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Ao contrário do que se pensava à hora de fecho dos jornais, com quase um empate (51% para o não e 49% para o sim), Chávez perdeu o referendo à revisão constitucional. Chávez assumiu a derrota. Provam-se duas coisas: que a Venezuela não é uma ditadura e que os venezuelanos são sábios. Travaram Chávez onde era importante. Esperemos que ele perceba o recado dos eleitores e de muitos dos seus aliados que estiveram do lado do “não”. Sim, os venezuelanos querem uma vida melhor. Não, não querem mais um ditador.


Sem respostas ao post “Afinal, uma boa notícia”  

  1. 1 1  Costa Nunes

    Não é isso que diz o Público em manchete…

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  2. 2 2  Daniel Oliveira

    As sondagens davam a vitória a Chavez à hora de fecho dos jornais.

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  3. 3 3  Luis

    #

    Outro golpe de Estado patrocinado pela CIA?
    O dia D da Venezuela: Socialismo ou contra-revolução imperial
    por James Petras

    Manifestação pelo Sim. Em 26 de Novembro de 2007 o governo venezuelano divulgou um memorando confidencial da embaixada dos EUA para a CIA, o qual constitui uma revelação devastadora das operações clandestinas estado-unidenses a fim de influenciar o referendo deste domingo, 2 de Dezembro de 2007.

    O memorando enviado por um responsável da embaixada, Middleton Steere, era dirigiado ao chefe da CIA, Michael Hayden. O documento intitula-se ‘Avançando para a última fase da operação pinça’ (’Advancing to the Last Phase of Operation Pincer’) e coloca ao par da actividade de uma unidade da CIA com o acrónimo ‘HUMINT’ (Human Intelligence) que está empenhada em acções clandestinas para desestabilizar o referendo de domingo e coordenar a derrubada civil e militar do governo eleito de Chavez. A pesquisa de opinião da embaixada reconhece que 57% dos votantes aprovam as emendas constitucionais propostas por Chavez, mas também prevê uma abstenção de 60%.

    Os operacionais americanos enfatizaram a sua capacidade para recrutar antigos apoiantes de Chavez entre os sociais democratas (PODEMOS) e o ex-ministro da Defesa Baduel, afirmando ter reduzido o voto ’sim’ em 6% em relação à sua margem original. No entanto, os operacionais da Embaixada admitem que atingiram o seu teto, reconhecendo que não podem derrotar as emendas através da via eleitoral.

    O memorando recomenda portanto que a Operation Pincer (OP) seja operacionalizada. A OP envolve uma estratégia de duas vias de impedir o referendo, rejeitar o resultado e ao mesmo tempo apelar a um voto ‘não’. A campanha até o referendo inclui divulgar falsos inquéritos, atacar responsáveis eleitorais e divulgar propaganda através dos media privados acusando o governo de fraude e a apelar a um voto ‘não’. As contradições, o relatório enfatiza cinicamente, não importam.

    A CIA-Embaixada relata divisões internas e recriminações entre os oponentes das emendas, incluindo várias defecções do seu ‘grupo de cobertura’. As ameaças chave mais perigosas para a democracia destacadas pelo membo da Embaixada apontam para o seu êxito em mobilizar estudantes de universidades privadas (apoiados pelos seus administradores de topo) para atacar edifícios governamentais chave incluindo o Palácio Presidencial, o Supremo Tribunal e o Conselho Nacional Eleitoral. A Embaixada elogia especialmente o grupo ex-maoista ‘Bandeira Vermelha’ pela sua violenta actividade no combate de rua. Ironicamente, pequenas seitas trotsquistas e seus sindicalistas juntaram aos ex-maoistas na oposição às emendas constitucionais. A Embaixada, deixando de lado a sua ‘retórica marxista’, percebe que a oposição destes grupos ajusta-se à sua estratégia geral.

    O objectivo final da ‘Operation Pincer’ é ganhar uma base territorial ou institucional com o ‘apoio maciço’ da minoria eleitoral derrotada dentro de três ou quatro dias (antes ou após as eleições – não é claro, JP) respaldada por um levantamento de oficiais militares oposicionistas, principalmente na Guarda Nacional. Os operacionais da Embaixada admitem que os conspiradores militares incorreram em sérios problemas quando foram detectadas operações chave de inteligência, lojas de armas foram desactivadas e vários conspiradores estão sob vigilância apertada.

    Além do profundo envolvimento dos EUA, a organização da elite dos negócios venezuelanos (FEDECAMARAS), bem como todos os grandes meios privados de televisão, rádio e jornais têm-se empenhado numa campanha de medo e intimidação. Produtores de alimentos, distribuidores por grosso e a retalho criaram escassez artificial de alimentos básicos e provocaram fugas de capitais em grande escala para semear o caos na esperança de colher um voto ‘não’.

    Contra ataques do Presidente Chávez

    Num discurso aos meios de negócios nacionalistas favoráveis à emenda (Empresários por Venezuela – EMPREVEN), Chavez advertiu o presidente da FEDECAMARAS de que se continuasse a ameaçar o governo com um golpe ele nacionalizaria todos os negócios que lhe estão associados. Com a excepção dos trotsquistas e de outras seitas, a vasta maioria dos trabalhadores organizadores, camponeses, pequenos agricultores, conselho de moradores pobres, auto-empregados informais e estudantes de escolas públicas tem-se mobilizado e manifestado a favor das emendas constitucionais.

    A razão para esta maioria popular encontra-se em algumas das emendas. Um artigo acelera a expropriação da terra facilitando a re-distribuição aos sem terra e pequenos produtores. Chavez já assentou mais de 150 mil trabalhadores sem terra sobre 2 milhões de acres [809,4 mil hectares) de terra. Outra emenda proporciona cobertura universal de segurança social a todos o sector informal (vendedores de rua, trabalhadores domésticos, auto-empregados) que representa 40% da força de trabalho. A semana de trabalho de trabalhadores organizados e não organizados será reduzida de 40 para 36 horas semanais sem redução de pagamento. A admissão aberta e universal à educação superior abrirá maiores oportunidades educacionais a estudantes das classes mais baixas. Algumas emendas permitirão que o governo ultrapasse os actuais bloqueios burocráticos para a socialização de indústrias estratégicas, criando portanto maior emprego e reduzindo custos de serviços públicos. A mais importante é uma emenda que aumentará o poder e o orçamento de conselhos de moradores a fim de legislar e investir nas suas comunidades.

