Quinta-feira, 31 de Dezembro de 2009
por Pedro Vieira



© rabiscos vieira


por Pedro Vieira
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por Pedro Vieira



Everyday: não é só a Ana Faria que tem o direito de brincar aos clássicos


por Pedro Vieira
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por Pedro Vieira



In Rainbows: são precisos muitos anos a assar frangos para roçar a perfeição, para deixar o estupendo Amnesiac no segundo lugar do my own private Radiohead podium


por Pedro Vieira
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por Pedro Vieira



808s & Heartbreak ou de quando um homem deita para trás das costas os espartilhos do hip-hop, mais a lenga-lenga dos "reais", dos "verdadeiros originais", dos "leais às origens", das "rimas genuínas"; afinal de contas, isto não é um concurso de enchidos. é apenas grande, grande pop.


por Pedro Vieira
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por Pedro Vieira




Vespertine: há treinadores de bancada (eu) que julgam ser este o seu pico criativo (dela). e definitivamente há muito bons artistas em terras de maus futebóis.


por Pedro Vieira
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por Pedro Vieira
A Autoridade da Concorrência (AdC) condenou cinco empresas de restauração colectiva em coimas de 14,720 milhões de euros por práticas lesivas da concorrência no mercado de refeições e serviços de gestão e exploração de refeitórios, cantinas ou restaurantes.



por Pedro Vieira
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por Pedro Vieira




Funeral, para quem pensava que o canadá só exportava alces e palmetas e bons cenários para os remoques do michael moore


por Pedro Vieira
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Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009
por Pedro Vieira


Sempre de mim: uma pérola é-o aqui como em qualquer parte


por Pedro Vieira
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por Pedro Sales
[caption id="attachment_13379" align="aligncenter" width="495" caption="Gráfico comparando a esperança de vida em cada país, com as despesas, públicas e privadas, com cuidados de saúde"][/caption]

por Pedro Sales
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por Pedro Sales


Código Contributivo pode penalizar quase metade dos "independentes". Caso fosse aplicado em 2010, o Código Contributivo deveria representar um agravamento das contribuições para a Segurança Social para, pelo menos, 40 por cento dos trabalhadores independentes, cuja esmagadora maioria é composta por "falsos recibos verdes". E trata-se de um cálculo por defeito, estimado com dados da administração fiscal de 2008. Ao PÚBLICO, o Ministério do Trabalho, baseando-se em dados fiscais de 2007, conclui que 30 por cento pagariam mais do que actualmente, mas ainda não explica como chegou ao número.

Vale a pena ler a notícia toda e perceber o desconforto do Ministério do Trabalho com este trabalho do Público. Depois de demorar mais de um mês a responder ao jornal, na véspera da publicação do artigo tentaram amanhar uns números à pressa. Em boa hora o fizeram, pois o único resultado visível foi demonstrar a brutal disparidade entre os números da segurança social e dos impostos. Estamos a falar de números oficiais, mas que, mesmo assim, não batem certo nem na casa das dezenas de milhar. Como o Público refere, "a própria Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) - peritos que apoiam o Parlamento - salientou a ausência de estudos de impacto". Uma informação que diz muito sobre a credibilidade dos números avançados pelo Governo de José Sócrates sobre esta matéria nos últimos tempos. É tudo um "suponhamos", para citar a apropriada Conversa da Treta.

Adenda: Esta notícia tem outra vantagem. Responder à perplexidade do João Galamba com o sentido de voto dos partidos à esquerda do PS.

por Pedro Sales
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por Pedro Vieira



Songs for the deaf ou a prova de que o dave grohl é O baterista rock, de que o músculo ainda produz grandes discos e de que os foo fighters são o parente pobre das ego trips.


por Pedro Vieira
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por Pedro Vieira



Is this it: é preciso um pouco mais do que farpelas e guedelhas criteriosamente desalinhadas para reanimar o rock n' roll. e os moços tiveram-no.


por Pedro Vieira
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por Pedro Sales


Cavaco Silva emite um comunicado? Sócrates desmarca um encontro com o Presidente da República? Confusão com o Estatuto dos Açores, ou a suspensão do código contributivo? A imprensa tem uma solução. Ouvir um politólogo. Quem diz um, diz dois ou três. Os politólogos são a última moda da estação. Estão em todo o lado, a propósito de tudo.O que faz espécie não é o que dizem, nem a sua pertinência, mas a forma definitiva como os seus argumentos são apresentados e encaixados: uma espécie de gurus científicos com a capacidade de prescrever o futuro sem lhe mexer nas entranhas.

Se reparamos bem, a explicação definitiva que a imprensa procura junto dos politólogos – e a sua definição já é, em si, bastante discutível - não é muito distinta da forma como são apresentadas as sondagens. O que deveria ser um instrumento de trabalho para conhecer as flutuações circunstanciais do sentido de voto face a determinados acontecimentos, tem vindo a ser apresentada como se fosse a verdade definitiva sobre o sentido de voto dos portugueses. Como sabemos, o confronto com a realidade, depois, não tem sido famoso.

Quem é que imaginava, há dois meses, que mal ganhasse as eleições o PS iria começar este número de vitimização permanente, tudo fazendo para reduzir a política a uma versão ainda mais infantil do Calimero? Os jornais querem antecipar o que poderá a vir a ser o ano politico de 2010 e fazer peças de jornalismo prospectivo? Tudo bem. Ser um politólogo ou não a fazê-lo é que não me parece acrescentar o argumento de autoridade, e o carimbo de verdade insofismável, que a imprensa teima em procurar.

por Pedro Sales
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Terça-feira, 29 de Dezembro de 2009
por Pedro Vieira



LCD Soundsystem: se a batida vier com o selo de garantia do lower east side até o mais circunspecto frequentador da cinemateca dá o seu pezinho de dança


por Pedro Vieira
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por Pedro Sales
Listagem com os 25 filmes preferidos do Vimeo em 2009. A ver, especialmente para os fãs de Tarantino, um remix com os temas, obsessões e sons dos seus filmes.



Também digno de nota é Nocturne. Filmado à noite, apenas com a luz “natural” da cidade, é um espantoso exercício técnico que merece ser visto em verdadeira alta definição.


Behind the scenes, neste site. A explicação do autor, neste post.


por Pedro Sales
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por Pedro Sales


O Expresso desta semana dedica uma página inteira, e todos sabemos como elas têm o seu tamanho, à questão que move meio país nesta época da concórdia e da família. “Como queimar as calorias da ceia”? São os conselhos normais. Beber muita água, uma sopita ao início da refeição, fruta à sobremesa. Daí até ao exercício físico é um passo, apresentando uma grelha com as calorias que podem ser “queimadas” com os mais variados tipos de actividade. Correr, nadar, andar de bicicleta. O trivial, mais uma vez.

A listagem só começa a ser surpreendente quando se vê que ir à missa do Galo, ou estar sentado, são algumas das formas recomendadas pelo jornal para desmoer a orgia de filhoses e rabanadas do Natal passado. Deve ser a isso que se chama esperar sentado, mas é pouco crível que a barriguinha, acostumada que está ao conforto do sofá que a viu crescer, se sinta inibida com tamanha demonstração de disciplina e força de vontade.

Ainda sentado, o Expresso indica-nos uma forma imbatível de perder peso. Continuar na mesa onde se passou a última semana, desta vez para jogar às cartas. São 210 calorias em duas horas, no caso dos homens, 165 no das mulheres. Ainda longe dos valores alcançados em cima de uma bicicleta ou na piscina, mas sempre é mais intenso, segundo os números deste semanário, que ter relações sexuais. Isso mesmo. Esse exercício, de aparente baixa intensidade, fica por umas pálidas 23 ou 21 calorias, consoante o género, a cada 15 minutos. Não faço ideia como é que o jornal chegou a estes números, mas ou esta gente é toda estrangeira ou, depois da presença do Ricardo Araújo Pereira na capa da Playboy, isto é bem capaz de desferir o último golpe no mito da “coutada do macho latino” que, afinal, se parece contentar com a bisca lambida.

Bem sei que o leitor-tipo do Expresso já está mais na idade em que ir à missa do galo ou permanecer no sofá já parece uma esforçada ideia para emagrecer, mas, sejamos justos, deve haver aí gente com muito mau perder para consumir mais calorias a jogar às cartas do que no chavascal. E lá voltamos nós à guerra dos sexos. De acordo com as contas do Expresso, apenas os homens torram mais energia a jogar às cartas. A coisa anda ela por ela, mas as mulheres, essas tontas azaradas, parecem não se envolver seriamente nos secretos prazeres que se podem ter num memorável jogo de bridge ou numa saudável partida de sueca.

Aqui chegados, confesso que o único sentimento que me move é o da inveja. Que grandes jogatanas de cartas anda para aí muito boa gente a ter sem que ninguém me tenha dito nada. Não fosse o Expresso e continuava sem saber estas coisas.

por Pedro Sales
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por Daniel Oliveira


Nos próximos sete dias não andarei por aqui. Irei para Maputo e, pela primeira vez em alguns anos, poderei viajar sem computador. Ou seja, ficarei mesmo longe daqui. O Vieira e o Sales cá estarão para tomar conta da casa até ao reforço, para a arrumar para os novos inquilinos e, por fim, para os receber com uma fanfarra. Quando voltar, a casa vais estar diferente. Dou por isso antecipadamente as boas vindas a quem vem por bem. E agora vou para o quentinho. Até já.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Durante uma semana não me vão ver por aqui. Andarei por Maputo e, pela primeira vez em muitos anos, posso dispensar o computador. O Sales e o Vieira

por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009
por Pedro Vieira




Arular ou de quando uma filha de tigre tamil leva os sons bastardos da rua aos píncaros da pop legitimada


por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira
Como de costume, o serviço público faz programas que depois atira para as duas da manhã. Aqui fica: "António Pinho Vargas - Solo".


