sua vida através do voto, para cada uma das três eleições (democracia a quanto obrigas?) que fazem parte do pacote disponível. E depois, nas próximas eleições dá lugar a outros confusos votantes que estarão na sua vez de praticar o acto único de votar.
Espero que o senhor primeiro-ministro aproveite a sugestão: voto único, impostos múltiplos!
O que é que os defensores do referendo estão à espera para esclarecerem o público em geral deste referendo?
Ou são apologistas que numa decisão tão importante se decida sem o mínimo de informação?
Julgo que o JS está a conduzir muito mal esta questão, mas ainda não vi ninguém justificar com racionalidade que este tratado é identico ao anterior para afirmar que JS está a fugir a uma promessa. Assim como também o JS também deveria de ter justificado em que medida este tratado é diferente do anterior para assim poder justificar a sua tomada de decisão. Como sempre ambos os lados põem o carro à frente dos bois, mas isso é algo que já habitual pois isso é Portugal!
1º É patético o exercício que José Socrates tem vindo a fazer para justificar o injustificável. Não cumpriu mais uma promessa e ponto final.
2º Foi uma tremenda estupidez a promessa feita quanto ao referendo, já que todos sabemos que nunca seria vinculativo, além de ser ininteligível para 99,99% dos portugueses. É evidente que a AR é o local próprio para tratar este assunto. Vir dizer que era uma oportunidade de os portugueses se poderem pronunciar sobre a construção europeia é quase tão desonesto como foi a cambalhota dada por Socrates.
José Socrates deveria então cumprir a promessa? A minha resposta é: NIM.
V Canas afirmou que o referendo não deve ser convocado, porque constituiria uma pressão noutras países para a realização do mesmo podendo levar à rejeição do tratado.
Provavelmente não terá percebido o ridículo da afirmação. Desejo apenas que tenha tido um laivo de tristeza, ao pôr em causa o compromisso fundamental aproximar o povo das decisões políticas, alegadamente para ajudar a questões internas do Reino Unido.
Eu aceito que o tratado seja rectificado na AR, para não impedir a UE de avançar. No referendo sobre o tratado discutir-se-ia tudo, menos o próprio tratado! O tratado é o compromisso possível, dadas as diferenças inevitáveis entre os 27.
Mas defendo em simultâneo a realização de um referendo sobre a continuação de Portugal, ou não, na UE. Aí, sim, o povo decide o futuro e assume as consequências da sua decisão.
Penso que o mais terrivel desta situação, está no facto de já ninguém se espantar com quebras de promessas. No entanto, gostava de propor uma outra forma de reflectir sobre isto. Se é evidente que a entrada na “Europa” implicou uma certa quebra de soberania, ela introduziu novas exigências no modo de comunicar (pressionar) entre cidadãos e estruturas de poder. É hoje muito mais difícil a qualquer sector, fazer sentir o seu peso na adopção de políticas globais, muitas delas pura e simplesmente tomadas a nível europeu. Este problema, assume uma dimensão particularmente dramática em regiões deprimidas, em acelerado despovoamento, onde directivas europeias têm dificultado, já não digo o relançamento económico, mas pelo menos a permanência de formas elementares de sobrevivência económica. Perante isto, parece justificar-se que se pensem formas de gestão (local e nacional) menos de acordo com os princípios da democracia representativa (muito dominados pelos maiores partidos) e mais de acordo com o que vulgarmente chamamos de democracia directa. A nível local, a reduzida dimensão de muitas localidades, facilitaria a tarefa. A nível nacional, a introdução na Constituição da obrigatoriedade de referendar directivas europeias (a exemplo da Irlanda), podia ser uma ajuda. Fica o tema para reflexão.
O que nasce torto tarde ou nunca se endireita!
Já a forma como foi conduzida a adesão pelo sr. dr. Mário Soares é totalmente contrária às opiniões que o mesmo manifesta sobre a participação democrática dos cidadãos na vida do país. Olha para o que eu digo e não para o que eu faço. O mesmo se passou com a opção pela moeda única. Esta Europa que tentam fazer crer que é nossa, sempre desde o início foi só deles. Porque é que haveria de ser diferente com José Sócrates? Promessas leva-as o vento, e com ele é sempre dia de ventania. Já faltou a tantas que mais uma não tem importância para o curriculum. Além do mais, tem sempre quem o justifique, mesmo os mais inesperados, como Manuel cada vez menos Alegre, com aquela história do “ele queria, tinha vontade, eles é que não deixaram”. Patético!