    O eleitorado que apoia as emendas constitucionais vai votar a favor dos seus interesses sócio-económicos e de classe; o problema da reeleição estendida do Presidente não é elevado nas suas prioridades. E esta é a questão que a direita tem enfatizado ao chamar Chavez de ‘ditador’ e o referendo de ‘golpe’.

    A oposição

    Com forte apoio financeiro da Embaixada Americana (US$8 milhões só em propaganda, segundo o memorando da Embaixada) e da elite dos negócios e o ‘tempo gratuito’ nos media da extrema direita, o reacção organizou a maior parte dos estudantes da alta classe média da universidades privadas, apoiados pela hierarquia da Igreja Católica, grandes porções dos bairros da classe média rica, sectores inteiros das camadas médias ligadas aos sectores comercial, imobliário e financeiro e aparentemente sectores dos militares, especialmente oficiais na Guarda Nacional. Enquanto a direita tem o controle sobre maior parte dos media privados, a televisão pública e a rádio apoiam as reformas constitucionais. Enquanto a direita tem os seus seguidores entre alguns generais e a Guarda Nacional, Chavez tem o apoio das tropas de paraquedistas e legiões de oficiais de escalões médios e a maioria dos outros generais.

    O resultado do Referendo de 2 de Dezembro é um acontecimento histórico decisivo, não só para a Venezuela como também para o restante das Américas. Um voto positivo (Vota ‘Sim’) proporcionará o quadro legal para a democratização do sistema político, a socialização de sectores económicos estratégicos, a delegação de poderes aos pobres e proporcionará a base para um sistema fabril auto-administrado. Um voto negativo (ou um levantamento civil-militar apoiado pelos EUA que tenha êxito) reverterá a mais prometedora experiência de autonomia popular, de bem estar social avançado e de socialismo com bases democráticas. Uma reversão, especialmente um resultado ditado pelos militares, conduzirá a um banho de sangue maciço, tal como os dos generais indonésios no golpe de 1966, que matou mais de um milhão de trabalhadores e camponeses, ou o golpe argentina de 1976, no qual mais de 30 mil argentino foram assassinados por generais apoiados pelos EUA.

    Um voto decisivo pelo ‘Sim’ não acabará com as campanhas de desestabilização militar e política dos EUA mas certamente minará e desmoralizará os seus colaboradores. Em 2 de Dezembro de 2007 os venezuelanos têm um encontro com a história.
    28/Novembro/2007
    O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=7470

    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
    # 6 marieta

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  4. 4 4  Luis

    1 DE DEZEMBRO DE 2007 – 16h52
    Saiba o que está em votação no referendo da Venezuela

    A reforma constitucional proposta pelo presidente venezuelano Hugo Chávez, cujo referendo está marcado para este domingo (2), expressa um projeto político e econômico que, se aprovado, trará mudanças profundas na Venezuela. Poderá haver novas formas de poder e propriedade – e uma estrutura que não é típica de modelos socialistas nem de democracias convencionais.

    A iniciativa de Chávez, aprovada pela Assembléia Nacional Parlamentar, propõe modificar 69 artigos da constituição separadamente, em dois blocos (A e B), sobre os quais cada um dos 16 milhões de eleitores venezuelanos poderá se pronunciar a favor ou contra.

    Ainda que o projeto não proponha a socialização dos bens de produção (que seria a característica básica de um modelo socialista “puro”), postula-se na reforma um novo poder constitucional – o poder popular -, através de “conselhos comunais” e organizações de base que terão atribuições de gestão e verbas para usar.

    A propriedade privada continuará garantida, mas surge a propriedade social ou comunitária, em vários formatos. Em sua “filosofia” geral, a reforma tenta levar o país a um modelo definido, em alguns parágrafos do documento, como “socialista”, e em outros, como “humanista”.

    A reeleição continuada do presidente é um dos pontos mais exaltados e polêmicos, nas declarações que descreditam a reforma. Já os pontos relativos à economia, se concretizados com a aprovação da reforma, podem iniciar um processo de grande transferência de recursos e bens no país (salvo os pessoais).

    Além das novas formas de propriedade (social e comunitária), a gestão de empresas por trabalhadores também teria suporte constitucional. As mudanças econômicas, aliás, são o principal alvo dos empresários venezuelanos, além de seu questionamento geral do governo chavista.

    Quanto ao poder popular, a reforma propõe instituir as “comunas”, “células sociais de território”, que poderão ser formadas por trabalhadores, estudantes, artesãos, mulheres, jovens, idosos. Seus poderes poderão ser autônomos, inclusive acima dos governadores e prefeitos atuais.

    As comunas de poder popular poderão erguer obras, criar empresas, explorar recursos, passando por cima de divisões políticas entre estados e municípios. Já a aprovação de suas composições e financiamentos seria reservada ao presidente da nação.

    A propriedade privada continua como agora – mas submetida à possibilidade de expropriação, em função de algum “interesse superior”, em cujo caso estarão previstas as indenizações a ser fixadas pela lei e pela justiça.

    A arquitetura econômica do modelo proposto por Chávez se completa com a proibição de monopólios e latifúndios, até agora somente desaconselhados pela Constituição sancionada em 1999. Já a política monetária fica reservada à presidência, acabando com a autonomia do Banco Central.

    Outras mudanças substanciais, ainda que não tão mencionadas nas informações conhecidas sobre o projeto, são a redução da jornada de trabalho (para seis horas) e a extensão do seguro social a trabalhadores informais (que, segundo o governo, somam 5 milhões na Venezuela).

    Universitários, na maioria de classes médias e altas, estiveram bastante ativos na oposição à reforma. Eles questionam o conjunto do projeto e não concordam com a proposta de que os trabalhadores não-formados estejam em pé de igualdade com a comunidade universitária (possuidora de nível superior de ensino).

    Além disso, segundo o projeto, as universidades continuarão sendo autônomas, mas deverão respeitar o preceito constitucional de “democracia participativa” – o que poderia abrir a possibilidade de processos de mudança.