Quando cada vídeo acabar deixem continuar. São 14 vídeos de um programa inteiro.


por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Ao contrário do que foi acordado, a GEF-Gestão de Fundos Imobiliários, SA ainda não repôs a placa evocativa das últimas vítimas da PIDE. É natural que a empresa queira esconder aos potenciais compradores que vão dormir e jantar no mesmo lugar onde foram torturadas pessoas. Num país que apaga a sua própria memória, não se pode esperar depois que ela ou a palavra dada sejam respeitadas. E assim são tratados os homens e mulheres que deram as suas vidas à nossa liberdade. Será que sabemos merecer o que sofreram?

A placa foi entretanto posta. Minúscula, mas lá está.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira




E é só para lhe dar os parabéns. Encontrou finalmente a sua cara metade: Pedro Namora. Têm, de facto, muito em comum. Ainda vamos ver o homónimo do Avô Cantigas a cantar fados com Câmara Pereira.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Sem grandes apresentações ou explicações, aqui fica o texto de Maziar Bahari, um jornalista iraniano preso por 118 dias, 12 horas e 54 minutos. Um exclusivo Expresso/Newsweek que tomo a liberdade de aqui republicar. Talvez assim algumas pessoas desnorteadas que procuram a luta de classes e o combates ao Imperialismo debaixo de cada pedra percebam que um torturador é um torturador, uma ditadura é uma ditadura e o lugar certo é sempre, sempre e sempre ao lado do torturado e daqueles que arriscam a vida pela sua liberdade. No video, "The Partisan", de Leonard Cohen, que, com o seu carrasco, foi, durante meses, a companhia Maziar Bahari.



Prisão de Evin, 21 de Junho de 2009 (cerca das 10h)

O interrogador fez-me sentar numa cadeira de madeira, semelhante à que eu tinha na escola primária. Mandou-me olhar para baixo, apesar de eu já estar de olhos vendados. “Nunca olhe para cima, Sr. Bahari. Enquanto estiver aqui — e não sabemos quanto tempo vai estar aqui —, nunca olhe para cima.” Tudo o que eu conseguia ver por baixo da venda eram os seus chinelos de cabedal preto. “Sr. Bahari, você é agente de organizações secretas estrangeiras”, começou ele. Vira-o de relance quando ele e os seus homens me tinham arrastado para fora da cama e prendido, algumas horas antes. Ele era mais pesado — soube depois que os guardas lhe chamavam “O Grandão” —, mais alto e mais volumoso do que eu, com uma cabeça enorme. A sua pele era escura, como a dos naturais do sul do Irão. Usava óculos de lentes grossas. Mas agora só o reconhecia pela voz, pelo hálito e pelo perfume de água de rosas usado pelos homens que fazem piamente as suas abluções diversas vezes por dia antes das orações mas que raramente tomam um duche. Podia ver os chinelos do Sr. Rosewater (Água de Rosas) mesmo diante dos meus sapatos. “Pode-me dizer quais?”, murmurei. “Fale mais alto!”, gritou ele. Debruçou-se sobre mim, com a cara a dois centímetros da minha. Dava para lhe sentir a respiração. “O que é que você disse?”

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“Perguntava se teria a bondade de me dizer quais são essas organizações”, repeti.
“CIA, MI6, Mossad e ‘Newsweek’.” Fiquei espantado pela segurança do Sr. Rosewater. Na altura não sabia para que ramo do dividido Governo iraniano ele trabalhava. Quando fui preso, centenas de milhares de manifestantes enchiam as ruas de Teerão, indignados com a disputada reeleição do Presidente Mahmoud Ahmadinejad. Tinham-se registado cenas de violência. Milícias empunhando bastões, conhecidas como Basij, haviam atacado os manifestantes, homens como mulheres. Alguns dos manifestantes tinham ripostado. O aiatola Ali Khamenei, líder supremo do Irão, mandara parar as manifestações, mas ninguém sabia se isso iria acontecer. Pelo menos, ninguém fora da prisão de Evin tinha a certeza disso. O Sr. Rosewater era outra coisa.

Descobriria mais tarde que fora escolhido pelo departamento dos serviços secretos dos Guardiães da Revolução Islâmica (GRI). Antes das eleições de Junho, esta unidade da guarda era pouco conhecida; sempre que jornalistas e intelectuais tinham problemas com as autoridades, eram interrogados pelo ministério oficial dos Serviços de Informação. Mas os GRI, que reportam directamente a Khamenei, tornaram-se mais poderosos. Muita gente desconfia que foram os Guardiães que falsificaram os resultados eleitorais. Uma coisa é certa: foram eles que aplicaram as medidas de repressão que se seguiram.

Os serviços de informação dos GRI são agora responsáveis pela segurança interna do Irão, o que significa que a sua violenta paranóia se propagou ao regime. Mas há entidades no interior do regime que sabem tomar decisões racionais sobre os interesses externos do Irão; se não houvesse, eu ainda estaria na prisão. Contudo, os Guardiães estão a agudizar os piores instintos da República Islâmica, a sua insegurança e profunda desconfiança. Numa altura em que as potências mundiais tentam levar Teerão a moderar a ameaça do seu programa nuclear, é crucial que compreendam esta mentalidade e o papel dos GRI no sistema iraniano. Aprendi muito sobre ambos enquanto estive nas mãos dos Guardiães.

O Sr. Rosewater ia ser o meu adversário durante 118 dias, 12 horas e 54 minutos. Nunca me disse o seu nome. Só por duas vezes lhe vi o rosto. A primeira foi quando conduziu a equipa que me deteve. “Esta prisão pode ser o fim da linha para si se não cooperar”, foram as suas palavras de boas-vindas. A segunda e última vez foi depois de eu ser libertado — e avisado por ele para nunca falar sobre o que me acontecera na prisão. Se desobedecesse, disse ele, seria perseguido. “Conseguimos enfiar uma pessoa num saco esteja ela onde estiver no planeta”, disse ele, ameaçador. “Ninguém nos consegue fugir.”

Não acreditei nele. Não acredito nele. Mas a dúvida persiste, que é o que ele desejava — e o que o regime que serve deseja para todos nós, afinal.

Avenida Vali Asr, 21 de Junho de 2009 (pouco antes das 8h)

Quatro deles vieram à minha procura. Disseram à minha mãe que tinham uma carta para mim, depois mostraram-lhe qualquer coisa semelhante a um mandato e seguiram-na para dentro de casa. Ela acordou-me com suavidade. “Querido, estão aqui quatro senhores... do gabinete do procurador? Não sei. Dizem que querem levar-te com eles.” O seu tom de voz era sereno. O meu pai fora preso repetidamente na década de 50 por conspiração contra o regime do Xá. Ela sabia o que dizer.

Os homens adoptaram um estranho código de etiqueta. Tiraram os sapatos quando entraram no apartamento e depois, quando fizeram buscas no meu quarto, recusaram a oferta de chá da minha mãe. Disseram-me mais tarde que não gostavam de abusar da amabilidade dos familiares daqueles que prendiam. Porém, a possibilidade de estarem a prender um inocente não os parecia perturbar. Nos começos da revolução, o aiatola Ruhollah Khomeini emitiu um decreto: “Manter vivo o sistema [islâmico] é a tarefa mais importante de um muçulmano.” Nas suas mentes, apenas executavam o seu dever religioso.

Três dos homens tinham um aspecto frio de contabilistas. O Sr. Rosewater era claramente o chefe. Vestia um fato castanho e uma camisa branca. Quando entrou no quarto, avaliou-me como se eu fosse uma presa. Podia ver-lhe um revólver por baixo do casaco, mas a forma como me fixava dava para entender que preferia usar o seu olhar como arma.

Havia cinco carros à espera lá fora, todos sem matrícula. Ninguém estava fardado nem exibia insígnias. Ao afastarmo-nos num carro, perguntei a um dos meus sequestradores se íamos a caminho da prisão de Evin. “Talvez sim, talvez não”, disse ele. Depois mandaram-me tirar os óculos e pôr uma venda nos olhos. Dei uma última olhadela à minha volta. Estávamos na auto-estrada do Curdistão, virados a norte. Íamos sem dúvida para Evin.

Construída em finais da década de 60, durante o reinado do Xá, como cadeia de alta segurança para prisioneiros políticos, a prisão de Evin tornou-se sinónimo de unhas arrancadas e ossos partidos. Os primeiros reclusos eram maioritariamente comunistas e islamitas. Depois da revolução de 1979, os islamitas puseram atrás das grades os seus captores, bem como os seus antigos companheiros de cela que fossem de esquerda. Utilizaram algumas das mesmas técnicas dos antecessores, mas com mais eficácia. Muitos dos que tinham resistido aos torturadores do Xá quebraram em poucos dias sob a nova gestão.

