Em frente ao Supremo Tribunal um grupo de adolescentes religiosos mantêm-se de pé, e de boca tapada com uns autocolantes que dizem apenas “Life”. Manifestam-se pela criminalização do aborto. Nas escadarias um homem, que parece não concordar com os manifestantes, explica aos seus filhos: exercem o seu direito a protestar em frente a um dos mais importantes garantes dos direitos dos cidadãos. Refere a Constituição. Os filhos repetem e ele mostra-se orgulhoso.

Na Europa ninguém fala assim. Somos cínicos e isso é triste. Mas também pode ser saudável. A inocência do patriotismo americano, alimentado de valores que qualquer democrata tem de subscrever mas também por mitos que não são mais do que isso mesmo, tem os seus perigos. A ideia de que devem eleger homens comuns, como eles, levou-os a escolher um inepto absoluto. E leva-os a acreditar em quem os governa muito mais do que o bom senso recomenda.


4 respostas ao post “Voz da América IV: inocência americana”  

  1. 1 1  Xico

    “A ideia de que devem eleger homens comuns, como eles, levou-os a escolher um inepto absoluto.”
    Oh Daniel. Será que sinto aí um momento monárquico????…

  2. 2 2  Ti Américo

    “A ideia de que devem eleger homens comuns, como eles, levou-os a escolher um inepto absoluto.”

    Não estou de acordo. Duvido sinceramente que no parlamento português haja um só político mais capaz de governar um país do que Bush. Por isso, julgo que há aqui um verdadeiro exagero. Quem não está a seu favor é inepto… Puro exagero. Tagarelice anti-americana e, mais especificamente, Bushofóbica.

    Quando fala da “inocência do patriotismo americano” julgo que também não percebe o pano de fundo. Este modo de estar resulta de uma longa maturidade democrática, de uma verdadeira vontade de fazer a democracia funcionar, acompanhado de uma longa história de efectiva democratização.

    Coisa que por estes lados ainda não foi experimentada (o Tratado de Lisboa é apenas a manifestação mais recente da velha ideia de democracia na Europa). Ainda não tivemos tempo para perceber que essa “inocência” é na verdade uma “astúcia democraticamente eficaz” e por isso continuamos a ter na europa uma cambada de estúpidos que sonha ver no seu cinismo uma marca de distinta inteligência. O parlamento português está cheio dessas “inteligências”. E o país real só cresce por arrasto, nunca por força própria, ao contrário do que acontece no país governado por pessoas vulgares e, até mesmo, por um inepto. Um país em que os vulgares governam os vulgares parece funcionar muito melhor do que um país em que todos se têm na conta de finórios.

  3. 3 3  Miguel

    Está tudo dito… G.W.Bush é um homem capaz…
    É mas de que? Governar um pais não é, isso está visto. Outra coisa ele é também, é crente [no Pai Natal e no "Criacionismo"(logo ele que tem tantas parecenças com os macaquinhos)], acredita que é mesmo capaz, tão capaz que até se fez a governação de outos paises que, coitados, não tinham gente capaz para os governarem. Pena que a constituição não permita que o Geoge “dáblio” não possa fazer o tri. Vai deixar muita saudade…

  4. 4 4  Ti Américo

    :)
    Miguel,
    fico à espera da sua nobre contribuição!

    Se ele é incapaz de governar os EUA, você, que não é parecido com os macacos e que é certamente muito mais capaz do que ele, também consegue ganhar as eleições americanas (pela claúsula de popularidade, o seu mérito é reconhecido em qualquer parte do mundo).

    Depois, de atingir a presidência quero ver a sua sabedoria, a sua superioridade e habilidade política.

    Por favor, não venha com a desculpa de que não é capaz de ganhar as eleições, porque você é mais capaz do que o Geoge “dablio”! Se para ele foi possível, para vc é obrigatório.

    Entretanto, enquanto isso não acontece, vá postando comentários mediocres e respondendo a tontos como eu. Podem servir de treino para chegar mais longe. Vá pondo a sua fé na ciência e na sabedoria do todo poderoso evolucionismo, essa adorável teoria de como as coisas são. E sobretudo, governe o mundo, porque é de si - tal D. Sebastião - que o mundo precisa!

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