    Já as ações reservadas ao presidente para possíveis estados de exceção e suspensão de direitos (para tais situações hipotéticas) estão entre os aspectos mais criticados da reforma. A suspensão de direitos envolve o da informação, o que motivou insistentes queixas da mídia burguesa local.

    Além disso, a declaração do estado de exceção – que poderia ser por motivos sociais ou econômicos, situações de catástrofe ou conflito com outros países – não fica submetida à aprovação do Superior Tribunal de Justiça, como está assegurado atualmente.

    Ansa Latina
    http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=29181

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  5. 5 5  isabel faria

    (Ups…de vez em quando escrevemos coisas parecidas…achas que é grave??? e pela hora do primeiro comentário, sou eu que escrevo coisas parecidas com as tuas…deve ser mesmo grave!!!LOL)

    (outro ( – os “Tópicos” continuam a entrar pela casa adentro. não dá para encolher os gajos?)

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  6. 6 6  António P.

    Bom dia Daniel,
    Vamos aguardar para ver o que provam estes resultados.
    As declarações de Chávez não indiciam nada de bom.
    Quanto à prova de que afinal a Venezuela é uma democracia eu diria que os mecanismos que Chávez pretendia destruir para que assim não fosse funcionaram, mas os caudilhos militares não se dão por vencidos facilmente.
    E eu diria, como o Daniel, que os ” venezuelanos querem uma vida melhor” e que essa vida melhor inclui a liberdade como algo concreto a juntar ao pão ( neste caso ao petróleo).
    Já agora para terminar elogio-lhe a sua capacidade de encaixe já que até pareceu que até hoje andou a fazer campanha pelo SIM.
    Cumprimentos

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  7. 7 7  bruno peixe

    Mas boa notícia para quem? Para o governo dos EUA e para o rei de Espanha? Para os ricos da Venezuela? Como o Daniel bem sabe, o que estava em jogo era a limitação de mandatos, mandatos esses que se obtêm pelo voto. Para quem toma a divisão ditadura/democracia como o horizonte último do julgamento político, como parece ser o seu caso, isso não é pouca diferença. Além de que as alterações constitucionais que foram a referendo não se resumem ao limite dos mandatos, como a direita e a sua imprensa quiseram fazer crer, para melhor poderem dar de Chávez o retrato de ditador e de caudilho.

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  8. 8 8  Sérgio A. Correia

    Já não há pachorra para aturar ditadores, ainda para mais quando põem no mesmo saco a Bília, o Marx e a Santa da Ladeira.

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  9. 9 9  fonseca

    Não consigo descortinar na sua posição sobre o processo na Venezuela, divergência com a da dos EUA,ou com os conservadores.A balela dos mandatos consecutivos(caso ganhe) é regra democrática na França,Alemanha,Inglaterra…
    Haver outras formas de posse da propriedade é necessário de modo a que a oligarquia perca poder.É só isto!Vª Excªs concerteza, é que não estão para isso e,só servem de buffer(tampão,em português que é tão feio para os lados da quinta da marinha..)às medidas do capital oligárquico.Serão mais um tool na engrenagem da exploração tipo Igreja universal,só que mais sofisticada,mas com o mesmo prpósito!

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  10. 10 10  Fernando Costa

    Tem razão o Daniel: a Venezuela não é uma ditadura. O Chavez é que é um ditador e por isso precisava do Sim. Mas lá chegará. A táctica passa agora por colocar os seus admiradores (envergonhados ou não) a mostrar que a sua derrota só prova a sua democraticidade. O Daniel já começou o trabalho

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  11. 11 11  o_cao_que_morde

    Ainda bem que a Venezuela não se tornou numa ditadura
    Mas o Hugo Chávez foi um Sr. quando assumiu a derrota, ganhou pontos na minha simpatia

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  12. 12 12  Henrique Morais

    Como nao podia deixar de ser, fico feliz com o resultado. Continuo a achar que H. Chavez nao merece muita confiança pois os seus tiques ditatoriais nao começaram com a historia do referendo, no entanto dar-lhe-ei durante uns tempos ( vamos la ver quanto ) o beneficio da duvida… Tambem gostava de acrscentar que o povo da Venezuela demonstrou que nao quer ouvir falar mais de ditadoras marxistas ou de direita que fustigaram a america do sul no sec. XX, demosntrou que nao quer mais referencias a Fidel Castros!!! A vitoria foi c uma margem curta, mas em democracia e suficeinte para legitimar, democracia essa que tem valores unicos e nao pode variar conforme as circustancias nem as vontades de cada um…

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  13. 13 13  josé Manuel Faria

    Uma boa notícia para a Esquerda.

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  14. 14 14  h - V&P

    Foi uma noite bonita para a Venezuela…

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  15. 15 15  Daniel Oliveira

    António, faça aí uma pesquisa e veja o que disse sempre que falei deste referendo: que queria que o “não” ganhasse.

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  16. 16 16  Justicialista

    “Muitos autocratas fazem-se reeleger sem necessitarem de desenvolver os seus países ao tirarem partido da renda de riquezas como o petróleo. Até podem matar a fome no curto prazo, mas hipotecam o futuro”.
    José Manuel Fernandes, PÚBLICO, 03-12-2007

    Às vezes é mesmo melhor ficar calado!

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  17. 17 17  Planetas

    Parabens aos Venezuelanos…!!

    Hoje, após 9 anos de escuridão, abriu-se uma janela que permitirá a reconstrução social e Economica da Sociedade.

    Basta de Ideias Revolucionarias Megalomanas e Mesianicas…o que o povo quer é melhorar as suas condições de vida.

    Viva à Venezuela Libre!!!

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  18. 18 18  António P.

    Caro Daniel,
    Não é preciso fazer pesquisa nenhuma. O que eu digo é a percepção que resulta dos seus muitos textos e a prova está em muitos dos comentários que o “criticam” por considerar isto uma boa notícia.
    Sabe Daniel, é melhor dizer desde ínicío que Chávez é um caudilho militar com um projetco totalitário do que vagamente considerá-lo de esquerda ou que pode ser bom para a esquerda.
    A história já provou que estes regimes não conduzem a nada e muito menos ao bem estar das pessoas onde eu incluo a liberdade.
    Cumprimentos

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  19. 19 19  Daniel Oliveira

    Planetas, guarde as cornetas, que entre os votantes do “não” estão muitos apoiantes de Chávez. Vá lendo o que se tem escrito sobre este referendo.

