Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2011
por Sérgio Lavos
 
Depois de Nietzshe, mais um ateu famoso que morre antes de Deus. Christopher Hitchens. Mas não a verve, a veia de polemista, o apurado gosto, a ferocidade do crítico. Os seus textos, as aparições na televisão. Os livros. Sobretudo, Deus Não é Grande, manifesto ateísta dominado por uma pulsão provocatória que ultrapassa demasiadas vezes a racionalidade argumentativa. Hitchens, como muitos ateus, era um militante, um crente. E, como muitos crentes, era um fundamentalista. Confudiu fé com religião, a imaterialidade da primeira com os erros das instituições que servem a segunda.

 

Pormenores. A inteligência do crítico e o arsenal retórico de que abusava em discussões muitas vezes pareciam deixar à distância eventuais erros de julgamento. O que desculpamos a um homem equivocado é quase sempre uma medida da nossa própria sensatez. A Hitchens, desculpamos muito. Viver terá de se aproximar do que foi a existência dele. Um fogo-de-artifício breve, e depois o céu escuro. Para tanto, Deus não deverá ser chamado.

 
(Também publicado no Auto-retrato.)

por Sérgio Lavos
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