“Bem-vindo a Abu Ghraib, Guantánamo ou o que quer que seja que vocês, americanos, constroem”, disse-me um guarda.
“Não sou americano, meu irmão”, respondi com um sorriso.
“Se trabalha para eles, é um deles”, disse ele. “Mas não se preocupe. Isto aqui não é um mau lugar.”

Fui levado para a minha cela. Em tempos entrevistei um antigo guerrilheiro islâmico que se tornara ministro do Governo. O problema com a polícia secreta do Xá, disse ele, era que pensavam que podiam quebrar a vontade de um preso através da pressão física, mas muitas vezes isso só servia para reforçar a determinação da vítima. “O que os nossos irmãos depois da revolução conceberam foi o modo de sujeitar a alma de um homem sem usar muita violência física.” Ao entrar na minha cela, perguntava-me até que ponto era violenta a tal “sem muita violência”.

Tirei a venda dos olhos. O Corão diz que um dos piores castigos que Alá pode infligir aos pecadores é tornar mais pequenas as suas sepulturas. A minha cela de dois metros quadrados assemelhava-se a uma sepultura. As paredes eram uma imitação de mármore, de um branco sujo, e estavam limpas, mesmo imaculadas, excepto no que respeita a alguns aforismos provocadores e poesia persa numa letra pequena e ilegível. Três frases estavam escritas em letra maior: “Meu Deus, tem piedade de mim”, “Meu Deus, eu arrependo-me” e “Deus, ajuda-me por favor”...

Londres, Novembro de 2009

Paola, a minha mulher, está sentada no sofá a dar de mamar à nossa filha Marianna, nascida há duas semanas. Estamos a ouvir uma das canções que me não saíam da cabeça em Evin e que me ajudaram a encontrar alguma paz dentro de mim: ‘Hey, That’s No Way To Say Goodbye’, de Leonard Cohen: I loved you in the morning, Our kisses deep and warm, Your hair upon the pillow Like a sleepy golden storm. (Amei-te de manhã, Nossos beijos profundos e quentes, O teu cabelo sobre a almofada Como uma vagarosa tempestade dourada.)

Para mim, esses versos representavam Paola. É deste tipo de coisas de que é feita a sobrevivência. A música foi o meu verdadeiro refúgio. Obrigado, Sr. Cohen.

Prisão de Evin, 22 de Junho de 2009 (cerca das 4h da manhã)

Um guarda despertou-me e disse-me que depois das orações da manhã me ia encontrar de novo com o meu ‘especialista’, a palavra que os guardas prisionais tinham de utilizar para designar os interrogadores. Seria a minha terceira sessão no espaço de 24 horas.

Quando o Sr. Rosewater entrou na sala do interrogatório ouvi-o bocejar. Perguntou-me se eu queria metade do pepino descascado e temperado que estava a comer. Quando recusei, sentiu-se insultado. “O que é? Pensa que os interrogadores não lavam as mãos?” Comi o pepino. Ele queria que eu lhe falasse de um jantar onde estivera com mais oito jornalistas e fotógrafos em casa de um amigo em Teerão, em Abril, diversas semanas antes das eleições. “Você faz parte de uma rede muito americana, Sr. Bahari”, disse. “Deixe-me corrigir: você tem a seu cargo uma rede secreta americana, um grupo que inclui aqueles que foram a esse jantar.” “Foi só um jantar”, murmurei. “Sim. Um jantar muito americano. Podia ter acontecido em New Jersey ou noutro local semelhante.” Fez uma pausa. “A sua própria New Jersey em Teerão.”

“Você estava a planear erradicar a religião pura de Maomé neste país e substituí-la pelo Islão ‘americano’. Um Islão de New Jersey... Diga-me, algumas das mulheres no jantar estavam de véu?” “Não.” “Então não me venha dizer que não tinha uma rede secreta americana. Uma rede de New Jersey.”

Nasci em Teerão e vivi lá os primeiros 19 anos de vida, até ir estudar para o Canadá e a Grã-Bretanha e aí começar a minha carreira de jornalista e realizador de documentários. Regressei em 1998 e fiz filmes e reportagens para a “Newsweek”. Mas até ser preso nunca reconhecera plenamente a suspeita corrosiva que está a perverter a República Islâmica desde o seu interior. Os Guardiães vêem verdadeiros inimigos a toda a volta — reformistas no interior do país, centenas de milhares de soldados americanos lá fora. Ainda pior são os supostos agentes-sombra da Grã-Bretanha, Estados Unidos e Israel — aos quais impõem a sua lógica temível e a sua história reinventada. Só os muçulmanos, só eles são vítimas.

O que se passa é que eu devo ser o único realizador iraniano ou mesmo muçulmano que fez um filme sobre o Holocausto (“The Voyage of the Saint Louis”, em 1994). O Sr. Rosewater sentia-se ofendido por isso e esforçou-se arduamente por me ligar àquilo que ele chamava ‘elementos’ judeus e sionistas. No seu léxico, eram raras as pessoas judias. Só havia ‘elementos’.

Prisão de Evin, 26 de Junho de 2009 (depois das orações da tarde)

O Sr. Rosewater não estava só. Podia ouvir que havia mais alguém na sala, outro interrogador. Este queixava-se das minhas respostas escritas a perguntas sobre diversos indivíduos. Quando se aproximou de mim, vi que calçava uns sapatos pretos reluzentes. As calças eram bem engomadas e vincadas. “Sr. Bahari, as suas respostas são muito gerais. Temos esperança que nos possa dar respostas mais detalhadas”, disse ele.

“Eu só escrevo aquilo que sei, senhor. E, se lhe der mais pormenores, isso significa que estou a mentir.”

“Bem”, disse o Sr. Rosewater, que até aí se tinha mantido em silêncio, “nós temos gravações em vídeo de si muito interessantes. Isso pode convencê-lo a ser mais colaborante.” Não conseguia imaginar o que poderia ser. Algo pessoal? Algo que pudesse comprometer os meus amigos? Mas... recordei a mim próprio que não fizera nada de mal.

Poucas semanas antes, centenas de repórteres estrangeiros tinham sido autorizados a entrar no país no período que antecedera as eleições. Entre eles estava Jason Jones, um ‘correspondente’ do “Daily Show”, o noticiário satírico de Jon Stewart. Jason entrevistou-me num café de Teerão, fingindo ser um americano imbecil. Vestia-se como uma personagem de um filme barato sobre mercenários no Médio Oriente — com um lenço palestiniano aos quadrados em volta do pescoço e óculos de lentes muito escuras.

A ‘entrevista’ foi muito curta. Jason perguntou-me porque é que o Irão era ruim. Respondi-lhe que o Irão não era ruim. Acrescentei que, na verdade, o Irão e a América partilhavam muitos inimigos e tinham em comum muitos interesses. Mas os interrogadores não estavam interessados no que eu estava a dizer. Estavam fixados em Jason.

“Porque é que este americano está vestido como um espião, Sr. Bahari?”, perguntou o segundo homem.
“Ele está a fingir que é um espião. Faz parte de um espectáculo de comédia”, respondi.
“Diga a verdade!”, gritou o Sr. Rosewater. “O que é que tem de engraçado sentar-se à mesa de um café usando um kaffiyeh e óculos de sol?”
“É só uma piada. Espero que não estejam a insinuar que ele é um espião verdadeiro.”
“Pode dizer-nos porque é que um jornalista americano a fingir que é um espião o escolheu para ser entrevistado?”, perguntou o homem das calças vincadas. “Sabemos pelos nossos contactos e fontes que lhes disse quem deviam entrevistar para o programa.”

Os outros iranianos entrevistados por Jason — um ex-vice-presidente e um ex-ministro dos Negócios Estrangeiros — haviam sido detidos uma semana antes de mim como parte das radicais medidas de força dos GRI.

“Trata-se apenas de comédia”, disse eu, sentindo-me fraco.
“Também acha que é engraçado ter dito que o Irão e a América têm muito em comum?”, perguntou o Sr. Rosewater, declarando que estava a perder a paciência comigo. Agarrou a minha orelha esquerda entre os polegares e começou a torcê-la como se estivesse a espremer um limão. Depois segredou-me: “Este tipo de comportamento não o vai ajudar. Muitas pessoas apodreceram nesta prisão. Você pode ser uma delas.”

Prisão de Evin, 29 de Junho de 2009 (depois da meia-noite)

Estava a dormir profundamente quando um guarda abriu a porta da minha cela: “Levante-se! Hora do especialista!”

O Sr. Rosewater não me disse olá como de costume. Arrancou-me das mãos do guarda. “O divertimento acabou”, gritou. Empurrou-me com tanta força que quase caí no chão. Depois agarrou-me por um braço e começou a arrastar-me. Sentia-lhe a respiração pesada enquanto ele repetia: “Acabou a bondade islâmica, meu espiãozinho, vamos mostrar-te o que podemos fazer contigo!... Vais ver do que somos capazes.”