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  20. 20 20  Luis

    A estranha “ditadura”
    Dezembro 3, 2007 | por Nuno Ramos de Almeida

    Estranha ditadura que promove eleições e que aceita os resultados quando é derrotada nas urnas.

    Estranha ditadura que vive numa sociedade com partidos de oposição e em que quase toda a comunicação social privada é hostil.

    Estanha ditadura em que a pobreza diminui e em que os estudos internacionais mostram que a maioria esmagadora dos eleitores está contente com a qualidade da democracia.

    Estranha ditadura que tem como presidente um católico falador de nome Chávez e como líder da oposição estudantil um estudante de direito chamado Estaline.
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    Publicado em cinco dias

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  21. 21 21  Tárique

    Relativamente ao “Para Siempre? No!” fique a saber que a não-limitação de mandatos que Chavez propunha está já em vigor no Reino Unido, Austrália, Canadá, França, Itália …

    … aguardo por ver uma batalha vigorosa contra este atropelo à democracia nesses países.

    Se Chavez fosse europeu, mudava o nome das propostas para “tratado” e fazia-o passar em parlamento sem repetir o referendo. Se calhar ainda se podiar dar ao luxo de dizer que não fazia referendo porque “o povo não compreende a importância do tratado”, como fazem os dirigentes europeus.

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  22. 22 22  Luis

    Venezuela: Reforma e Revolução
    por Alí Rodríguez Araque [*]

    Este domingo, 2 de Dezembro, o povo venezuelano irá às urnas mais uma vez para defender o processo democrático e participativo contemplado na sua Constituição, enquanto os sectores ligados aos centros de poder imperiais tentam novamente subverter a ordem interna no país.

    Qual é a razão para que a oposição desencadeie hoje essa campanha histérica — mais histérica do que de costume — perante as mudanças revolucionárias que estão a verificar-se no país? Qual é a razão porque, não só a partir dos poderosos meios de comunicação internos como também à escala mundial, desencadeou-se uma campanha de enormes dimensões, que colocou o tema Venezuela, dia após dia, a cada instante, perante a opinião pública internacional? Já não se trata de razões como no passado, quando a Venezuela era notícia devido às suas grandes riquezas petrolíferas ou por conquistar os concurso Miss Universo ou Miss Mundo pela beleza das suas mulheres, e sim de outras razões que despertam tanto o interesses dos povos do mundo como também a preocupação, a angústia crescente das oligarquias, tanto da América Latina como as imperiais, estas últimas em especial.

    A que obedece este conflito?

    O dia 27 de Fevereiro de 1989 constituiu uma das expressões mais dramáticas e sangrentas da crise do sistema político, económico e social da Venezuela, que não foi alheia à onda neoliberal que percorreu todo o mundo, com força particular na América Latina. O processo de concentração da riqueza, de expropriação literal da imensa maioria dos venezuelano, teve como ponto de partida o problema da distribuição da renda petroleira, da qual a Venezuela depende para o bem e para o mal. Para o bem, porque graças a ela é possível melhorar as condições de vida da população. Para o mal, porque estamos submetidos aos vai e vens dos preços petrolíferos no mundo, que nem sempre dependem da decisão e da vontade dos países produtores de petróleo e sim de circunstâncias muitas vezes alheias às suas próprias decisões. O que está hoje a ocorrer é um exemplo: os altos preços do petróleo não dependem de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) aumente ou diminua a produção. Pode aumentar a produção e ainda assim os preços continuarão em níveis elevados pelas condições de instabilidade existentes no mundo, como são os conflitos no Iraque, Afeganistão, as ameaças contra o Irão, a grave circulação no mercados de futuros que também agarraram os mecanismos dos preços do petróleo, dentre outros factores.

    Como se exprimiu na Venezuela?

    O maior interesse dos países proprietários do petróleo é a renda que possam obter pela sua exploração. E no caso específico essa renda é gerada pelos royalties que se cobram pelo acesso ao recurso petrolífero, pelos impostos que qualquer Estado soberano hoje cobra no mundo, e pelos lucros que gera o investimento empresarial, naqueles casos em que os países contam também com empresas petrolíferas.

    O neoliberalismo introduziu-se no sector petrolífero venezuelano, de tal modo que se viram abatidas as contribuições na rubrica de royalties, foram reduzidos ou eliminados os impostos e privatizada a empresa nacional petrolífera da Venezuela.

    Firmaram-se contratos que representaram uma verdadeira traição à Pátria, porque esses royalties de 1/6, que implicavam 16,6 por cento, reduziram-se a um por cento. Em alguns contratos, inclusive, a zero por cento. O imposto sobre a renda reduziu-se de 67,7 por cento para 34 por cento. E desenvolveu-se uma estratégia tendente a asfixiar a PDVSA para obrigá-la à privatização.

    O triunfo de Hugo Chávez provocou um corte radical com essa estratégia neoliberal de traição aos melhores interesses da Venezuela que, como consequência da forte queda dos rendimentos, defendia a expansão da produção, política que representava o desgaste da OPEP. Quando a Venezuela aumentou a sua produção, outros países fizeram o mesmo, provocando a inundação do mercado de petróleo. Caíram os preços. No caso da Venezuela, o cabaz petrolífero chegou aos sete dólares por barril, tendo este um alto componente de produtos derivados que lhe acrescentam valor, o que quer dizer que estávamos a vender petróleo a cinco dólares ou menos, em alguns casos abaixo do custo de produção. Estas medidas geram sérios transtornos no seio da OPEP, que se viu enfraquecida e ameaçada na sua própria existência.

    Hugo Chávez pôs fim a essa política. Desde o início da sua campanha, em 1988, o Presidente colocou a necessidade de recuperar o espírito nacional e de que se tomasse um conjunto de medidas destinadas a recuperar o controle da nação sobre os seus recursos petrolíferos. Tais propostas provocaram enorme frustração e desgostos entre os centros imperiais que viam na Venezuela a possibilidade de resolver ao preço mínimo, quase como prenda, seus abastecimentos de petróleo.