É um vício. Tão grande (quase) como o do cliché que a burguesia é burguesia para o bem do povo (estou a citar de cor o manifesto, sei que não é bem assim mas é quase), como o discurso do Ferro Rodrigues na Visão mostra (aquilo, mais interessante, que está além da crítica dele em relação à arrogância do JS)
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Daniel, é a primeira vez que aqui comento, apesar de já ser visita do blogue há algumas semanas, já para não falar do Eixo, que sigo desde a 1a edição. Permita-me que o trate pelo nome, é que alguma familiaridade vai ficando,muito à custa de tanto o ver na tv.
Concordo que tenha havido uma quebra de promessa eleitoral. Sou, desde sempre, um grande defensor da instituição que é (ou devia ser) o instrumento referendo, na generalidade, claro está. Votei em todos e em todos votarei. Porém, neste caso, não concordo com o referendo. Entendo que se trata de uma matéria muito elaborada, que transcende uma simples ideia que se tenha, ou uma profunda convicção. Não por achar que as pessoas não têm capacidade para discernir sobre o assunto. Mas para votar neste referendo, seria necessário ler integralmente o documento. Eu ainda não li, nem sei mesmo se o irei ler a curto prazo (por acaso estou muito mais ansioso por ler a lei do tabaco na integra…). Acredita que a generalidade dos eleitores o irá ler? Claro que não, ainda que, admito, seria útil que o fizessem (mea culpa). Acredito no referendo como um instrumento de carácter abrangente, não só no assunto, mas no espectro de votantes e interessados. E temo que a haver um, para este assunto, a baixíssima participação que teria, poderia “matar” um já moribundo instrumento de consulta. Agora, não digam, como alguém disse já (não sei se o António Barreto) que não se faz o referendo pelo risco de um chumbo. E se alguém defende uma não realização de referendo nessa base, a meu ver, perde a razão. Se houvesse (ou houver) e até lá eu não tiver lido o documento, irei, certamente votar, mas coerentemente… em branco ou nulo
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Talvez seja de mim, mas eu sempre compreendi essa promessa, como uma promessa ao Tratado Constitucional.
O DO, e outros, entendem que era uma promessa em relação a um Tratado, que por acaso era Constitucional.
Ora a justificação para se realizar um referendo, na altura, tinha, precisamente haver com o carácter Constitucional. Pelo passo que se pretendia dar em direcção ao federalismo.
Tem sido argumentado que o conteúdo do de Lisboa é idêntico ao do Constitucional. Mas isso é absolutamente irrelevante. Todos os Tratados foram uma consequência, quer na forma de actualização, expansão ou reforma, do Tratado anterior. Não é por aí. Se formos a ver, o Tratado de Lisboa não é meramente idêntico ao Constitucional, é uma evolução do Tratado anterior. A maior parte do conteúdo é apenas isso. Reformaram-se secções? Reordenou-se conteúdo? Muita coisa é igual (ou uma evolução do) ao Tratado anterior.
Por que é que eu acho que a promessa não se aplica ao Tratado de Lisboa? Porque este tratado não tem nada de Constitucional. O conteúdo é idêntico ao que se pretendia com o Constitucional? Mas o Constitucional tinha 10% (ou menos) de constitucional e 90% de conteúdo “prático”, que era evolução, actualização, expansão ou reforma do anterior. Ora esses 10%, é unânime, pelo menos na doutrina, dizer que foram eliminados. Esses 10% era uma carga, sobretudo simbólica, mas também algo mística, que, mais do que através do conteúdo, existia pelo nome.
Ora como o Nuno Rebelo disse num post anterior, é complicado fazer um referendo sobre o funcionamento de um Tratado. Seria mais fácil fazer um referendo sobre uma “ideia” para Europa; sobre se se queria avançar com algo semelhante a uma Constituição.
«Entendo que se trata de uma matéria muito elaborada, que transcende uma simples ideia que se tenha, ou uma profunda convicção. Não por achar que as pessoas não têm capacidade para discernir sobre o assunto. Mas para votar neste referendo, seria necessário ler integralmente o documento.»