Empurrou-me para dentro de uma sala. Parecia haver muita gente lá, sussurrando uns para os outros. O cheiro a suor e a água de rosas era forte. De repente, a sala irrompeu numa cacofonia de saudações. Todos queriam cumprimentar alguém a quem chamavam Haj Agha. O epíteto significa literalmente alguém que foi a Meca em peregrinação, mas entre as autoridades iranianas significa respeito pela hierarquia. Alguém me pegou na mão e a colocou na mão de Haj Agha.

“Salaam, Sr. Bahari”, disse ele. “Sabe porque está aqui?” A voz pareceu-me familiar, como a de um conhecido propagandista do regime que tem um programa na televisão iraniana. Ele não queria decididamente ser reconhecido e disse-me para manter os olhos bem cobertos. Perguntou a alguém: “O carro já chegou?” Depois falou de novo para mim: “Sr. Bahari, é suspeito de espionagem. Esteve em contacto com diversos espiões conhecidos.” Nomeou alguns dos meus amigos, na maioria artistas e intelectuais iranianos no exílio. Um carro vinha-me buscar para me levar para uma unidade de contra-espionagem, disse ele. Aí seria interrogado durante mais de 15 horas por dia e sujeito a “todas as tácticas” até falar. A investigação levaria “entre quatro a seis anos”. Podia ser condenado à morte. Perdi-me nos meus pensamentos sobre a minha mãe, sobre Paola, sobre o nosso filho ainda por nascer. Como é que os tinha colocado nesta situação? Eu era um mau filho, pensei, um mau marido, um mau pai.

“A não ser que”, disse Haj Agha, fazendo uma pequena pausa, “a não ser que esteja interessado numa negociação, Sr. Bahari.”

Pouco tempo depois da minha detenção, para além de me acusarem de trabalhar para diversas agências de espionagem, o Sr. Rosewater repetira que eu tinha “sido o cérebro da cobertura das eleições pelos agentes dos meios de comunicação ocidentais no Irão”. Isto recordava-me um medo que me era familiar. O ayatollah Khamenei gostava de avisar os iranianos sobre uma “NATO cultural” tão ameaçadora como a militar — uma rede de jornalistas, activistas, intelectuais e advogados que supostamente procuravam minar a República Islâmica a partir de dentro.

Qualquer pessoa que passasse pelas ruas de Teerão em Junho perceberia como foram espontâneos — e sem líderes — os protestos que se seguiram às eleições. Mas Khamenei e os Guardiães acreditavam claramente — ou pelo menos queriam que os iranianos acreditassem — que tinham sido orquestrados por estrangeiros. Chamaram à conspiração uma “revolução de veludo” ou um “derrube sem violência”. “Vocês são piores do que qualquer sabotador ou assassino”, tinha-me dito, furioso, o Sr. Rosewater naquele primeiro dia. “Esses criminosos destroem um objecto ou uma pessoa. Vocês destroem a mente e provocam as pessoas contra o Líder.”

Em persa existe uma palavra muito poética, jafaa, que se refere a todos os agravos que cometemos contra aqueles que nos amam. De acordo com o Sr. Rosewater, eu era culpado de jafaa contra Khamenei. Agora devia arrepender-me.

Na manhã seguinte fui levado ao gabinete de Haj Agha. Tinham sido montadas máquinas de filmar em tripés. O Sr. Rosewater estava sentado atrás de uma cortina e dava as perguntas aos repórteres de três meios de comunicação estatais. “Dê as suas respostas tão clara e articuladamente quanto puder... claro, nas suas próprias palavras”, ordenou-me Haj Agha. Eu devia explicar como é que a revolução de veludo era encenada — por estrangeiros e elites corruptas, utilizando os meios de informação ocidentais — e como só a sabedoria e generosidade do Líder Supremo haviam frustrado esta última tentativa.

Tentei manter as minhas respostas tão vagas quanto possível, esperando dar deste modo a impressão de um distanciamento irónico (uma fonte do antigo ministério dos Serviços de Informação dir-me-ia mais tarde que o meu solilóquio foi um “caso de estudo de como não dizer nada”).

Prisão de Evin, 4 de Julho de 2009 (algumas horas depois das orações do meio-dia)

Depois da ‘confissão’, segundo me prometera Haj Agha, seria libertado em breve. Mas na vez seguinte que vi o corpulento Rosewater, ele fechou a porta da sala do interrogatório e, pela primeira vez, começou a bater-me. As suas mãos sapudas atingiram-me com dureza na nuca e nos ombros. “Pensava que tínhamos um entendimento!”, protestei, tentando proteger o corpo.

Os espancamentos continuariam desde esse momento até fins de Setembro. O Sr. Rosewater não me batia enquanto me fazia perguntas. Batia-me antes ou depois. Disse-me que o fazia porque estava zangado. “O que fizeste, Mazi, faz-me ferver o sangue. Eu não quero levantar a minha mão contra ti, mas o que sugeres tu que eu faça a alguém que insultou o Líder?” Afirmava que o seu próprio pai fora prisioneiro político antes da revolução de 1979 e que os torturadores do Xá lhe tinham arrancado as unhas dos pés tão brutalmente que ainda hoje não podia caminhar bem. Devia sentir-me um sortudo, insinuava ele.

Não me sentia. O que eu mais odiava era quando ele me chamava Mazi. Só os amigos mais chegados e a família me chamam Mazi. O diminutivo é familiar, afectivo. Na sua voz, soava obsceno.

Londres, Novembro de 2009

As equimoses tinham quase desaparecido quando cheguei a Londres, mas Paola ficou chocada com a minha magreza. Uma das primeiras coisas que o Sr. Rosewater me prometera fora que enviaria o meu esqueleto para casa. E tinha razão. Perdi mais de 11 quilos na prisão. Compreendi rapidamente que para aguentar os interrogatórios precisava de estar em forma, tanto física como mentalmente. Fazia talvez cinco horas por dia de exercícios na minha cela minúscula. Fazia 500 abdominais e 60 flexões. Fazia ioga.

Durante algum tempo foi-me permitido passear no pátio da prisão durante 30 minutos de manhã e 30 minutos à tarde. Eles punham seis ou sete reclusos ao lado uns dos outros e nós andávamos para trás e para a frente com os olhos vendados. Os guardas chamavam-lhe o hava khori — literalmente, ‘apanhar ar fresco’. Era a única vez que conseguia ver o céu, podia levantar a cabeça e espreitar por baixo da venda. No princípio, não sabia como caminhar de olhos vendados. Mas rapidamente memorizei o número de passos entre as paredes do pátio. E comecei mesmo a fazer corrida. O meu verdadeiro refúgio, contudo, era a música. Tribunal Revolucionário, 1 de Agosto de 2009 (antes do meio-dia) Ia de olhos vendados enquanto seguíamos de carro. “Mazi, hoje podes prestar um grande serviço a ti e ao país”, tinha-me dito o Sr. Rosewater num dos interrogatórios antes de amanhecer. “Queres ficar livre, não queres?” “Sim”, disse eu em voz baixa. “Portanto, tudo o que tens a fazer é repetir o que Haj Agha te ensinou sobre ‘revoluções de veludo’ numa conferência de imprensa.” Depois deu-me diversas palmadas nas pernas até elas me começarem a doer. “Mas desta vez precisamos de nomes. Precisamos de saber quem são os agentes da ‘revolução de veludo’. Precisamos de nomes, Mazi. Sem nomes, significa forca. Compreendido?”

Quando esperava no tribunal, nessa manhã, não fazia a mínima ideia de que noutra sala mais de 100 prisioneiros maltratados — muitos deles destacadas figuras reformistas e ex-ministros do Governo — estavam sentados no banco dos réus enquanto um delegado do MP lhes lia um longo e estranho relato dos seus papéis na suposta “revolução de veludo”. Dois deles — o antigo vice-presidente Mohammad Ali Abtahi e o antigo vice-ministro do Interior Mohammad Atrianfar — foram mais tarde apresentados para ‘confessarem’ os seus papéis aos repórteres dos meios de comunicação estatais.

A minha vez chegou depois do almoço. Comemos frango grelhado e bebemos dough, uma bebida saborosa de iogurte, semelhante ao lassi. O Sr. Rosewater deu-me a sua bebida, dizendo que tinha de ter cuidado com a tensão arterial. “Nomes, Mazi, nomes”, recordava-me ele.

De novo não lhe forneci nenhum. Claro que conhecia políticos reformistas — como qualquer jornalista iraniano veterano. Muitos deles, na verdade, também tinham sido destacados revolucionários; com o tempo, haviam concluído que o que tinham ajudado a instaurar só poderia sobreviver se se modernizasse. Isto era heresia para a nova geração dos comandantes dos Guardiães. Estes conservadores emergiram depois da guerra Irão-Iraque, convencidos de que o Irão não tinha amigos no estrangeiro, apenas inimigos — e era dominado por um Governo corrupto e ímpio. Do seu ponto de vista, a velha guarda precisava de ser expurgada do sistema tão profundamente como tinham sido os amigos do Xá.

Era evidente que o Sr. Rosewater queria que eu implicasse estes reformistas, para os ligar aos meus patrões dos meios de comunicação no Ocidente. Ao meu lado, sentado num estrado, estava outro prisioneiro, Kian Tajbaksh, um académico iraniano-americano que trabalhava para o Open Society Institute, dirigido por George Soros, um verdadeiro papão para os Guardiães. O facto de o Governo nos ter autorizado aos dois a fazer o nosso trabalho apenas confirmava as suspeitas dos Guardiães relativamente ao establishment iraniano. “Aqueles que vos deram autorização são ainda mais culpados do que vocês”, disse-me um dia o Sr. Rosewater.