    Aí está a origem fundamental do problema, ainda que haja outros factores importantes de ordem político. Na medida em que um país demonstra que é capaz de manter uma posição soberana, de actuar de acordo com o mandato do seu povo e não a favor dos desígnios dos centros de poder, na mesmo medida desencadeia a fúria imperial.

    Desde então, contra a Venezuela iniciou-se toda uma rebelião imperial com todos os poderosos meios ao seu alcance. Desenvolveram toda uma estratégia que inclui a busca da desestabilização no plano interno e o isolamento no plano internacional.

    Estão desesperados

    Essa estratégia que vêm desenvolvendo os grandes impérios e as oligarquias, tendentes da desestabilizar no plano interno e a isolar-nos no plano internacional, demonstra o seu desespero, que tem expressão táctica a cada momento. Qual é a que utilizaram agora frente à Reforma Constitucional? Desestabilizar o povo na base da uma intensa campanha de mentiras, como por exemplo:

    Que com esta Reforma a Venezuela avançar rumo a uma ditadura. O fundamento da oposição parte da possibilidade estabelecida na Reforma de que o Presidente possa ser reeleito continuamente.

    Dizem que isso é perpetuar um indivíduo no poder. Mas ocultam dois pormenores: E se na eleição o povo quiser eleger outro Presidente o que se passa?

    Outra variante pode ser que saia reeleito Hugo Chávez. Na Venezuela existe, como um facto único no mundo, a figura do poder revogatório, a qual incorporou o próprio Presidente na Constituição de 1999. Em que país do mundo há essa possibilidade? Em alguns existe a figura da revogação, mas não para os presidentes nem para os primeiros-ministros. Mas além disso, na Europa, em 17 países têm exactamente o mesmo artigo na sua Constituição.

    Outro argumento da oposição é a abolição da propriedade privada. Até agora a única forma de propriedade que continha a Constituição, incluindo a de 99, era a propriedade privada. A proposta de Reforma mantém a propriedade privada e introduz quatro outras formas de propriedade (mista, pública, comunal, socialista).

    Essas propostas foram aprovadas pela Assembleia Nacional e agora vão a Referendo.

    Agora começaram a dizer que avançamos para um regime comunista e que vamos tirar o Pátrio Poder aos pais. Mais desrespeito à inteligência, até ao senso comum dos venezuelanos.

    Volteiam a realidade, põem-na de patas para cima. Mentem descaradamente. Naturalmente isso não os levará a lugar algum, apenas ao fracasso.

    O que vai acontecer neste 2 de Dezembro

    Nestes momentos estão a combinar-se factores de perturbação, utilizando estudantes de classes acomodadas, principalmente de universidade privadas, e também de algumas universidade públicas onde a velha esquerda converteu-se agora em direita rançosa, como acontece, desgraçadamente, na nossa muito querida Universidade Central da Venezuela. Utilizam-nos, apesar de não serem em grande número — na Venezuela há neste momento mais de 15 milhões de estudantes — pois não passarão de três a cinco mil estudantes, mas fazem muito ruído porque contam com o amparo da televisão, da imprensa, da rádio e o acompanhamento das grandes corporações, como é o caso da CNN, por exemplo, e de outros poderes mediáticos do mundo.

    Na terça-feira passada, 27 de Novembro, estava reunido um certo número de estudantes da Universidade Católica de Caracas. A Globovisión publicou a notícia de que os estudantes estavam cercados pelas forças repressivas de Chávez. Por acaso estava no lugar o vice-ministro do Interior, Tarek El-Aissami, e teve que esclarecer que não havia nem um polícia sequer. Mas já então a televisão espanhola estava a dizer que os estudantes democráticos estavam cercados na Universidade Católica Andrés Bello, de Caracas. Ou seja, além disso estão coordenados para a mentira, não só dentro do país como no mundo. No Chile repetiam a notícia e naturalmente através da CNN, convertida em factor multiplicador da mentira que se expele da Venezuela.

    Estão a buscar desesperadamente um morto, como ocorreu em Abril de 2002, provocado por franco-atiradores colocados por eles mesmos, para acusar o governo de utilizar a repressão e de derramamento de sangue. Em Valência, na passada segunda-feira, 26 de Novembro, um grupo de trabalhadores ia a uma fábrica e havia um grupo de oposicionistas a obstruírem a via. Dispararam contra o veículo que pretendia passar, feriram numa perna um rapaz de 19 anos. Não queriam deixá-lo passar, nem sequer para o hospital. E como eles tentaram, agrediram-nos, deram mais dois tiros no rapaz e mataram-no. Mas não só o mataram, cuspiram-no, pisotearam-no e agrediram os restantes que viajavam com ele. É a típica expressão do ódio fascista, nazista, do qual está dolorosamente impressa a história.

    Uma vez vencidas estas fases de impedir o Referendo ou adiá-lo, ambas fracassadas, agora a táctica dos inimigos do povo venezuelano é combinar uma política de apelar às pessoas para votar pelo NÃO, e ao mesmo tempo provocar a maior abstenção possível. O objectivo é que depois do Referendo, quando triunfar o SIM, dizer que a votação do NÃO, mais a abstenção, é maioria, e em consequência que o povo está contra a Reforma Constitucional. Porque já o disseram: que a partir do 2 de Dezembro, ganhem ou percam, continuariam nas suas tentativas para derrubar o governo legítimo e constitucional da Venezuela e, sobretudo, o processo bolivariano.

    Assim, espera-nos uma nova vitória neste domingo 2 de Dezembro. Uma vez mais se imporá a verdade.
    02/Dezembro/2007
    [*] Embaixador da República Bolivariana da Venezuela em Cuba

    O original encontra-se em http://www.rebelion.org/noticia.php?id=59930

    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
    02/Dez/0

    [Responder]

  23. 23 23  Roberto C. Parada

    Sobre as diatribes sobre como o resultado do referendo foi uma vitória da democracia:

    Se Chávez não tivesse, de facto, respeito pela democracia, teria feito o que qualquer autocrata com ideias fixas faria: a imposição simples da revisão constitucional. E se, por exemplo, um blogger de esquerda decidisse gritar contra isso, tratava-se facilmente do assunto.