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Costumo dizer aos meus amigos meio a brincar meio a sério que quando acordo todos os dias de manhã é como se fosse a primeira vez, assim como para mim este goveno do JS já não me surpreende, pauta pela mentira descarada e pelo hipocrisia global, de facto nós já não mandamos naquilo que supostamente deveria ser nosso, os ditames agora resvalam de Bruxelas e dos seus acólitos pares globais, eles ditam nós cumprimos (nós o governo claro), este governo tem medo de quem, do povo, quero lá saber se li ou não li o tratado que já foi constituição, eu quero é por e dispor dos meu destino, basta caramba.
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Não ficando inteiramente surpreendido com a decisão do 1º, ainda tinha uma réstea de esperança que convocasse o referendo, conforme tenho vindo a comentar. É que assim já sabemos o que nos espera até 2009: “qualificar os Portugueses”, “controlar o défice”, “simplificar a administração pública”, “controlar o défice”, “qualificar os Portugueses”…
Ainda esperava qualquer coisita de original, de inesperado, mas não, o homem deu tudo o que tinha para dar na Presidência da UE.
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“(…) este Governo quer honrar os seus compromissos (…)Nenhuma razão política séria impede que o referendo sobre o Tratado Constitucional Europeu seja realizado …”
discurso da tomada de posse de José Sócrates como 1º ministro.
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(acabei de ouvir uma vez mais – pela voz envergonhada de uma comentadora do ICS, no Fórum TSF – os mesmos argumentos ridículos a justificar a não convocação do referendo sobre um tratado que confirma, solidifica e blinda aas orientações neoliberais, militaristas e federalistas na União Europeia)
A desonestidade daqueles que recusam a decisão e responsabilidade dos portugueses não é apenas intelectual ou política, é simples e vulgar desonestidade.
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Mas alguém esperava outra coisa, tendo em conta a estratégia que vinha a ser preparada nos últimos tempos, tal como se pode ver no Público e DN de dia 7 e 8? O objectivo era bem claro: fazer crer que o Primeiro-Ministo até era a favor do referendo ao Tratado, mas a pressão de Bruxelas e a oposição da Presidência da República não o deixaram…
Entre quebrar uma promessa aos seus eleitores ou quebrar uma promessa aos seus pares da União Europeia, Sócrates fez a sua escolha. E deve responsabilizar-se por ela.
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É engraçado, porque a Lei orgânica do regime do referendo diz o seguinte, no seu artigo 10º:
“Poder de iniciativa
A iniciativa da proposta de referendo da Assembleia da República compete aos deputados, aos grupos
parlamentares, ao Governo ou a grupos de cidadãos eleitores.”
Grupos de cidadãos eleitores. Será que conseguimos? Onde andam os manueis alegres deste País (que o autêntico… desapareceu)? Será que Presidentes e Primeiros Ministros tinham a lata de negar o referendo, se este fosse proposto por grupo de cidadãos significativo? Pois é, nem sequer era preciso fazer uma revolução nem nada.
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Este tipo (e sus muchachos) candidata-se a ser a pessoa mais odiada deste país…Bem, pelo menos tem-se esforçado e excedido todas as expectativas..
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Não faltava mais nada!
A maralha, já não contente com o direito de pronunciar-se, de quatro em quatro ano sobre os “inteligentes” que os irão governar, ainda querem pronunciar-se sobre um Tratado que obviamente está feito para ser tratado por pessoas inteligentes. Como disse sobre o assunto um professor de Coimbra (não!… não é esse que estão a pensar… é um professor actual. O tempo não passa naquela Universidade…) a pergunta a fazer no referendo, não estaria ao alcance da fraca inteligência da maralha.
Eu penso, depois de ouvir e ler tão doutas opiniões sobre o discernimento do pessoal, se será prudente e avisado permitir que o pessoal continue a votar no generoso pacote de eleições em que o pode fazer (autárquicas, presidenciais e legislativas). Portanto a minha sugestão é que se passe ao voto vitalício. Passo a explicar: Cada cidadão tinha o direito de se pronunciar uma vez durante a sua vida através do voto, para cada uma das três eleições (democracia a quanto obrigas?) que fazem parte do pacote disponível. E depois, nas próximas eleições dá lugar a outros confusos votantes que estarão na sua vez de praticar o acto único de votar.
Espero que o senhor primeiro-ministro aproveite a sugestão: voto único, impostos múltiplos!
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RATIFICAÇÃO PARLAMENTAR
“WHAT ELSE?”
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Caro Daniel,
O que é que os defensores do referendo estão à espera para esclarecerem o público em geral deste referendo?