Quando terminámos, eu sabia o que me esperava de regresso a Evin. Na sala de interrogatórios, o Sr. Rosewater espancou-me sem dizer uma palavra. Nem era preciso explicar.

Prisão de Evin, Agosto de 2009

Dia após dia, horas após horas sem fim, os interrogatórios prosseguiam, cada vez mais
surrealistas nos seus contornos de conspiração infame. Inicialmente, o Sr. Rosewater pedira-me as passwords do meu e-mail e do Facebook, por isso possuía uma longa lista de contactos para me atormentar com perguntas sobre cada um deles.

Prisão de Evin, 17 de Setembro de 2009 (cerca das 9h)

“É muito estranho que ainda ninguém tenha dito nada sobre si”, disse-me um dia o Sr. Rosewater. “Não tem amigos nem parentes?” Pensei que ele estava a fazer bluff, mas não tinha a certeza. O pior pesadelo de um prisioneiro é pensar que foi esquecido. Então, numa manhã de Setembro, o guarda mais simpático da prisão, com quem eu trocava anedotas obscenas, abriu a porta da minha cela e disse-me: “Sr. Hillary Clinton, pode ir agora fazer o hava khori.”

Fiquei perplexo. “Porquê Hillary Clinton?”, perguntei-lhe. “Ela falou sobre si ontem à noite”, disse ele, referindo-se aos comentários que a secretária de Estado dos Estados Unidos fizera ao seu homólogo canadiano. Fiquei eufórico. Isto significava que havia pressão internacional para me libertarem.

Em Setembro comecei a ver sinais de que os Guardiães estavam sob pressão para me libertar. Primeiro permitiram-me telefonar à minha mãe, depois participar num jantar iftar durante o Ramadão. Também me deixaram telefonar a Paola — para a avisar que devia parar de dar entrevistas (felizmente, ela percebeu que a mensagem significava que devia era dar mais). O Sr. Rosewater começou a dizer que queria libertar-me antes de o meu bebé nascer, no fim de Outubro. Onze dias antes da minha libertação, tiraram-me da solitária e levaram-me para uma cela com quatro conhecidos reformistas, incluindo Atrianfar. Tínhamos televisão.

Um responsável iraniano desencantado disse-me recentemente que os Guardiães impediram a minha libertação durante semanas; o Sr. Rosewater estava entre os que mais reclamavam que eu fosse julgado rápida e severamente. Duvido que ele se tenha alguma vez preocupado com as múltiplas campanhas de pressão que a “Newsweek” e outros lançaram em meu apoio — os editoriais e petições, as iniciativas diplomáticas, os discretos esforços pessoais de líderes mundiais. Em Setembro, com o Irão à beira das conversações sobre o poder nuclear, puderam argumentar que eu me tinha tornado um motivo de preocupação. “Na prisão, você era mais um risco do que uma vantagem”, disse-me o desencantado responsável.

Londres, Novembro de 2009

Sinto-me nervoso mas satisfeito enquanto digito as palavras no meu portátil: “Não me contacte mais. Nunca fiz espionagem para ninguém. Não vou agora começar a fazer espionagem para vocês.”

Envio o e-mail para o endereço que o Sr. Rosewater me deu. Nos dias anteriores à minha libertação, ele tinha-me forçado a assinar um documento dizendo que eu teria de “cooperar com os irmãos dos Guardiães da Revolução” quando fosse para fora do país. Deu-me uma lista de nomes sobre os quais devia dar informações, que incluía a maioria dos meus amigos iranianos em Londres e noutras cidades ocidentais. Deu-me o endereço de e-mail para eu utilizar.

Na noite anterior a deixar o país, pediu para me encontrar com ele num hotel da baixa de Teerão. O seu olhar era tão ameaçador como no dia em que me prendeu. “Esperamos ter uma cooperação construtiva consigo no futuro”, disse um outro homem que estava com ele, num tom tranquilizante. Sorri e acenei com a cabeça educadamente. Do sr. Rosewater ouvi: “Lembre-se do saco, Sr. Bahari. Lembre-se do saco”, foram essas as suas últimas palavras.

Em vez disso, é de outra coisa que me estou a lembrar: da minha filha recém-nascida que tenho nos braços. O seu nome é Marianna Maryam Bahari.


por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
118 Days, 12 Hours, 54 Minutes


Evin Prison, June 21, 2009 (around 10 a.m.)
The interrogator sat me in a wooden chair. It had a writing arm, like the chair I'd had in primary school. He ordered me to look down, even though I was already blindfolded: "Never look up, Mr. Bahari. While you are here—and we don't know how long you're going to be here—never look up." All I could see from under the blindfold was the interrogator's black leather slippers. They worried me. He had settled in for a long session.

"Mr. Bahari, you're an agent of foreign intelligence organizations," he began. I had gotten a look at him when he and his men had dragged me out of bed and arrested me a few hours earlier. He was heavyset—I later learned that the guards called him "the big guy"—taller and wider than me, with a massive head. His skin was dark, like someone from southern Iran. He wore thick glasses. But I would know him now only by his voice, his breath, and the rosewater perfume used by men who piously do their ablutions several times a day before prayers, but rarely shower.

I could see Mr. Rosewater's slippers right in front of my foot. He was towering over me.

"Could you let me know which ones?" I mumbled.

"Speak louder!" he shouted. He bent toward me, his face an inch away from mine. I could feel his breath on my skin. "What did you say?"

"I was wondering if you could be kind enough to let me know which organizations," I repeated.

"CIA, MI6, Mossad, and NEWSWEEK." He listed the names one by one, in a low but assured voice.

I was struck by Mr. Rosewater's confidence. I did not know then exactly which branch of the fractured Iranian government he worked for. When I was arrested, hundreds of thousands of protesters had been filling the streets of Tehran for a week, outraged over the disputed reelection of Iranian President Mahmoud Ahmadinejad. There had been violence. The club-wielding militias known as Basij had inflicted much of it on the marchers, women as well as men. But some of the protesters had fought back too. Ayatollah Ali Khamenei, Iran's Supreme Leader, had decreed that the protests stop, but nobody at that point was sure they would. At least, nobody outside Evin Prison was sure. Mr. Rosewater was another matter.

I would later discover that I had been picked up by the intelligence division of the Islamic Revolutionary Guard Corps, or IRGC. Before the June election, this unit of the Guards was little known; whenever journalists and intellectuals ran afoul of the authorities they were usually questioned by the official Ministry of Intelligence. But the IRGC, which reports directly to Khamenei, had been growing dramatically more powerful. Many suspect that the Guards rigged the election. Certainly they led the crackdown that followed.

IRGC intel is now responsible for Iran's internal security, which means that its rampaging paranoias have suffused the regime. There remain players within the system who can make rational decisions about Iran's international interests; if there weren't, I would still be in jail. But the Guards are exacerbating the Islamic Republic's worst instincts, its insecurity and deep suspiciousness. As world powers try to engage Tehran to mitigate the threat of its nuclear program, it's critical that they understand this mindset and the role the IRGC now plays within the Iranian system. I learned all too much about both while in the Guards' hands.

Everything was an education inside Evin—from the questions Mr. Rosewater asked, to what answers made him beat me, to physical details. Now, for instance, I studied his slippers and light-gray socks. In Iran, low-ranking functionaries often wear shabby plastic sandals, and they have holes in their socks. That first day I was hoping Mr. Rosewater was only a junior agent, a flunky trying to make himself sound important. I was hoping to find a hole in his socks. But there wasn't one. His slippers looked as if they had been polished.

Mr. Rosewater was to be my nemesis for 118 days, 12 hours, and 54 minutes. He never told me his name. I saw his face only twice. The first time was when he led the team that arrested me. "This prison can be the end of the line for you if you don't cooperate" were his welcoming words. The second and last time was after I was freed—and warned by him never to speak of what had happened to me in jail. If I disobeyed, he said, I would be hunted down. "We can put people in a bag no matter where in the world they are," he said menacingly. "No one can escape from us."

I did not believe him. I do not believe him. But the doubt lingers, which is what he wanted—what the regime he serves wants from all of us, in fact. They are masters of uncertainty, instilling it among their enemies, their subjects, their friends, perhaps even themselves.

If he could, Mr. Rosewater would threaten me for the rest of my life. But 118 days was enough. I do not want to be his captive any longer.

Vali Asr Avenue, June 21, 2009 (a few minutes before 8 a.m.)
Four of them came for me. They told my mother they had a letter for me, then showed her something resembling a warrant and followed her inside. She woke me gently. "Dear, there are four gentlemen here from...the prosecutor's office? I don't know. They say they want to take you away." Her tone was even. My father had been jailed repeatedly in the 1950s for fighting against the shah's regime. She knew what to say.

The men adhered to a strange code of etiquette. They took off their shoes when they entered the apartment, and later, while searching my room, they declined my mother's offer of tea. They told me later that they did not like to impose on the families of those they arrested. One even apologized to my mother for using a Kleenex to wipe away his sweat while going through my personal belongings. The possibility that they might be arresting an innocent man, however, did not seem to trouble them. Early in the revolution Ayatollah Ruhollah Khomeini had issued a decree: "Keeping the [Islamic] system alive is the most important task of a Muslim." In their minds they were simply carrying out their religious duty.