    Ora, Chávez fez um referendo. Sujeitou-se a perder, e perdeu. Podia, como se fazem noutros países com democracias menos sinceras, ter tratado de minar o resultado – ou já ninguém se lembra do brilhante exemplo de regime democrático que levou Bush à presidência em 2000? Como é curta a memória.

    Chávez levou a cabo um real processo democrático, portanto. E já agora, imaginemos por um momento a indignação com o processo eleitoral que se levantaria se Chávez tivesse ganho. Já imagino Daniel Oliveira e Helena Matos a unirem-se no coro a gritar “ditador”.

    Entretanto, noutras bandas: Cá na Europa, um dos bastiões da democracia, a União Europeia recusa-se a referendar uma muito duvidosa reformulação dos órgãos políticos e dos poderes atribuídos, que terá implicações bem mais graves que um mandato vitalício (ao menos limitado pela esperança de vida do ditador).

    Face a estas duas situações, pergunto-me porquê a obsessão de uma parte da blogosfera de esquerda (Arrastão incluído) em preferir sacar o exemplo de Chávez para falar do que deve ser a democracia.

    Se é pra discutir Chávez, discuta-se Chávez. Se é para discutir atentados à democracia, há que constatar que existem exemplos bem piores, muito mais próximos de nós. Talvez seja necessário perdermos algumas liberdades para nos darmos conta que há assuntos mais urgentes do que o carácter democrático de regimes d’além-mar.

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  24. 24 24  Eric Blair

    Esperemos pela volta…
    Quer queiramos ádmitir quer não estamos a assistir à manufactura de um ditador.

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  25. 25 25  Planetas

    Caro Daniel,
    É certo que muitos dos apoiantes do Chavez votaram NO às suas pretenções totalitarias…isso não é outra coisa que um motivo adiccional para celebrar este resultado!!

    Nota: Daniel, a realidade Venezuelana não me é de todo extranha pois vivi lá 12 anos até há 6 anos.

    Abraço,

    [Responder]

  26. 26 26  tric

    Há que destacar nesta vitória do não, o profundo envolvimento da Igreja Católica Venezuelana e o papel mobilizador dos estudantes venezuelanos !!

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  27. 27 27  xatoo
  28. 28 28  Fado Alexandrino

    Bom, não sei, talvez.
    Entretanto já mandei um fax ao camarada Chávez, diz assim:
    Camarada, estão contigo.
    Não esqueças, um passo atrás dois prá frente.Na dúvida de como fazer telefona ao dono do blog.

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  29. 29 29  nuno magalhães

    Eu acho que DO é meiguinho quando diz que António devia fazer umas investigações antes de falar eu iria mais longe só pela afirmação de que “As declarações de Chávez não indiciam nada de bom.”
    De acordo com o isento Público, as ditas declarações são de facto muito preocupantes:
    “Agradeço a quem apoiou o caminho que traçámos em direcção ao novo socialismo, mas igualmente a quem votou contra. Mostraram ao mundo, e a si mesmos, que a Venezuela é uma democracia viva. Agora, do coração, vos peço que esqueçam os saltos para o vazio (conspirações) e se unam a nós na construção de um país melhor”.
    O Presidente indicou ainda que lhe foi difícil reconhecer o resultado, quando ainda faltava uma percentagem de votos por contabilizar: “Pensei por um momento que, dada a escassa margem de vantagem do adversário, podia haver uma reviravolta a nosso favor. Mas logo decidi que antes de mais está a união da Venezuela e actuei segundo me ditava essa consciência”.

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  30. 30 30  Daniel Oliveira

    Luís, use links em vez de copy/paste, com o risco de tornar a leitura dos comentários impossível. Obrigado.

    Planetas, nisso concordo consigo. Apenas digo que este referendo não chega para pensar que o apoio a Chávez está posto em causa. Que sai diminuido, isso é evidente e apenas por responsabilidade do próprio, que quis dar um passo maior que a perna e os venezuelanos não deixaram. Mas os próprios resultados mostram a sua capacidade de mobilização. As primeiras reacções, ao contrário do que tenho lido, não foram más. Veremos.

    António, é sempre melhor comentarmos e criticarmos o que as pessoas escrevem e dizem do que aquilo que temos a sensação que elas se calhar queriam dizer. Eu fui muitíssimo claro sempre que falei deste referendo: espero que os venezuelanos votem não, escrevi-o aqui mais do que uma vez. O facto de não fazer coro com outras considerações sobre a Venezuela não muda a clareza do que disse. A minha posição é esta e lá por não ser igual à sua não passa a ser diferente do que é e sempre foi. Desculpe se não sigo o seu conselho do que devia ser a minha posição. Mas, lamento, nesta matéria o mundo não se divide (nem a Venezuela se dividui) entre a sua posição e a posição oposta.

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  31. 31 31  Tiago Antao

    Daqui a dois anos ele faz outro referendo. Anti-democrático? É só copiar o que os governos europeus fazem quando não gostam do resultado de um referendo.

    Ser elegível para sempre é ditatorial? Parece-me que é assim que funciona na maioria dos países europeus. Houve um primeiro ministro sueco que morreu no cargo, esteve lá mais de 20 anos (ou será 30, não me lembro)… Foi sempre eleito e esteve à frente da Suécia durante boa parte do período em que o país mais cresceu e mais consolidou o estado providência.

    De facto, é mais seguro ter um limite de mandatos. Mas tal não é necessário nem suficiente para ter uma demoracria a sério.

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  32. 32 32  Luis

    Que me lembre na Suécia em 60 anos, apenas houve três ou quatro em que não foram os sociais-democratas que estiveram à frente do governo…

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  33. 33 33  TP

    É espantoso, Daniel, como encontras “provas” irrefutáveis numa ingenuidade de Chavéz contra a evidência (essa sim , uma prova irrefutável) de que Chavéz quer criar uma ditadura. Só que pensou que o povo também queria e lixou-se. O que prova (também) que, além de pretendente a ditador de 2ª categoria é, para além disso, um bocado burro.

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  34. 34 34  João

    Dizem os números que 3 milhões de votantes em Chavez se abstiveram enquanto os votos no Não são mais 300 mil do que os da opoisção nas presidenciais. quer isto dizer que foram os chavistas que disseram a Chavez para arrepiar caminho? Parece que sim e ainda bem.