Ou são apologistas que numa decisão tão importante se decida sem o mínimo de informação?
Julgo que o JS está a conduzir muito mal esta questão, mas ainda não vi ninguém justificar com racionalidade que este tratado é identico ao anterior para afirmar que JS está a fugir a uma promessa. Assim como também o JS também deveria de ter justificado em que medida este tratado é diferente do anterior para assim poder justificar a sua tomada de decisão. Como sempre ambos os lados põem o carro à frente dos bois, mas isso é algo que já habitual pois isso é Portugal!
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1º É patético o exercício que José Socrates tem vindo a fazer para justificar o injustificável. Não cumpriu mais uma promessa e ponto final.
2º Foi uma tremenda estupidez a promessa feita quanto ao referendo, já que todos sabemos que nunca seria vinculativo, além de ser ininteligível para 99,99% dos portugueses. É evidente que a AR é o local próprio para tratar este assunto. Vir dizer que era uma oportunidade de os portugueses se poderem pronunciar sobre a construção europeia é quase tão desonesto como foi a cambalhota dada por Socrates.
José Socrates deveria então cumprir a promessa? A minha resposta é: NIM.
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Como muito diz, isto já é rotina. Critique-se o Sócrtes quando cumprir uma promessa. Tem mais impacto é, certamente será mais mediático.
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V Canas afirmou que o referendo não deve ser convocado, porque constituiria uma pressão noutras países para a realização do mesmo podendo levar à rejeição do tratado.
Provavelmente não terá percebido o ridículo da afirmação. Desejo apenas que tenha tido um laivo de tristeza, ao pôr em causa o compromisso fundamental aproximar o povo das decisões políticas, alegadamente para ajudar a questões internas do Reino Unido.
Eu aceito que o tratado seja rectificado na AR, para não impedir a UE de avançar. No referendo sobre o tratado discutir-se-ia tudo, menos o próprio tratado! O tratado é o compromisso possível, dadas as diferenças inevitáveis entre os 27.
Mas defendo em simultâneo a realização de um referendo sobre a continuação de Portugal, ou não, na UE. Aí, sim, o povo decide o futuro e assume as consequências da sua decisão.
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Já agora também podem voltar acima e reler o que escreveu Margarida Cardoso, e já agora comentar…
Mas é muito mais fácil pra todos nós vociferar, não é?
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Penso que o mais terrivel desta situação, está no facto de já ninguém se espantar com quebras de promessas. No entanto, gostava de propor uma outra forma de reflectir sobre isto. Se é evidente que a entrada na “Europa” implicou uma certa quebra de soberania, ela introduziu novas exigências no modo de comunicar (pressionar) entre cidadãos e estruturas de poder. É hoje muito mais difícil a qualquer sector, fazer sentir o seu peso na adopção de políticas globais, muitas delas pura e simplesmente tomadas a nível europeu. Este problema, assume uma dimensão particularmente dramática em regiões deprimidas, em acelerado despovoamento, onde directivas europeias têm dificultado, já não digo o relançamento económico, mas pelo menos a permanência de formas elementares de sobrevivência económica. Perante isto, parece justificar-se que se pensem formas de gestão (local e nacional) menos de acordo com os princípios da democracia representativa (muito dominados pelos maiores partidos) e mais de acordo com o que vulgarmente chamamos de democracia directa. A nível local, a reduzida dimensão de muitas localidades, facilitaria a tarefa. A nível nacional, a introdução na Constituição da obrigatoriedade de referendar directivas europeias (a exemplo da Irlanda), podia ser uma ajuda. Fica o tema para reflexão.
[Responder]
O que nasce torto tarde ou nunca se endireita!
Já a forma como foi conduzida a adesão pelo sr. dr. Mário Soares é totalmente contrária às opiniões que o mesmo manifesta sobre a participação democrática dos cidadãos na vida do país. Olha para o que eu digo e não para o que eu faço. O mesmo se passou com a opção pela moeda única. Esta Europa que tentam fazer crer que é nossa, sempre desde o início foi só deles. Porque é que haveria de ser diferente com José Sócrates? Promessas leva-as o vento, e com ele é sempre dia de ventania. Já faltou a tantas que mais uma não tem importância para o curriculum. Além do mais, tem sempre quem o justifique, mesmo os mais inesperados, como Manuel cada vez menos Alegre, com aquela história do “ele queria, tinha vontade, eles é que não deixaram”. Patético!
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