I took off the blindfold.

The Quran says that one of the worst punishments Allah inflicts upon sinners is to make their graves smaller. My 20-square-foot cell was like a tomb. The walls were made of faux marble. They were off-white, and the texture of the stone reminded me of an old man's pale, transparent skin. You could see grayish-blue veins. The walls were clean, even spotless, except for some defiant aphorisms and Persian poetry in small, crabbed handwriting. Three sentences were written larger than others: "My God, have mercy on me," "My God, I repent," and "Please help me, God."

London , November 2009
My wife, Paola, is breast-feeding our 2-week-old daughter, Marianna, on the couch. The little girl is enjoying every drop of milk. No Madonna and child were ever more beautiful. We are listening to one of the songs that kept playing in my head in Evin, that helped me tune out what was happening and find some peace inside myself—"Hey, That's No Way to Say Goodbye," by Leonard Cohen:

I loved you in the morning,

Our kisses deep and warm,

Your hair upon the pillow

Like a sleepy golden storm.

Those lines became Paola for me, part of a whole musical refuge of lyrics and melodies. Of such stuff is survival made. Thank you, Mr. Cohen.

Evin Prison, June 22, 2009 (around 4 a.m.)
A guard woke me and told me that after morning prayers I would meet again with my "specialist," which is what the prison guards were told to call the interrogators. This would be my third session in 24 hours.

When Mr. Rosewater came into the interrogation room I could hear him yawning. He asked if I wanted half of the peeled-and-salted cucumber he was eating. When I declined, he was insulted. "What? Do you think that interrogators don't wash their hands?" I said OK, and I ate.

Mr. Rosewater wanted me to tell him about a dinner I'd attended with eight other journalists and photographers at a friend's house in Tehran in April, several weeks before the election. "You are part of a very American network, Mr. Bahari," he said, as if summing up his case in a courtroom. "Let me correct myself: you are in charge of a secret American network, a group that includes those who came to that dinner party."

"It was just a dinner," I murmured.

"Yes. A very American dinner. It could have happened in…New Jersey, or someplace like that." He paused. "Your own New Jersey in Tehran."

The strangeness of the accusation was unsettling. New Jersey?



"You've been to New Jersey, haven't you, Mr. Bahari?" The thought seemed to infuriate him, and I was struck by the feeling that for some reason he might have wanted, secretly, to go to New Jersey himself. The worst thing that can happen in any encounter with Islamic Republic officials is for them to think that you're looking down on them.

"It's not a particularly nice place," I said, trying to sound conversational.

"I don't care. But it is as godless as what you wanted to create in this country."

"I'm sorry. I don't understand."

"You were planning to eradicate the pure religion of Muhammad in this country and replace it with 'American' Islam. A New Jersey Islam." He was building his case, and my responses were irrelevant. "Tell me," he said, "did any of the women at the dinner party have their veils on?"

"No."

"Then don't tell me that you didn't have a secret American network. A New Jersey network."

I was born in Tehran and lived there the first 19 years of my life, before going to Canada and Britain for my studies and to begin my career as a journalist and documentary filmmaker. I returned in 1998, making movies and reporting for NEWSWEEK. But until my imprisonment I had never fully appreciated the corrosive suspicion that is rotting the Islamic Republic from within. The Guards see real enemies all around them—reformists within the country, hundreds of thousands of U.S. troops outside. Even worse are the shadows—supposed agents of Britain, the United States, and Israel—upon whom they impose their own fearful logic and their reinvented history. Only Muslims, only they, are victims.

As it happens, I may be the only Iranian or even Muslim filmmaker who has ever made a film about the Holocaust (The Voyage of the Saint Louis, in 1994). Mr. Rosewater was offended by the very idea and worked hard to connect me to what he called Jewish and Zionist "elements." In his lexicon, Jewish persons were rare. There were only "elements."

I don't know if Mr. Rosewater had ever seen a Jewish person in his life. I think not. He had never been to New Jersey either. But he believed that he knew everything there was to know about such people and such places, and his faith in his facts was unshakable.

Evin Prison, June 26, 2009 (after evening prayers)
Mr. Rosewater was not alone. I could hear someone else in the room, another interrogator. He was complaining about my written answers to questions about different individuals. When he came closer I saw he had shiny, polished black shoes on. His trousers were neatly ironed and creased. "Mr. Bahari, your answers are very general. We hope that you can give us more detailed answers," he said. He sounded more mild-mannered than my normal tormentor. He was the good cop today, the voice of reason.

Three of the men had bland looks, like accountants. Mr. Rosewater was clearly the boss. He wore a brown suit and a white shirt. When he entered my room he sized me up like prey. I could see a revolver under his jacket, but the way he stared at me made it clear he preferred to use his gaze as his weapon, to pin me down with it. I was going to be watched like that until I broke. "Don't worry," he told my mother with a smile as they led me away. "He's going to be our guest."

There were five cars waiting outside, all unmarked. No one wore uniforms or showed badges. As we drove off I asked one of my captors if we were heading to Evin Prison. "Maybe we are. Maybe we are not," he said. Then I was ordered to take off my glasses and don my blindfold. I took a last look around. We were on Kurdistan Highway driving north. We were definitely going to Evin.

Built in the late 1960s, during the reign of the shah, as a high-security jail for political prisoners, Evin Prison soon became synonymous with pulled fingernails and broken bones. Its early residents were mostly communists and Islamists. After the 1979 revolution, the Islamists put their captors as well as many of their former leftist cellmates behind bars. They used some of the same techniques as their predecessors, but more efficiently. Many of those who had withstood the shah's torturers broke within days under the new management.

"Welcome to Abu Ghraib, Guantánamo, or whatever it is you Americans build," a guard said to me after we arrived. He spoke with an Azerbaijani accent, and sounded older. "I'm not American, my brother," I said with a smile. "You work for them, so you're one of them," he said. "But don't worry. It's not a bad place here." The old man handed me off to a guard in another building. I was taken to my cell.

I once interviewed a former Islamic guerrilla who had become a government minister. The problem with the shah's secret police, he said, was that they thought they could break a prisoner's will through physical pressure, but often that just hardened the victim's resolve. "What our brothers after the revolution have masterminded is how to break a man's soul without using much violence against his body." As I stepped into my cell I wondered how violent was "without much violence."

"I just write what I know, sir. And if I give you more details, that means I'm lying."

"Well," said Mr. Rosewater, who had been fairly quiet up to this point, "we have interesting video footage of you. That may persuade you to be more cooperative." I could not imagine what that might be. Something personal? Something that might compromise my friends? But…I reminded myself I had done nothing wrong.

I saw the flicker of a laptop monitor under my blindfold. Then I heard someone speaking. It was a recording of another prisoner's confession. "It's not that one," said the second interrogator. "It's the one marked 'Spy in coffee shop.' " Mr. Rosewater fumbled with the computer. The other man stepped in to change the DVD. And then I heard the voice of Jon Stewart on The Daily Show.

Only a few weeks earlier, hundreds of foreign reporters had been allowed into the country in the run-up to the election. Among them was Jason Jones, a "correspondent" for Stewart's satirical news program. Jason interviewed me in a Tehran coffee shop, pretending to be a thick-skulled American. He dressed like some character out of a B movie about mercenaries in the Middle East—with a checkered Palestinian kaffiyeh around his neck and dark sunglasses. The "interview" was very short. Jason asked me why Iran was evil. I answered that Iran was not evil. I added that, as a matter of fact, Iran and America shared many enemies and interests in common. But the interrogators weren't interested in what I was saying. They were fixated on Jason.

"Why is this American dressed like a spy, Mr. Bahari?" asked the new man.

"He is pretending to be a spy. It's part of a comedy show," I answered.

"Tell the truth!" Mr. Rosewater shouted. "What is so funny about sitting in a coffee shop with a kaffiyeh and sunglasses?"

"It's just a joke. Nothing serious. It's stupid." I was getting worried. "I hope you are not suggesting that he is a real spy."

"Can you tell us why an American journalist pretending to be a spy has chosen you to interview?" asked the man with the creases. "We know from your contacts and background that you told them who to interview for their program." The other Iranians interviewed in Jason's report—a former vice president and a former foreign minister—had been ar-rested a week before me as part of the IRGC's sweeping crackdown. "It's just comedy," I said, feeling weak.

"Do you think it's also funny that you say Iran and America have a lot in common?" Mr. Rosewater asked, declaring that he was losing patience with me. He took my left ear in his hand and started to squeeze it as if he were wringing out a lemon. Then he whispered into it. "This kind of behavior will not help you. Many people have rotted in this prison. You can be one of them."

London , November 2009
The morning of my "confession," I woke up humming "The Partisan," a Leonard Cohen tune about World War II re-sistance fighters:



When they poured across the border

I was cautioned to surrender,

This I could not do;

I took my gun and vanished.

The thought of resisting had crossed my mind, too. But why? I was a journalist, not a freedom fighter. Political prisoners in Iran were forced to make false confessions all the time. I'd always known they had been coerced, and had sympathized with the victims. Surely others would feel similarly about me. But even now, months later, the experience gnaws at me. My father spent four years in prison under the shah without asking for mercy. What would he think of his son apologizing to the Supreme Leader after eight days?