    [Responder]

  35. 35 35  Luis

    Money, money, money

    Oil, oil, oil…

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  36. 36 36  Paulo Alves

    Ó Daniel, você é grande demais para passar despercebidamente por um “naif”, vá lá.
    O que vem aí é que vai assustar, ou você ouvir Chávez congratular os vencedores? Medo, caro Daniel, medo…

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  37. 37 37  Amilcar

    Foi barrada a possibilidade de Chavez se candidatar a novos mandatos presidenciais. Mas tambem foi barrada uma nova proteccao constitucional contra discriminacao sexual e religiosa, o que seria a mais progressista defesa dos homosexuais da America Latina, mais reducao da semana de trabalho, mais seguranca social e salario minimo garantidos para todos os Venezuelanos.

    Porque e’ que estes pontos parecem contar tao pouco no comentario estrangeiro? Em Portugal dao-nos ‘a colherada do outro xarope e nao nos deixam sequer votar, veja-se o novo tratado europeu. Mas os ditadores sao os outros…

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  38. 38 38  rouxinol

    “Porque e’ que estes pontos parecem contar tao pouco no comentario estrangeiro?”

    Isso são caramelos quando comparados com a real substância das emendas.
    A substância compreendia a constitucionalização da discriminação política. A orientação económica passava a ser dada a priori. E depois o que é que restava aos governos e eleitores?

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  39. 39 39  Luis

    Com “amigos” destes, quem é que precisa de inimigos…

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  40. 40 40  António P.

    Daniel,
    “Touché”.As minhas desculpas.
    Mas terá que reconhecer que as percepções criadas em terceiros acabam muitas das vezes ( a maioria ?) por determinar quase tudo.
    Cumprimentos

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  41. 41 41  Pedro Rodrigues

    Vencedores e vencidos. Se a abordagem fôr feita do ponto de vista politico interno, chavéz é derrotado. Sem dúvida. Já paradoxalmente se a abordagem fôr feita do ponto de vista dos detractores do regime, leia-se as democracias ocidentais, chavéz é um vencedor pois todos estão a engolir em seco o dinamismo e a maturidade democrática demonstrada pelo “ditador” (até dá para rir) e pelo povo venezuelano.
    Apenas de sublinhar que todos estes regimes democráticos estão a aprovar nas costas de mais de 200 milhões de pessoas um tratado que não vai ser referendado por ninguém.
    Para lembrar um clip publicitário. HÁ COISAS CURIOSAS NÃO HÁ

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  42. 42 42  Pedro Rodrigues

    Peço desculpa pelo erro. Vai ser referendada pela Irlanda que é uma imposição constitucional.

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  43. 43 43  Luis

    E em 2005 quer a França quer a Holanda tinham, por referendo, derrotado esses mesmíssimo tratado…

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  44. 44 44  Luis

    Há dois anos diziam isto:

    Comunicação ao País sobre o referendo francês ao Tratado Constitucional europeu

    2005-05-29

    O povo francês, no exercício da sua soberania, votou não. Tal resultado será naturalmente respeitado pelo povo francês, mas deve ser tido em conta pelos outros 24 membros da União Europeia, tanto mais que a diferença entre o não e o sim foi bastante expressiva. O não poderá ter resultado de problemas internos franceses, mas põe também problemas a todos os europeus.
    O não francês suscita um obstáculo no processo de ratificação do projecto deste tratado, mas não abre uma crise na União Europeia e, muito menos, no projecto europeu – um projecto de paz, democracia e unidade no nosso Velho Continente, do qual a França faz parte e continuará a fazer parte.
    A pergunta que todos os povos da Europa e também os respectivos governos fazem a si próprios, neste momento, é esta: que fazer agora com este não?
    Uma coisa temos como certa: não há que desistir da Europa Unida, nem do projecto europeu. E quanto ao tratado em vias de ratificação? Pára tudo aqui, ou continua tudo como previsto nos restantes países?
    A recusa francesa não impede, no plano jurídico, a ratificação do Tratado pelos outros países. No plano político, porém, as coisas são mais complexas e merecem uma serena meditação em toda a Europa.
    A posição de Portugal – repetidamente expressa por diferentes órgãos de soberania tem sido sempre a de que devemos continuar com o nosso próprio processo e, portanto, devemos realizar o nosso referendo europeu.
    Mas o não francês é um problema sério. Obriga a reflexão.
    Faremos uma reflexão em Portugal. Mas é preciso fazê-la também em Bruxelas. Pensamos que o mais cedo possível (logo a seguir ao referendo da Holanda) deverá reunir o órgão próprio em Bruxelas a fim de debater com profundidade o rumo a seguir pela Europa – tão atractiva para os que estão de fora, mas, pelos vistos, tão atravessada por dúvidas e angústias para os que estão dentro. Portugal insistirá na necessidade desta reflexão.
    A terminar, uma coisa pode o Governo assegurar a todos os Portugueses: nada será feito sem a vontade dos Portugueses, ou contra a vontade dos Portugueses, na escolha do modelo europeu do futuro.
    Portugal ganhou muito nestes últimos vinte anos com a sua entrada na Europa Unida: os Portugueses dirão se querem uma Europa política e social, forte no contexto das nações, ou uma simples Europa económica e financeira, propícia ao comércio e aos negócios.
    O debate começa hoje.
    http://www.pcm.gov.pt/Portal/PT/Governos/Governos_Constitucionais/GC17/Ministerios/MNE/Comunicacao/Intervencoes/20050529_MENE_Int_Referendo_Franca.htm

    E agora vão todos assinar, já no dia 13. Os democratas.

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  45. 45 45  MdC

    A Venezuela é um bom exemplo do que para a direita significa democracia; não é o direito do povo a escolher o seu futuro livremente, mas sim só, a possibilidade deste acatar as regras a que essa direita decidiu chamar democracia, como o “enganado” Barroso diz, é tão democrático fazer aprovar uma constituição por referendo ou no parlamento.

    Estes acontecimentos demonstram toda a falta de cultura democrática da direita, o recurso à mentira, ao insulto, ao medo, à ameaça, à provocação, à sempre bem aventurada igreja católica.