Evin Prison, June 29, 2009 (after midnight)
I was deep asleep when a guard opened the door to my cell. "Get up! Specialist time!" Mr. Rosewater did not say hello as usual. He dragged me away from the prison guard. "The fun is over!" he said. He pushed me several times so hard that I almost fell on the ground. He then grabbed my arm and started to drag me along rapidly. He was breathing heavily and kept on repeating, "Islamic kindness is over. You little spy, we will show you what we can do with you. You're going to see what we are capable of." He shoved me into a room. There seemed to be several people in it, whispering among themselves. The smell of sweat and rosewater was strong.

All of a sudden the room erupted in a cacophony of greetings. Everyone wanted to say hello to someone they called "Haj Agha." The nickname literally means someone who has been to Mecca for pilgrimage, but among Iranian officials it signifies seniority. Someone took my hand and put it in Haj Agha's hand.

"Salaam, Mr. Bahari," he said. "Do you know why you are here?" His voice sounded familiar, like that of a well-known regime propagandist who has a show on Iranian TV. He definitely did not want to be recognized, and told me to keep my eyes completely covered.

He turned aside and asked someone, "Is the car here yet?" Then he addressed me again. "Mr. Bahari, you're suspected of espionage. You have been in contact with a number of known spies." He named a few of my friends, mostly Iranian artists and intellectuals in exile. A car was coming to take me to a counterespionage unit, he said. There I would be interrogated more than 15 hours a day and subjected to "every tactic" until I talked. The investigation would take "between four and six years." I could be sentenced to death.

Haj Agha made sure to say the word "death" as if he were talking about a cup of tea. In fact, he immediately said, "Would you like a cup of tea?"

"Thank you," I said. I could barely get out the words. I was lost in thoughts about my mother, about Paola, about our unborn child. How could I have put them in this situation? I was a bad son, I thought, a bad husband, a bad father.

"Unless," said Haj Agha, pausing one more time. "Unless you would be interested in a deal, Mr. Bahari."

Soon after my arrest, in addition to accusing me of working for various spy agencies, Mr. Rosewater had insisted that I'd "masterminded the coverage of the election by the agents of the Western media in Iran." This played to a familiar fear. Ayatollah Khamenei liked to warn Iranians about a "cultural NATO" as threatening as the military one—a network of journalists, activists, scholars, and lawyers who supposedly sought to undermine the Islamic Republic from within. Anyone on the streets of Tehran in June would have known just how spontaneous—even leaderless—the post-election protests had been. But Khamenei and the Guards clearly believed, or at least wanted Iranians to believe, that they had been orchestrated by foreigners. They called the plot a "velvet revolution" or a "soft overthrow." "You are worse than any saboteur or killer," Mr. Rosewater had raged on that first day. "Those criminals destroy an object or a person. You destroy minds and provoke people against the Leader."

In Persian there is a very poetic word, jafaa, that refers to all the wrongs you do to those who love you. According to Mr. Rosewater, I was guilty of jafaa against Khamenei. Now I was to repent.

The next morning I was brought to Haj Agha's office. Cameras had been set up on tripods. Mr. Rosewater sat behind a curtain and fed questions to reporters from three state-run media outlets. "Give your answers as clearly and articulately as you can—of course, in your own words," Haj Agha instructed me. I was to explain how a velvet revolution was staged—by foreigners and corrupt elites, using the Western media—and how only the wisdom and munificence of the Supreme Leader had thwarted this latest attempt.



I tried to keep my answers as vague as possible, with what I hoped would come across as ironic detachment. (A source in the old Intelligence Ministry told me later that my soliloquy was "a case study in saying nothing.") Inside I seethed as one of the "reporters" joked with Mr. Rose-water and tried to help him devise tougher questions for me.

Evin Prison, July 4, 2009 (a few hours after noon prayers)
After the "confession," Haj Agha had promised, I would be freed soon. But the next time I saw the burly Mr. Rosewater, he closed the door to the interrogation room and for the first time started to beat me.

Some police manuals, even in the West, say that hitting a prisoner with a closed fist constitutes assault, but an open-handed slap does not. Perhaps Mr. Rosewater had read such a guide. His meaty palms slapped me hard across the back of my neck and shoulders. "I thought we had an understanding, sir!" I protested as I tried to protect my body.

"Move your hands, you little spy!" he screamed. "Understanding? What stupid understandings could we have with a spy like you?"

The beatings would continue from that moment until late September. Mr. Rosewater didn't beat me while asking me questions. He beat me before or after, simply to show he was in control. He pretended not to enjoy it. At one point he told me he beat me mainly because he was angry. "What you have done, Mazi, makes my blood boil. I don't want to raise my hand against you, but what do you suggest I do with someone who has insulted the Leader?" He claimed his own father had been a political prisoner before the 1979 revolution, and the shah's torturers had pulled out his toenails so brutally that he still couldn't walk properly. I should feel lucky, Mr. Rosewater implied.

I did not. Once or twice a year I am felled by devastating migraines. Mr. Rosewater knew that, from the medication I'd brought with me to Evin, and he took particular pleasure in pounding the back of my head.

What I hated most, though, was when he called me "Mazi." Only my close friends and family call me Mazi. The nickname is familiar, affectionate. In his voice it sounded obscene. "I'm really sorry, Mazi, that your days are numbered," Mr. Rosewater would tell me. The next time I saw him, he promised, I'd be standing on a chair with a noose around my neck. He would personally kick the chair out from under me. I would not know the date of my execution in advance. But, he assured me, it would take place after morning prayers, around 4 a.m.

Weirdly, after long interrogation sessions Mr. Rosewater would sometimes start to open up. He would appear to grow weary of screaming and hitting me, kicking me, whipping me with his belt, and he would start rambling like a drunk confessing to the bartender after last call. "Many of my friends have had to divorce their wives," he told me one night. "We have to work late shifts. We have to travel without much notice, and the job puts a lot of psychological pressure on us. Not many women accept that. I adore my wife. I kiss her hands and feet for understanding me and putting up with my job."

One night about a week before the holy month of Ramadan began, his cell phone rang. It was Mrs. Rosewater. "Hello, dear," he said. "How are you?" He had his hand on my neck. "How is the honeycomb?" She must have been preparing food for the holidays. He moved his hand toward my ear and started to squeeze it. "I know, it's lovely, isn't it? It's much better than the one we had last year...I'm glad your mother liked it, too. How is she, by the way...Well, darling, he is a doctor; he knows what he is talking about…Wait a second." He hit the back of my skull as hard as he could and yelled, "Didn't I tell you to write down the damned answers?" He pushed my head down toward the chair's writing tablet. I started to write again. He continued talking with his wife. "I don't know how long I'll be here tonight. I may just sleep here. Don't wait for me for dinner." He came toward me again. With a crack, his belt hit the writing arm of the desk. "Write!" he roared.

London , November 2009
Any bruises had faded by the time I arrived in London, but Paola was shocked by how thin I was. One of the first things Mr. Rosewater had promised me was that he would send my skeleton home. He was right. I lost 25 pounds in prison.

I quickly realized that to cope with the interrogations I needed to be both physically and mentally fit. I probably exercised five hours a day in my tiny cell. I did 500 sit-ups and 60 push-ups. I did yoga. I lay on my back, kicked my legs up in the air, and bicycled.

For a while I was allowed to walk in the prison courtyard for 30 minutes in the morning and 30 minutes in the afternoon. They put six or seven of us next to each other, and we strolled back and forth with our blindfolds on. The guards called it hava khori—literally, getting fresh air. That was the only time I could see the sky, by raising my head and squinting from under my blindfold. At first I didn't know how one could walk blindfolded. But I quickly memorized the number of paces between the walls of the courtyard. I even started to jog.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Um post sobre futebol. João Pereira passou de um benfiquismo assolapado para um amor sem igual pelo Sporting. Não levo a mal e até acho natural. Faz parte da coisa. O que já me parece estranho é que o Sporting (através da Sportinveste Multimedia SA, uma das várias empresas que tomou conta de Alvalade), mande retirar do Youtube, reinvindicando "direitos autorais", vídeos em que o jogador ainda não tinha descoberto a sua entrega até à morte ao SCP. Refaço o princípio deste parágrafo: este post não é sobre futebol. É sobre gente que julga que os outros são parvos e usa da censura para continuar a viver nessa ilusão. Felizmente a coisa é mais dificil do que eles pensam. Fica aqui o vídeo. Porque acho importante? Não. Nada mesmo. Desde que jogue, é-me absolutamente indiferente o que João Pereira achou ou acha em relação ao Sporting. Apenas porque me irritam retoques no passado.


por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
“Se algum dia for seleccionador direi não aos naturalizados”, diz o special one, Mr. Mourinho, que, com o seu indiscutível patriotismo, espera vir a ser seleccionador... Mas só "na parte final da sua carreira", que um homem pode ser muito firme na defesa da pureza pátria mas não tem que ser parvo. Fiquei só com uma dúvida: sendo os naturalizados portugueses, se eles forem os melhores dirá "não" com base em que regra ou princípio, exactamente?

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Papa apela ao casamento entre homem e mulher.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
“Se algum dia for seleccionador direi não aos naturalizados”, diz José Mourinho. Trt

por Daniel Oliveira
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Domingo, 27 de Dezembro de 2009
por Daniel Oliveira
Dirigindo-se a este vosso humilde criado (tratando-me por "ser humano", o que é simpático), Pedro Santana Lopes diz: "Uma das mudanças que é necessária em Portugal é a de pôr as pessoas na posição que merecem. Têm de se definir os estatutos em que cada um tem espaço, se são programas de humor ou de debate político sério." Foi exactamente essa estranha confusão entre humor e política que espantou os portugueses naquele dia em que Pedro Santana Lopes entrou no Palácio de São Bento.

Em Novembro de 2006 Santana Lopes disse que estava "longe da vida política". Tinha, pensámos nós, regressado à sua carreira. E onde morava ela? No Parlamento. Santana, nas suas próprias palavras, "longe da vida política", era deputado.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira



As informações são contraditórias, mas o Irão está a ferro e fogo. O regime vive um dos dias mais arriscados da sua existência. E agora é o próprio Ayatollah Ali Khamenei que é posto em causa.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
O atentado de Abdul Farouk à sua própria perna confirma a suspeita popular de que, sem ajuda dos pais, os meninos de boas famílias não vão longe. Nem para se explodirem têm competência.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
O sobrinho do candidato da oposição iraniana, Mirhossein Mousavi, foi morto por forças de segurança, hoje, em Teerão, durante uma manifestação. Morreram mais três manifestantes. O regime desmente esta informação.


Que um dia rirá melhor quem rirá por fim

Na curva da estrada há covas feitas no chão

E em todas florirão rosas duma nação


por Daniel Oliveira
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por Pedro Sales
Esta tarde 1500 pessoas ainda não tinham energia eléctrica. Uma situação já resolvida, segundo Maria António Fonseca, relações públicas da EDP, que à RR admite apenas problemas pontuais, em zonas mais isoladas.



Esta informação foi já contestada à Renascença por muitos moradores. É o caso de Rute Oliveira, da Ribeira de Pedrulhos, a quatro quilómetros de Torres Vedras, onde cerca de 300 casas continuam às escuras.

por Pedro Sales
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por Arrastão


por Arrastão
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Sábado, 26 de Dezembro de 2009
por Daniel Oliveira
Qual o melhor candidato para vencer Cavaco Silva ou outro candidato de direita nas próximas eleições presidenciais? António Costa, António Guterres, António Vitorino, Fernando Nobre, Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa, Jorge Sampaio, Manuel Alegre, Manuel Carvalho da Silva ou Mário Soares.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Um pastor americano, o reverendo Thomas Anderson, do Arizona, garante que Jesus não era pobre. Entre as muitas provas, que podem encontrar aqui, está o simples facto dos seus pais andarem de burro em vez de usarem o pobre asno como refeição. Aposto que a investigação sobre a vida financeira de Jesus, que nem precisará de nenhum levantamento do sigilo bancário, acabará por concluir que ele era CEO de uma multinacional que fez fortuna a jogar na bolsa. E quem em vez de esmolas dava todos os anos uma boa contribuição ao Partido Republicano. Como dizia o bispo da Opus Dei, Javier Echeverría, "também em Wall Street é possível encontrar Deus". A cinco cêntimos a acção.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Aqui ficam os resultados do inquérito do Arrastão para o pior e melhor da década.

Melhor personalidade internacional: Barack Obama

Barack Obama (34%, 350)
Lula da Silva (24%, 249)
Jon Stewart (20%, 205)

Dalai Lama (17%, 172), Sérgio Vieira de Mello (16%, 161), Hugo Chávez (14%, 143 Votes), Evo Morales (13%, 135 Votes), Michael Moore (13%, 132), Al Gore (12%, 127), Xanana Gusmão (8%, 84), Aminetu Haidar (7%, 76), Nicolas Sarkozy (6%, 59), José Luiz Zapatero (5%, 48), Malalai Joya (4%, 45), Tony Blair (4%, 42).

Melhor personalidade nacional: Ricardo Araújo Pereira e os Gatos Fedorentos

Ricardo Araújo Pereira e os Gatos Fedorentos (35%, 381)
Fernando Nobre (23%, 352)
José Saramago (17%, 190)

Sofia de Mello Breyner (15%, 164), José Mourinho (13%, 142), Francisco Louçã (11%, 120), José Sócrates (10%, 106), Paula Rego (9%, 98), João Cesar Monteiro (8%, 85), Cristiano Ronaldo (7%, 82), Jorge Sampaio (6%, 69), Jerónimo de Sousa (6%, 67), António Guterres (5%, 55), Cavaco Silva (5%, 55), Paulo Portas (5%, 50), Manuel Alegre (4%, 49), Agustina Bessa-Luís (4%, 46), Durão Barroso (3%, 33), Manuela Ferreira Leite (1%, 16).

Pior personalidade internacional: George W. Bush

George Bush (50%, 524)
Silvio Berlusconi (25%, 257)
Robert Mugabe (21%, 224)

Ossama Bin Laden (21%, 215), Dick Cheney (17%, 173), Mahmoud Ahmadinejad (15%, 160), Hugo Chávez (13%, 132), Ariel Sharon (9%, 98), Bernard Madoff (7%, 74), Vladimir Putin (5%, 56), Tony Blair (5%, 56), Hu Jintao (3%, 30), Saddam Hussain (3%, 27), Nicolas Sarkozy (2%, 20), Moqtada el Sadr (2%, 16).

Pior personalidade nacional: José Sócrates
Sócrates
José Sócrates (28%, 296)
Cavaco Silva (21%, 220)
Valentim Loureiro (20%, 217)

Pedro Santana Lopes (17%, 181), Manuel Dias Loureiro (17%, 180), Fátima Felgueiras (16%, 172), Durão Barroso (13%, 134), Isaltino Morais (13%, 143), Francisco Louçã (12%, 126), Manuela Ferreira Leite (10%, 107), Vítor Constâncio (10%, 104), Paulo Portas (7%, 78), Mário Soares (5%, 58), António Guterres (3%, 36), Manuel Alegre (2%, 22), Jerónimo de Sousa (2%, 17), Jorge Sampaio (1%, 16)

Melhor acontecimento internacional: a eleição de Barack Obama
Vitória Obama
A vitória de Barack Obama (2008) (40%, 392)
A independência de Timor Leste (2002) (26%, 252)
Novas lideranças na América Latina (25%, 251)

A generalização da reciclagem (20%, 200), Wikipédia (2001) (19%, 190), As redes sociais (17%, 172), As low cost (14%, 141), O movimento alterglobal (11%, 106), A queda de Saddam Hussein (2003) (7%, 71), A queda de Slobodan Milosevic (2000) (7%, 67), O Tratado de Lisboa (2009) (6%, 61), Os resultados dos referendos aos tratados Constitucional e de Lisboa (2005-2009) (2%, 23)

Melhor acontecimento nacional: Despenalização do Aborto

A despenalização do aborto (2007) (49%, 486)
A blogosfera (27%, 266)
A demissão de Pedro Santana Lopes (2004) (19%, 186)

O crescimento do Bloco de Esquerda (18%, 181), O Euro 2004 (2004) (18%, 175), A Casa da Música (2005) (11%, 107), A eleição de José Sócrates (2005) (9%, 92), A vitória de Cavaco Silva (2006) (6%, 61), A nomeação de Durão Barroso para presidente da Comissão Europeia (2004) (5%, 46).

O pior acontecimento internacional: 11 de Setembro

O 11 de Setembro (2001) (35%, 335)
Crise financeira e económica (2008-2009) (26%, 248)
A guerra do Iraque (2003) (21%, 206)

Crescimento do fundamentalismo islâmico (20%, 189), Crescimento da xenofobia na Europa (19%, 188), Aquecimento globlal (18%, 179), Crise do Darfur (2003) (16%, 154), Tsunami (2004) (12%, 118), Guerras de Israel com o Líbano e Gaza (2006-2008) (12%, 115), A subida ao poder de Mahmoud Ahmadinejad (2005) (6%, 59), A morte de Yasser Arafat (2004) (2%, 23), A morte de Michael Jakson (2009) (2%, 21).

O pior acontecimento nacional: caso Casa Pia

Caso Casa Pia (2002-2009) (39%, 380)
Casos BPN e BPP (2009) (30%, 289)
Governo de Santana Lopes (2004) (29%, 284)

Vitória de José Sócrates (2005) (25%, 247), A queda da ponte de Entre-os-Rios (2001) (25%, 246), A Presidência de Cavaco Silva (2006) (19%, 186), Conflito com os professores (2008-2009) (7%, 66), Despenalização do aborto (2007) (6%, 63), Desaparecimento de Madeleine McCann (2007) (2%, 22)


por Daniel Oliveira
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Sexta-feira, 25 de Dezembro de 2009
por Pedro Vieira

© rabiscos vieira


paz na terra aos homens de boa vontade e um kimono para ajudar à defesa de sua santidade



por Pedro Vieira
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por Daniel Oliveira



Mulher derruba Papa no começo da Missa do Galo.


por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009
por Daniel Oliveira
"Manuel Alegre não é um candidato ganhador"
Vital Moreira

por Daniel Oliveira
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