    Por outro lado, a história deste referendo também registará o comportamento da social democracia, por mais de esquerda que seja como é o caso do Daniel Oliveira.

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  46. 46 46  Jam

    Não sei bem quanto é que era necessário para aprovar uma alteração constitucional (geralmente nunca é 50%, mas lá, não sei como é).

    Disse não. É verdade. Mas só 51% é que disseram não. E nisso o Chavez tem razão. Perdeu esta batalha. Mas 51%? A “guerra” ainda vai durar…

    Só acho exagerado todo o champagne já aberto…

    [Responder]

  47. 47 47  Luis

    3 DE DEZEMBRO DE 2007 – 20h42
    Referendo: conservadores comemoram vitória com cautela

    Dentro e fora da Venezuela, diversas forças conservadoras festejaram os resultados do referendo deste domingo (2). “A Comissão Européia e os Estados Unidos mostraram satisfação”, informa a CBN. “Igreja Católica comemora derrota de Chávez”, destaca a agência Ansa. Em um comunicado, a sempre retrógrada Repórteres Sem Fronteiras (RSF) tratou logo de congratular a oposição.

    Por André Cintra

    Por ligeira maioria de votos, os venezuelanos rejeitaram, nas urnas, os 69 artigos da reforma da Constituição proposta pelo presidente Hugo Chávez. Os artigos mais ousados fortaleciam o poder popular, proibiam o monopólio e o latifúndio, reduziam a jornada de trabalho e asseguravam a Previdência a todos os venezuelanos, inclusive aos trabalhadores informais. Se aprovada, a proposta seria um golpe no coração nas elites venezuelanas – que reagiram de forma raivosa.

    A união dos conservadores pelo “não” talvez só tenha sido inferior à de abril de 2002, quando um golpe liderado por setores militares – com apoio das elites do país, da Igreja Católica, da Casa Branca e da CIA – derrubou Chávez do poder. Na precipitada comemoração, houve cenas constrangedoras, como bispos abraçando militares efusivamente no Palácio de Miraflores. A investida, como se sabe, foi um fiasco: provocou uma grande reação popular e caiu de podre após dois dias.

    Tensão continua

    Certamente um filme do fracassado golpe de 2002 passou agora por essas cabeças retrógradas, que nem pensam em associar o resultado do referendo ao fim da era Chávez. O próprio presidente, embora tenha admitido a derrota, recomendou à oposição que “administre bem” o resultado de domingo.

    As forças oposicionistas não constituem um grupo homogêneo, de interesses iguais. Mas a estratégia de Chávez – votar 69 artigos em apenas dois em dois blocos, sem enaltecer os objetivos sociais mais avançados – ajudou as tropas do “não”. Antes do referendo, elas souberam “esconder” os trunfos da avançada proposta chavista, dando destaque a pontos menos relevantes e à proposta de reeleição indefinida. É o caso da ingerência religiosa. Conforme lembra a Ansa, a “Igreja Católica teve um papel ativo durante a campanha do referendo e pediu formalmente às pessoas que recusassem a proposta, juntando-se à oposição”.

    Para piorar, na reta final do referendo, Chávez monopolizou as atenções na mídia mais pelo entrave com o rei espanhol e com eventuais ameaças de retaliação. Sem contar uma abstenção que superou 44% do eleitorado (7,2 milhões). O “sim” teve no domingo cerca de 3 milhões de votos a menos que Chávez nas eleições presidenciais do ano passado, enquanto a oposição cresceu 300 mil.

    Temor do futuro

    O Miami Herald Tribune, um dos mais reacionários jornais americanos, ecoou a reação da Casa Branca: “A administração Bush considerou como uma vitória para a democracia a estranha derrota eleitoral do presidente venezuelano, Hugo Chávez, seu mais enérgico inimigo na América Latina”. Já o Los Angeles Times falou em “derrota eleitoral horrível para o homem forte, sua primeira em nove anos no cargo”.

    Após a vitória do “não”, o bispo Roberto Luckert acusou Chávez de “confrontação” e “beligerância”. Mas ele mesmo partiu para a provocação ao bradar que o presidente não aceitará a derrota. Mirando os próximos embates eleitorais, Luckert esqueceu de vez que a Venezuela é um Estado laico e fez um apelo à oposição: “Deixe de besteira pensando quem vai ser o candidato. O que tem a maioria é o que tem que ir (à disputa), e todo mundo deve levar esse candidato ao governo ou à prefeitura.”

    Nenhum jornal ou especialista, porém, pode especular com precisão o futuro do governo Chávez, que vai até 2012. Lembrando 2002, a onda conservadora é muito mais contida, mesmo tendo atraído setores da classe média e, sobretudo, do movimento estudantil. Um dos novos líderes oposicionista, não por acaso, é Ricardo Sánchez, presidente da Federação de Centros Estudantis da Universidade Central de Venezuela.

    Sánchez não repete euforia de cinco anos atrás. Seu discurso sobre “reconciliação” contém termos como “atitude ponderada, em términos de inclusão, de reconhecer erros e de capacidade de perdão”. A oposição a Chávez parece ganhar mais força onde o discurso soa menos pretensioso – na aparência.
    http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=29273

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  48. 48 48  A.Silva

    Até este momento nada vi que me fizesse pensar que o regime politico da Venezuela não é uma democracia.Desde a aceitação da derrota pelo Presidente até as manisfestações de rua pela oposição,e ao que sabemos não houve confrontos nem desacatos,tudo o que vi foi a democracia a funcionar.Se na Venezuela se tivesse passado metade do que se passou nas eleições na Russia,o clamor seria enorme de todas as democracias europeias e tambem dos EUA.Mas os dirigentes democratas são todos amigos mas há sempre uns que são mais amigos do que os outros

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  49. 49 49  Planetas

    Lamento o comentário tardio, mas não podia deixar passar esta perola do sr. Chavez
    05-12-2007 | 12:53 pm

    “celebren su victoria de mierda, que nosotros nos quedamos con nuestra derrota reivindicativa”.

    Aqui esta o preludio de uma reconciliação Venezuelana!!

    http://www.descifrado.com/index.php?id=9&no_cache=1&showUid=25168

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